O influxo injusto de aço chinês barato continua a ser um problema para as siderúrgicas da América Latina. À medida que a China promove as remessas de aço, os países da região estão intensificando as proteções para suas indústrias locais. Mais recentemente, a Colômbia juntou-se a seus vizinhos, aumentando as tarifas ao aço chinês, em um esforço para tranquilizar seus produtores e diminuir o impacto sobre os empregos locais.
No final de fevereiro, o Ministério do Comércio, Indústria e Turismo (MCIT) da Colômbia, a pedido da empresa colombiana Tenaris Tubocaribe Ltda, iniciou uma investigação antidumping sobre tubos soldados importados da China, que são usados para a proteção de cabos. Um mês antes, o MCIT impôs tarifas antidumping de 41,74 por cento sobre lâminas de aço galvanizado e galvalume (materiais revestidos) procedentes da China. De acordo com o Diário Oficial, a medida estará vigente por um período de cinco anos.
As siderúrgicas da Colômbia vêm denunciando há meses a concorrência desleal, os preços predatórios e a baixa qualidade do aço proveniente da China, solicitando ao MCIT que adote medidas antidumping. Em outubro, a Colômbia impôs uma tarifa adicional de 30 por cento sobre os fios-máquina provenientes da China, elevando a tarifa a 35 por cento, o máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio.
“Foi realizada uma investigação técnica que mostrou que essas importações estavam causando danos à indústria nacional”, disse então o ministro do Comércio, Luis Carlos Reyes, via X. “Procuramos garantir uma concorrência equilibrada e justa.”
A China foi objeto de 29 importantes demandas comerciais de aço movidos contra ela entre 2024 e fevereiro de 2025, isto é, 14 casos a mais do que durante o período de 2020-2023, informou a empresa de dados financeiros globais S&P Global, com base em dados da Associação Chinesa de Ferro e Aço. A S&P Global prognostica que as barreiras comerciais contra o aço chinês começarão a afetar as exportações no final de 2025.
De acordo com Juan Manuel Sánchez, presidente do conselho de administração da Fenalcarbón, a associação de produtores de carvão da Colômbia, o dumping de aço da China teve um grande impacto na Colômbia.
“A China produz em apenas 13 horas o que a Colômbia produz em um ano inteiro”, disse Sánchez durante a Cúpula Mundial MetCoke 2024, na Colômbia, uma conferência internacional para as indústrias de coque, carvão e aço, informou o site colombiano de notícias de negócios Portafolio.
Para Carlos Cante, presidente executivo da Fenalcarbón, a China se tornou uma ameaça global para a indústria siderúrgica, produzindo mais de 1 bilhão de toneladas de aço bruto em 2023 e uma quantidade semelhante em 2024, informou Portafolio.
Ameaça regional
Embora o Brasil tenha aumentado as proteções para sua indústria siderúrgica contra o influxo de importações baratas chinesas, impondo tarifas sobre diferentes tipos de produtos, a questão ainda está impactando muito a nação sul-americana, informou Bloomberg.
“O Brasil continua sendo o quintal do mundo para que a China envie materiais”, disse à Bloomberg, no início de março, o diretor executivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) do Brasil, Luis Fernando Martinez. O Brasil tem atualmente 53 medidas antidumping em vigor contra a China, que vão muito além do aço, declarou o Ministério do Comércio e Indústria do Brasil à Diálogo, em um comunicado.
No início de março, o México anunciou que estava iniciando uma investigação sobre o dumping de aço laminado a quente, praticado pela China. O Ministério da Economia declarou em um comunicado que os preços injustos estão ameaçando prejudicar a indústria nacional. No mesmo mês, em 2024, o México impôs tarifas de até 91 por cento sobre as importações de aço procedentes da China, mais especificamente, às barras de aço roscadas, informou a plataforma mexicana LatinUS.
No Peru, o Instituto Nacional de Defesa da Concorrência e Proteção da Propriedade Intelectual (Indecopi) iniciou várias investigações sobre o dumping praticado pela China em tubos de aço carbono laminados a quente, pias de aço inoxidável e fio-máquina de aço. O Indecopi iniciou as investigações após solicitações de fabricantes locais, que argumentaram que o dumping da China prejudicava gravemente a indústria nacional.
De acordo com o site de notícias argentino Infobae, até agora, em 2025, o Indecopi iniciou investigações sobre cinco produtos procedentes da China, por práticas de dumping. Em um caso, medidas provisórias já estão em vigor, “o que mostra que a organização está tomando medidas para resolver essas questões”.
Robert Venero, advogado do escritório de advocacia Diez Canseco, que representa três das empresas siderúrgicas peruanas que apresentaram a denúncia por dumping, enfatizou que a prática da China é uma estratégia de concorrência desleal para destruir a indústria local.
“Quando as empresas nacionais não podem competir com os preços de dumping, elas são forçadas a fechar suas linhas de produção, gerando uma perda maciça de empregos e uma diminuição da capacidade produtiva do país”, declarou Venero a Infobae.


