El Salvador desarticula estrutura do crime organizado

El Salvador Dismantles Organized Crime Structure

Por Lorena Baires/Diálogo
março 23, 2017

“Ao longo da costa de El Salvador, um grupo de pescadores artesanais abandonava suas redes à noite para apoiar uma estrutura de narcotráfico que abastecia o cartel mexicano de Sinaloa para mobilizar cocaína do Equador para a Guatemala”, anunciou a Procuradoria Geral da República e a Polícia Nacional Civil (PNC) de El Salvador. O grupo foi desarticulado na madrugada de 6 de fevereiro, durante uma operação realizada pelos departamentos de La Libertad, Sonsonate e San Salvador. “Os carregamentos vinham do Equador e chegavam ao Oceano Pacífico salvadorenho, onde os pescadores abasteciam as lanchas rápidas, além de transportar os carregamentos em direção a Iztapa, na Guatemala”, informou à Diálogo Howard Cotto, diretor geral da PNC. Na operação, capturaram 28 pescadores – seis estão foragidos – e confiscaram uma frota de 14 lanchas, 10 motores de popa, sistemas GPS, tablets, celulares, quatro veículos, dinheiro e várias armas. A pista que levou a essa quadrilha ligada ao cartel de Sinaloa chegou em dezembro de 2015, quando a Força-Tarefa Tridente, da Força Naval de El Salvador (FNES), realizou duas apreensões de cocaína no departamento de La Libertad, com um peso total de 400 quilos e cujo valor no mercado era de US$ 10 milhões. Os tridentes formam um grupo de elite dedicado a desarticular as estruturas do narcotráfico que tentam levar drogas para o norte do continente. As informações coletadas por esses militares chamaram a atenção dos investigadores para essa região. “As estruturas do narcotráfico agora se movem em barcos pequenos, de onde distribuem as drogas. Nossa alta concentração e treinamento nos permite persegui-las ao mesmo tempo, utilizando mais meios de forma mais eficiente”, informou o Capitão-de-Mar-e-Guerra René Merino, chefe do Estado-Maior Geral da FNES. A FNES mantém uma troca constante de informações com agências internacionais contra o narcotráfico, alertando sobre as rotas que as embarcações suspeitas seguem. Assim estabeleceram que os narcotraficantes tinham pontos de entrega na fronteira entre Guatemala e México, além de El Salvador e Guatemala. “Essas estruturas locais proporcionavam apoio para transportar as drogas que iam para o norte, principalmente ao departamento de San Marcos, na Guatemala. Existem vários lugares onde a droga era recebida para ser transportada por terra”, explicou à Diálogo o Ministro da Justiça e da Segurança Pública de El Salvador Mauricio Ramírez. Casas de praia, pontos de abastecimento Um desses lugares era a praia San Diego, no departamento de La Libertad. Durante as décadas de 70 e 80, foram construídas várias casas de praia enormes nesse lugar. Agora, muitas estão abandonadas porque seus proprietários se mudaram, segundo dizem os vizinhos. Mas as que estão de frente para o mar abrem suas portas, durante os finais de semana, para atender a centenas de turistas em busca de diversão. Durante a noite, algumas dessas casas se tornam pontos de abastecimento para as estruturas ligadas ao crime organizado. Há alguns meses, convidaram Manuel Pérez, um pescador de 45 anos, que vive na praia San Diego, a participar do “negócio”, mas ele rejeitou a oferta. “Um vizinho chegou a dizer que estavam pagando para encher alguns galões com gasolina e abastecer algumas lanchas. Quando perguntei quem eram eles e o que faziam, me disseram que levavam drogas”, disse à Diálogo. Everaldo Linares, outro pescador da região, garantiu que à noite se observavam lanchas que atracavam nessas casas. Apesar de nunca ter visto a movimentação de objetos ou cargas, ele foi testemunha dos reabastecimentos de gasolina. “Era curioso observar que, várias noites por semana, chegavam lanchas para encher os tanques com gasolina. Se fossem pescadores, voltariam pela manhã com peixe. Mas não; eles só eram vistos à noite”, lembrou Linares, enquanto consertava sua rede de pesca. Os chefes da quadrilha A Procuradoria garantiu que o chefe dessa estrutura em El Salvador, José Leónidas Gómez Cuéllar, conhecido como “Pepe”, comprava veículos e lanchas em nome de terceiros e administrava locais onde eram feitos os desembarques de drogas e reuniões para planejar as rotas. Esse trabalho de planejamento era coordenado por Marlon Monroy, conhecido como “O Fantasma”, capturado em 30 de abril de 2016, e extraditado em novembro do ano passado para os Estados Unidos, acusado de “coletar” as drogas e receber produtos ilícitos em várias rotas ou “linhas”. “Eles faziam o gerenciamento com o cartel de Sinaloa, principalmente ‘O Fantasma’, que foi extraditado para os Estados Unidos”, disse Douglas Meléndez, fiscal geral da República. A quadrilha internacional foi descoberta quando as autoridades da Guatemala prenderam Ana Lucrecia Muñoz, em dezembro de 2015, quando transportava um milhão de dólares escondido em vários compartimentos secretos de um veículo. No último dia 8 de fevereiro, ela foi condenada a 14 anos de prisão e a pagar uma multa de US$ 997.020. No último dia 11 de fevereiro, o juizado de paz de Puerto de La Libertad prendeu todos os pescadores capturados porque considerou que existem provas suficientes que determinam sua participação na estrutura. Agora, a Procuradoria tem seis meses para reunir mais provas. A desarticulação dessa estrutura, conseguida graças ao alerta dos ‘tridentes’, faz parte dos resultados positivos obtidos. Graças a esse grupo de elite, foram apreendidos 7.465 quilos de cocaína no ano passado, tornando-se um número excepcional para uma tropa de elite que, com recursos limitados, enfrenta com sucesso os desafios que o mar e os narcotraficantes lhes apresentam.
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