Chile lança satélite com apoio da Força Espacial dos EUA

A Força Aérea do Chile (FACh) lançou seu satélite FASat-Delta, um marco que dá início à implementação do seu Sistema Nacional de Satélites (SNSat). O dispositivo foi lançado ao espaço a partir da Base Vandenberg, da Força Espacial dos EUA, em Santa Bárbara, Califórnia, a bordo do módulo de transporte do foguete Falcon 9 da empresa norte-americana SpaceX.

“Graças ao FASat-Delta, o Chile melhorará o monitoramento de suas fronteiras e o uso de seu espaço aéreo, terrestre e marítimo, e melhorará o monitoramento do impacto do aquecimento global”, disse à Diálogo Guillermo Holzmann, analista de defesa e acadêmico da Universidade de Valparaíso, em 17 de julho. “Na defesa, a atualização tecnológica desse satélite tem como objetivo identificar com maior resolução e precisão aqueles que violam nossa soberania.”

A separação do satélite de sua nave-mãe ocorreu sem problemas, como planejado, uma hora e 20 minutos após seu lançamento, em 12 de junho. Após sua liberação no espaço, iniciou o processo de configuração automática

Constelação chilena

O FASat-Delta é um satélite de observação óptica, com uma resolução de 72 centímetros. Ele permitirá a aquisição de imagens com cobertura global, com a capacidade de ser compartilhado com o principal fornecedor do projeto do SNSat do Chile, disse a FACh em um comunicado. Juntamente com o satélite FASat-Charlie, esse novo instrumento complementa as capacidades de observação do SNSat.

O lançamento foi monitorado por membros do alto comando da FACh reunidos no Serviço de Fotogrametria Aérea da instituição, localizado na Base Aérea de Pudahuel, em Santiago, e por autoridades dos ministérios que compõem o Conselho de Política Espacial do Chile, que estão trabalhando juntos para implementar o Sistema Nacional Espacial.

Enquanto isso, nos EUA, o acompanhamento da operação foi liderado pelo Tenente Brigadeiro do Ar Hugo Rodriguez, comandante-em-chefe da FACh, e pelo Brigadeiro Luis Felipe Saez, diretor Espacial da instituição, além de uma delegação de cientistas chilenos, representantes da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Indústria e da Subsecretaria de Defesa do Chile, entre outras autoridades.

“Essa é uma grande conquista que marcará o início de uma nova era no âmbito da informação geoespacial”, disse a ministra de Bens Nacionais do Chile, Javiera Toro, ao jornal La Nación. “[Teremos] à nossa disposição mais, melhores e oportunas informações sobre o território nacional, democratizando informações que antes precisavam ser compradas de outros países.”

Visão em sincronia

Autoridades da FACh e dos ministérios do Conselho de Política Espacial, que implementam o Sistema Nacional Espacial, observaram a operação desde os Estados Unidos e da Base Aérea de Pudahuel, em Santiago, em 12 de junho de 2023. (Foto: Força Aérea do Chile)

“O Chile compartilha com os Estados Unidos uma visão comum em relação ao espaço como uma área estratégica e um fator fundamental para o desenvolvimento nacional, disse a FACh à Diálogo, em um comunicado. “O Chile não conseguirá ser um país desenvolvido sem o uso do espaço como um recurso. O desafio é incorporar a variável espacial à equação do desenvolvimento nacional.”

“A contribuição dos EUA aos planos espaciais do Chile tem a ver com o acesso à tecnologia e a melhoria dos sistemas de comunicação e fotografia”, disse Holzmann.

O FASat-Delta é o primeiro dos 10 satélites que comporão a constelação do SNSat e permitirá complementar o trabalho do FASat-Charlie, atualmente em órbita. Além disso, é um dos três minissatélites de 100 quilos com uma câmera multiespectral, representando uma mudança significativa na tecnologia, pois incorpora o dobro da resolução do FASat-Charlie.

“Com o lançamento desse satélite e a cooperação com os Estados Unidos, há claramente um avanço importante que significa um salto tecnológico relevante para a FACh em termos de monitoramento, capacidade de processamento e download de imagens”, disse Holzmann. “Também aumenta a capacidade de gerar cooperação de informações com os países aliados do Chile nas áreas de tecnologia, alimentação, agricultura, oceanografia e em termos de defesa, o que é fundamental, considerando as capacidades que a China instalou em órbitas próximas às nossas e que são monitoradas desde a Argentina.”

A Política Nacional Espacial do Chile, que é coordenada pelos ministérios de Ciências, Defesa, Bens Nacionais, Transporte e Telecomunicações, juntamente com a FACh, prevê a rápida construção de três estações espaciais nacionais nas regiões de Antofagasta, Metropolitana e Magallanes – zona norte, centro e sul do Chile, respectivamente –, que farão o download de dados e imagens dos satélites. Com a análise humana e de inteligência artificial, contabilizarão o que foi capturado.

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