Corpo de Fuzileiros Navais da Holanda na linha de frente da segurança do Caribe

O Contra-Almirante (FN) Ivo Moerman, comandante do Real Corpo de Fuzileiros Navais da Holanda, construiu uma carreira distinta, com base em sua experiência operacional, que começou com sua primeira missão como comandante de pelotão em Curaçao. Com mais de 30 anos de serviço, essa exposição precoce ao cenário de segurança único da região, combinada com sua formação em engenharia mecânica e uma ampla gama de treinamento militar internacional, molda sua visão estratégica atual.

Diálogo teve a oportunidade de conversar com o C Alte Moerman durante a Conferência de Líderes Navais das Américas 2025, em Washington, D.C., onde ele discutiu a respeito de sua missão em andamento no Caribe, parcerias cruciais e sua visão para fortalecer a interoperabilidade e a cooperação em segurança no hemisfério.

Diálogo: Qual é a sua principal visão estratégica para a presença e missão do Real Corpo de Fuzileiros Navais da Holanda no Caribe e como ela se alinha à estratégia de defesa mais ampla do Reino da Holanda?

Contra-Almirante (FN) Ivo Moerman, comandante do Real Corpo de Fuzileiros Navais da Holanda: Temos vários países no Caribe que fazem parte do Reino dos Países Baixos. Como nação, temos a responsabilidade de fornecer segurança a esses países. A Marinha Real da Holanda e o Real Corpo de Fuzileiros Navais holandês têm unidades e navios baseados em Curaçao, Aruba e São Martinho, para fornecer apoio e recursos ao governo local, sempre que for necessário.

Diálogo: A Holanda tem uma longa história de cooperação no Caribe. No contexto dos diversos desafios de segurança da região, quais são os que considera que sejam os aspectos mais críticos dessas parcerias? É o intercâmbio de inteligência, o treinamento conjunto ou algo mais que considera ser essencial para uma cooperação eficaz?

C Alte Moerman: Analisamos todos os aspectos de segurança na área. Entre nossas principais missões está a de estar preparados para fornecer ajuda em casos de desastres, especialmente durante a temporada de furacões. Estamos sempre prontos para ajudar não apenas nossos próprios países, mas também outras nações da região. Por exemplo, há cerca de 20 anos, pudemos prestar socorro após furacões na Nicarágua e em Honduras, porque tínhamos forças e recursos na área. Além do socorro em desastres, também lidamos com outras ameaças à segurança na região.

Diálogo: A localização estratégica das ilhas caribenhas de Aruba, Curaçao e Bonaire as torna corredores críticos para atividades ilícitas, representando uma ameaça persistente à estabilidade na região. Na sua perspectiva, como evoluíram as ameaças de organizações criminosas transnacionais, incluindo o tráfico de drogas e de pessoas, e qual é o papel específico que o Real Corpo de Fuzileiros Navais da Holanda desempenha no combate a elas, juntamente com seus parceiros regionais?

C Alte Moerman: Fazemos isso principalmente em conjunto com nossos irmãos e irmãs da Marinha. Temos um navio na área que apoia as guardas costeiras do Caribe em operações antinarcóticos e também mantemos uma estreita relação de trabalho com a Marinha e a Guarda Costeira dos EUA.

Diálogo: A interoperabilidade é crucial para que as operações combinadas sejam eficazes. Quais são algumas das principais lições aprendidas com os recentes exercícios conjuntos no Caribe, como o Tradewinds, e quais iniciativas estão sendo realizadas para melhorar ainda mais a interoperabilidade com seus homólogos na região?

C Alte Moerman: A interoperabilidade eficaz depende do que chamamos de três Ps: Pessoas, Processos e Produtos. Isso inclui ter equipamentos e sistemas adequados, mas é igualmente vital treinar juntos, usando táticas, técnicas e procedimentos compartilhados. É por isso que exercícios como o Tradewinds são muito valiosos. Eles nos permitem construir conexões e estabelecer a confiança necessária, tanto para exercícios futuros, quanto para cenários do mundo real, como socorro em furacões, garantindo que possamos operar juntos de forma integrada.

Diálogo: Olhando para o futuro, qual é a sua visão em matéria de cooperação em segurança no Caribe e que funções novas ou ampliadas prevê para o Real Corpo de Fuzileiros Navais da Holanda em parceria com seus aliados regionais?

C Alte Moerman: Estamos sempre abertos para fortalecer nossas parcerias, especialmente para o socorro em desastres e furacões. Buscamos ativamente combinar nossas capacidades com as de nossos parceiros, incluindo o Reino Unido, a França e os Estados Unidos. Também temos um relacionamento muito próximo com a Colômbia e continuamos a fortalecer esses laços e essas relações por meio de diferentes atividades, para garantir que estejamos prontos para responder quando for necessário.

Diálogo: Que tipo de compromissos ou exercícios de treinamento estão planejados para o Real Corpo de Fuzileiros Navais em um futuro próximo?

C Alte Moerman: Realizamos um treinamento anual em conjunto com o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, tanto enviando fuzileiros navais holandeses aos Estados Unidos, quanto recebendo fuzileiros navais norte-americanos no Caribe. Também realizamos treinamentos anuais com os fuzileiros navais da Colômbia, aprendendo com eles operações fluviais, pois eles são os melhores nessa área. Além disso, temos um relacionamento próximo com o Suriname, onde realizamos nosso treinamento geral.

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