O Equador intensificou sua luta contra as organizações criminosas transnacionais, reforçando sua aliança estratégica com os Estados Unidos, para combater a violência e garantir a segurança do país. Essa parceria se baseia em um compromisso mútuo com a segurança regional, que combina o aumento das operações antidrogas e o intercâmbio de inteligência com sólidos acordos de cooperação em segurança.
“Nos últimos anos, o narcotráfico se tornou a principal manifestação do crime organizado no Equador, dinamizando outros crimes relacionados, como tráfico de hidrocarbonetos, corrupção, tráfico de armas e lavagem de dinheiro”, disse à Diálogo Carolina Sampó, coordenadora do Centro de Estudos sobre Crime Organizado Transnacional, da Argentina,.
Em resposta a essa ameaça crescente, o Ministério da Defesa do Equador anunciou uma nova estratégia militar. Embora os componentes específicos sejam confidenciais, o Ministério confirmou que está concentrando seus esforços nas províncias mais críticas: Guayas, Los Ríos, Manabí, El Oro, Carchi, Sucumbíos, Orellana, Zamora e Morona Santiago. A ofensiva inclui neutralizar líderes de gangues, destruir infraestruturas utilizadas na mineração ilegal e reforçar os controles de armas e explosivos em pontos-chave em todo o país.
Essa nova estratégia surge em meio a uma crise de segurança que levou as taxas de homicídios a atingirem níveis históricos. A violência tem sido uma preocupação significativa para o governo do presidente Daniel Noboa, com um aumento dos homicídios em 47 por cento, em relação ao ano anterior. Guayaquil continua sendo um importante ponto de conflito, pois concentra quase um terço de todos os homicídios.
Aliança coordenada para a segurança hemisférica
Os Estados Unidos responderam fornecendo um forte apoio ao seu parceiro. Durante uma visita a Quito em setembro, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou um novo pacote de assistência à segurança. Ele detalhou um compromisso de US$ 13,5 milhões em assistência à segurança, para ajudar o Equador a melhorar sua capacidade de garantir a segurança dos seus cidadãos, com US$ 6 milhões adicionais destinados ao fornecimento de veículos aéreos não tripulados (UAVs), para a Marinha do Equador. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos designaram os grupos criminosos Los Choneros e Los Lobos como organizações terroristas estrangeiras, uma medida que permite uma abordagem conjunta mais agressiva para desmantelar suas redes financeiras.
De acordo com Sampó, essas importantes gangues dominam as prisões do país e têm amplas conexões com organizações criminosas internacionais.
“As principais gangues que operam no Equador são Los Choneros, Los Lobos e Los Tiguerones. Los Choneros estão baseados na costa central do Equador”, afirmou Sampó. “Los Tiguerones, que começaram como uma facção de Los Choneros, são fortes nas áreas populares marginalizadas de Guayaquil e do norte do Equador, enquanto Los Lobos lutam pelas mesmas áreas costeiras e têm uma forte presença nas regiões montanhosas.”
Esses grupos, acrescentou Sampó, têm grandes parcerias com grupos armados colombianos e cartéis mexicanos, como Jalisco Nova Geração e Sinaloa, bem como com grupos europeus, como a ‘Ndrangheta (máfia calabresa) e gangues criminosas albanesas. “A demanda por drogas na Europa e em outras regiões do mundo levou à proliferação desses grupos criminosos e sua disputa pelo acesso e controle desses mercados”, explicou Sampó.
Em uma tentativa para fortalecer a segurança nas fronteiras, o Ministério do Interior do Equador, com o apoio da Embaixada dos EUA, apresentou os avances do Sistema de Videovigilância com Analítica Avançada. Essa tecnologia fornece aos agentes de imigração câmeras de alta resolução, equipamentos de verificação de documentos e tradutores de idiomas, em pontos críticos de passagem de fronteira e aeroportos internacionais,.
Esse compromisso bilateral é ainda mais reforçado por parceiros regionais. O governo do Brasil, por exemplo, inaugurou recentemente o Centro Internacional de Cooperação Policial da Amazônia, em Manaus, e reabriu o escritório da Polícia Federal em Quito. Essa cooperação tem como objetivo fortalecer o combate ao crime organizado transnacional, ao contrabando de armas e às ameaças à segurança online.
Combate às ameaças com informações e cooperação
Sampó enfatizou que o avanço do desempenho dos grupos criminosos no Equador está sendo acompanhado de perto pela comunidade internacional, que reconhece a localização estratégica do país entre a Colômbia e o Peru, que são os principais produtores mundiais de cocaína. “A luta para combater o avanço desse flagelo deve ser abordada de uma perspectiva regional, permitindo que todos os países ataquem e persigam essas organizações criminosas da mesma forma”, disse Sampó.
“É por isso que o intercâmbio de informações precisas e oportunas e os acordos de cooperação são de vital importância para neutralizar as ações operacionais desses grupos criminosos”, concluiu Sampó. Essa aliança fortalecida entre nações parceiras serve como um exemplo poderoso de como uma estratégia multinacional coordenada é a maneira mais eficaz de proteger o Hemisfério Ocidental contra ameaças comuns.