A campanha do Equador contra o narcoterrorismo entrou em uma nova fase, à medida que as autoridades intensificam as operações contra as organizações criminosas transnacionais (OCTs) responsáveis por tráfico de drogas, violência e corrupção em toda a região.
As forças de segurança ampliaram as operações coordenadas contra os principais grupos criminosos, reforçaram a vigilância marítima ao longo das principais rotas de tráfico e aprofundaram a cooperação com parceiros internacionais, em particular com os Estados Unidos, para desmantelar as redes criminosas transnacionais que operam no país e através dele.
Fortalecer as operações
As autoridades equatorianas intensificaram as operações contra alguns dos grupos criminosos mais poderosos do país, entre eles Los Choneros e Los Lobos, organizações vinculadas a redes internacionais de tráfico de drogas e crimes violentos.
Ambos os grupos, classificados pelo governo equatoriano como organizações terroristas, também foram designados como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) pelos Estados Unidos, no início de setembro de 2025, uma medida que ampliou as ferramentas legais e operacionais disponíveis para as nações parceiras que trabalham para desmantelar essas redes.
Em resposta à crescente ameaça que esses grupos representam, o Equador tem recorrido cada vez mais a operações conjuntas da Polícia e do Exército, para enfrentar as OCTs.
“Essas são organizações terroristas que tentam infundir terror na população através de seus métodos, que contam com um capital muito grande e capacidades militares comparáveis às de qualquer exército”, disse o ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo Rendón, em entrevista à Diálogo. “É por isso que é preciso enfrentá-las da mesma forma.”
As operações de segurança em grande escala realizadas em várias províncias, entre elas Guayas, Esmeraldas, Manabí e Los Ríos, tiveram como alvo os líderes das gangues, os arsenais de armas e a infraestrutura utilizada para o tráfico.
As autoridades afirmam que a campanha tem produzido resultados significativos em termos de aplicação da lei. Desde o início da ofensiva de segurança do governo contra o crime organizado, mais de 30.000 pessoas foram detidas em operações relacionadas ao conflito armado interno. Em uma investigação multinacional mais recente, no início de março, dirigida contra uma rede de tráfico de cocaína vinculada a Los Lobos, as autoridades prenderam 16 suspeitos e apreenderam mais de 7 toneladas de cocaína em operações coordenadas na Europa e na América Latina.
Os esforços também se concentraram nas estruturas de liderança dessas organizações. Em novembro de 2025, Wilmer “Pipo” Chavarría, um dos principais líderes de Los Lobos, foi preso na Espanha em uma operação conjunta entre as autoridades equatorianas e espanholas, como parte de uma investigação internacional mais ampla sobre as operações de tráfico de drogas do grupo.
As autoridades de segurança afirmam que esse tipo de operação demonstra como as ações coordenadas de aplicação da lei e a cooperação internacional podem enfraquecer as estruturas de comando e as redes de tráfico que sustentam as organizações narcoterroristas.
“A cooperação é essencial”, afirmou o ministro Loffredo. “Trabalhamos em conjunto com os Estados Unidos, com o Comando Sul [SOUTHCOM], e eles são os que coordenam com os demais países também. Com alguns, temos relações bilaterais, nas quais podemos intercambiar informações diretamente, mas definitivamente é muito importante que o Comando Sul seja um ator ativo e principal nessa cadeia de informações, para poder fazer as interdições.”
Operações conjuntas com os Estados Unidos
A cooperação internacional tornou-se um pilar central da estratégia do Equador para enfrentar o narcoterrorismo.
No início de março, as forças de segurança equatorianas lançaram operações conjuntas com os Estados Unidos contra as organizações narcoterroristas que operam no país. As operações foram realizadas em coordenação com o Exército dos EUA e incluem o intercâmbio de inteligência, o planejamento operacional e o apoio especializado.
“Elogiamos os homens e mulheres das Forças Armadas do Equador por seu compromisso inabalável com essa luta, demonstrando coragem e determinação através de ações contínuas contra os narcoterroristas em seu país”, disse o Almirante de Esquadra Francis L. Donovan, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, comandante do SOUTHCOM, através do X.
Uma das operações teve como alvo um campo de treinamento de narcotraficantes perto da fronteira com a Colômbia, vinculado ao grupo criminoso Comandos de la Frontera, uma rede associada às rotas transfronteiriças de tráfico de cocaína. A operação, denominada Extermínio Total, foi realizada no início de março. Helicópteros, drones, aviões e forças fluviais foram destacados para desmantelar a infraestrutura usada para treinar e apoiar os traficantes.
Outra operação teve como alvo a infraestrutura de tráfico marítimo utilizada por OCTs que operam ao longo da fronteira norte do Equador. No início de março, unidades da Marinha do Equador localizaram e destruíram um narco submarino e um acampamento próximo do tráfico de drogas, na reserva ecológica Cayapas-Mataje, uma área frequentada por traficantes que transportam cocaína pelas rotas do Pacífico. As autoridades afirmaram que o semissubmersível era capaz de transportar carregamentos de várias toneladas de narcóticos e fazia parte de uma rede de tráfico mais ampla, que operava perto da fronteira com a Colômbia.
Vigilância e interceptações marítimas
Um dos desafios mais importantes do Equador na luta contra o tráfico de drogas é a extensão de seu território marítimo e o número de rotas de tráfico que cruzam o Pacífico.
Segundo o ministro Loffredo, o território marítimo do Equador é várias vezes maior do que seu território terrestre, o que faz com que as operações de vigilância e interceptação sejam uma tarefa complexa para as forças de segurança.
“Nós identificamos os corredores marítimos de drogas: por onde eles passam, quais rotas seguem e onde são abastecidos com combustível, para poderem continuar seu caminho”, disse o ministro Loffredo.
A cooperação com os Estados Unidos ajudou o Equador a fortalecer suas capacidades de vigilância e interdição marítimas, através do intercâmbio de inteligência, programas de capacitação e transferências de equipamentos, incluindo embarcações de patrulha usadas para interceptar embarcações de tráfico que operam ao longo da costa do Pacífico.
As autoridades equatorianas afirmam que essa cooperação está produzindo resultados tangíveis no mar. Em meados de março, em mais uma operação, a Marinha do Equador – com o apoio da Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul (JIATF-S) dos EUA – interceptou cerca de 1,6 tonelada de narcóticos a aproximadamente 130 milhas náuticas da costa do Equador, depois que os traficantes descartaram o carregamento, ao tentar fugir das patrulhas.
“Qualquer capacidade que se some às já existentes para o controle dessas águas territoriais é muito importante”, disse o ministro Loffredo.
Ampliação da cooperação internacional
A campanha do Equador contra o narcoterrorismo depende cada vez mais da cooperação com parceiros internacionais.
Líderes de segurança de todo o hemisfério se reuniram recentemente na Conferência contra os Cartéis das Américas, realizada na sede do SOUTHCOM, uma iniciativa destinada a fortalecer o intercâmbio de inteligência e a coordenação operacional contra as organizações criminosas que operam em toda a região.
A conferência foi seguida pela criação de uma Coalizão contra os Cartéis, destinada a ampliar a colaboração entre as nações parceiras que enfrentam as OCTs.
O analista equatoriano Jean Paul Pinto afirmou que essa cooperação pode desempenhar um papel decisivo no desmantelamento das redes criminosas.
“Mecanismos como a extradição e a cooperação em matéria de inteligência podem ser decisivos para enfrentar as organizações criminosas transnacionais”, declarou Pinto à Diálogo. “A colaboração internacional não só permite o intercâmbio de informações, mas também fortalece os sistemas judiciais para combater a corrupção e desmantelar as redes de tráfico de drogas.”
Esforço compartilhado para derrotar o narcoterrorismo
As autoridades de segurança afirmam que a luta contra o narcoterrorismo exigirá uma cooperação sustentada entre os governos de toda a América.
À medida que as redes criminosas continuam evoluindo e expandindo-se através das fronteiras, as autoridades enfatizam cada vez mais a importância da ação coordenada para desmantelar as rotas de tráfico, interromper as finanças criminosas e fortalecer as capacidades institucionais. Para o Equador, a colaboração contínua com os parceiros regionais e os Estados Unidos continua sendo um elemento central dos esforços para enfrentar as OCTs e fortalecer a segurança em todo o hemisfério.
Durante a Conferência contra os Cartéis das Américas, o ministro Loffredo enfatizou que a luta contra o narcoterrorismo requer cooperação sustentada.
“As organizações narcoterroristas não apenas traficam drogas, mas também desafiam a autoridade legítima do Estado e afetam a liberdade e a prosperidade de nossos cidadãos”, afirmou o ministro Loffredo. “A segurança do nosso hemisfério é indivisível. Cada nação que reforça suas capacidades contribui para a estabilidade regional.”



