Marinha da Colômbia com foco na segurança e defesa do meio ambiente

Colombian Navy Focuses on Environmental Security and Defense

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
novembro 08, 2016

A Marinha Nacional da Colômbia trabalha para combater o tráfico ilegal de fauna e flora em todo o território nacional, além de proteger os diversos recursos naturais singulares do país. Para ter o controle e uma ação efetiva contra o tráfico ilegal de vida silvestre e o registro e comércio de madeira, "as tropas, através de operações realizadas em pontos de controle em vias terrestres e fluviais, em coordenação com a polícia, obtêm resultados a cada semana", falou o Capitão de Mar e Guerra Carlos Enrique Montenegro, comandante da Brigada dos Fuzileiros Navais Nº 1, na cidade de Corozal, Sucre. Em seu Plano Estratégico Ambiental 2013 – 2030, a Marinha da Colômbia considera o combate ao tráfico ilícito de espécies selvagens, regulando a exploração irracional de recursos naturais e protegendo diversas espécies de animais selvagens em perigo de extinção. Até o momento, em 2016, foram desferidos duros golpes contra as finanças dos grupos criminosos que operam em diferentes regiões do país e que fazem negócios com o tráfico ilegal de recursos naturais. A Marinha também evitou o tráfico, a venda e exportação de 11.899 espécies vivas protegidas e 4.212 metros cúbicos de madeira. “O tráfico de madeira e de animais selvagens é um dos principais motores da perda da biodiversidade não renovável do país. Estas ações estão vinculadas com outro tipo de atividade ilícita, o narcotráfico", comentou à Diálogo Maria Piedade Baptiste, pesquisadora do Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander Von Humboldt na Colômbia. “O país é alvo da extração de espécies silvestres devido à demanda que existe dessas variedades em perigo de extinção, tanto no comércio formal como ilegal”, enfatizou Baptiste. Por outro lado, a Colômbia é considerada como a primeira nação em biodiversidade mundial de anfíbios e aves, segunda em plantas, terceira em répteis e quinta em mamíferos, relatou a Marinha em seu plano. Traficantes ilegais Os traficantes ilegais de fauna e flora silvestre aprisionam animais vivos como os macacos-prego, araras, flamingos, tartarugas, capivaras, serpentes, jaguatiricas e aves diversas, para vendê-los por milhares de dólares como mascotes, para a indústria da moda ou para alimentação. "Existem mamíferos e aves exóticas que podem custar vários milhares de dólares", indicou o CMG Montenegro. Essas espécies são capturadas em diferentes partes do país para transportá-las para regiões distintas do mundo.. Na Colômbia, mais de mil e quinhentas espécies protegidas da fauna e flora silvestre são objeto de tráfico ilegal, informa o site sobre biodiversidade SIB Colombia.net. Esta atividade movimenta por ano aproximadamente US$ 22 bilhões no planeta, de acordo com o Reporte sobre el crimen de la vida silvestre mundial 2016 (Relatório sobre o crime da vida silvestre mundial 2016), emitido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes. Esta atividade ilegal está entre os quatro maiores delitos transnacionais, junto com o tráfico de drogas, armas e tráfico de pessoas, informou a União Europeia em seu Plano de ação contra o tráfico de espécies selvagens de 26 de fevereiro de 2016. A polícia já identificou os indivíduos envolvidos e que estão organizados em redes de traficantes, geralmente grupos de famílias ou de amigos. Esses grupos contam com embarcações, fazendas, vinícolas e os veículos necessários para facilitar a operação dos grupos de coletores (camponeses, pescadores e membros das comunidades indígenas) de transporte e de comércio no tráfico ilegal de fauna e flora silvestre. A Colômbia também é um lugar onde prolifera o contrabando de madeira. As espécies mais traficadas são cedro negro, palma colombiana, alfarrobeira e bordo, que são espécies em perigo de extinção. As florestas do Pacífico e do Amazonas são os lugares prediletos para quem está atrás do negócio ilegal com conexões em outros países da Ásia, América e Europa. Cooperação conjunta Entre agosto e outubro, tropas do Batalhão 17 da Brigada de Fuzileiros Navais Nº 1 desenvolveram uma operação sobre o rio Magdalena, a principal artéria fluvial da Colômbia. Até agosto, já tinham conseguido apreender quase 1.200 metros cúbicos de diferentes espécies de madeira nessa região. As placas estavam amarradas em forma de barcaça e eram transportadas por dois motores elétricos, cada um com 40 cavalos. "Esta é uma das maiores apreensões realizadas pela Marinha Nacional. Levamos um mês e meio no transporte dessa madeira. Até o momento, já recuperamos 600 metros cúbicos de pranchas de madeira, mas com as chuvas, o material sofreu muitos danos", comentou o CMG Montenegro. Desde 15 de julho de 2015, as Forças Armadas da Colômbia colaboram diretamente cada mês com a Mesa Nacional de Controle Ambiental, formada pelo corpo especializado da Procuradoria Geral da Nação, Polícia Ambiental, Ministério do Meio-Ambiente, Parques Naturais Nacionais e Associação de Autarquias Regionais e de Desenvolvimento Sustentável. O CMG Montenegro pontuou que essas ações devem ser acompanhadas de uma "política ambiental mais forte em relação às sanções e procedimentos que possam ser feitos para erradicar de forma definitiva quem trafica”. Na Colômbia, o tráfico ilegal de fauna e flora silvestre é penalizado pela Lei 1333 de 2009. As penas podem variar desde o pagamento de 5.000 salários mínimos (cerca de US$ 1.100) até 4 a 9 anos de prisão. "As penas são muito baixas", concluiu o CMG Montenegro. De sua parte, o Instituto Humboldt trabalha para "identificar, por meio de códigos de barras, as espécies silvestres que são vítimas do tráfico ilegal no país. Essa medida ajuda a ter um maior controle das espécies, em especial das endêmicas e com risco de extinção", concluiu Baptiste. Esta informação é uma ferramenta muito útil para as autoridades jurídicas e ambientais em sua luta contra tais delinquentes.
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