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Capitão de Mar e Guerra britânico fala sobre seu papel no programa Conselheiro Militar de Nações Parceiras do SOUTHCOM

Capitão de Mar e Guerra britânico fala sobre seu papel no programa Conselheiro Militar de Nações Parceiras do SOUTHCOM

Por Steven McLoud/Diálogo
abril 26, 2021

O Capitão de Mar e Guerra da Marinha Real Britânica Stephen Anderson é um dos 11 conselheiros militares estrangeiros integrados ao Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), como parte do programa Conselheiro Militar de Nações Parceiras (PNMA, em inglês). Esse programa visa fortalecer as parcerias, aumentando o entendimento do SOUTHCOM sobre a região através das perspectivas desses conselheiros.

Natural de Glasgow, Escócia, o CMG Anderson entrou para a Marinha Real em 1998 como aviador. Chegou ao SOUTHCOM em julho de 2020 para cumprir uma missão de três anos.

Diálogo: Qual a importância para o Reino Unido da participação no PNMA do SOUTHCOM?

Capitão de Mar e Guerra da Marinha Real Britânica Stephen Anderson: Para o Reino Unido, é como qualquer oficial de intercâmbio ou integrado que temos em todo o mundo, e sua importância estratégica é vital. Isso remonta ao fato de que, em última análise, os Estados Unidos continuam sendo nosso parceiro e aliado estratégico mais importante. Não se pode negar que os Estados Unidos são, em última instância, um dos nossos maiores parceiros comerciais bilaterais. Ao termos um oficial de ligação de uma nação parceira aqui, garantimos que estamos alinhados e que continuaremos com esse alinhamento onde for apropriado, no hemisfério ocidental e na área de responsabilidade (AOR, em inglês) do SOUTHCOM.

Diálogo: O SOUTHCOM tem atualmente 11 oficiais no programa de conselheiros militares. Há outros oficiais do Reino Unido nesta região?

O Capitão de Mar e Guerra da Marinha Real Britânica Stephen Anderson, a bordo do destroier HMS Manchester, em 2001, quando ele visitou a região pela primeira vez em apoio às operações da JIATF-Sul. (Foto: Capitão de Mar e Guerra da Marinha Real Britânica Stephen Anderson)

CMG Anderson: Na AOR do SOUTHCOM, temos um comandante da Marinha na JIATF-Sul [Força-Tarefa Conjunta Interagencial Sul]. Ele atua como oficial de ligação do Reino Unido e tem o acesso que se espera nessa função. E então, se ampliamos o fato desde uma perspectiva militar, temos uma série de adidos de defesa, adidos militares em cada uma das principais capitais. Em alguns desses países, na Argentina, por exemplo, temos um adido de defesa em Buenos Aires, mas ele também cobre o Uruguai como conselheiro não residente, e o mesmo acontece com a Colômbia, em Bogotá, mas cobrindo outros países. Temos cerca de seis adidos de defesa. Considerando o restante do hemisfério ocidental, temos um oficial de ligação do Reino Unido no NORTHCOM. Temos também um coronel da Marinha Real lá para garantir que teremos as pessoas certas nos lugares certos, para que participem e trabalhem juntas onde for apropriado.

Diálogo: O Reino Unido compartilha as mesmas ideias dos EUA sobre a Rússia e a China como agentes malignos nesse hemisfério?

CMG Anderson: Acredito que sim. Geograficamente estamos fora da AOR, mas nossos interesses estão muito alinhados. Quando olhamos para o Reino Unido e os Estados Unidos em particular, não apenas temos acordos bilaterais muito fortes, mas temos também acordos multilaterais mais amplos. Assim sendo, podemos estender isso à rede Cinco Olhos, que nos permite compartilhar informações e inteligência em níveis adequados. Então, mais amplamente, podemos ver a OTAN, podemos ver uma diversidade de outros fóruns onde trabalhamos juntos, para garantir que nossos interesses coletivos sejam abordados. Assim sendo, como parceiro e aliado chave da Cinco Olhos, esse é um dos reais benefícios de estarmos estabelecidos aqui. Mas também temos a importância da história. Se olharmos para a história do Reino Unido e do Caribe e da América Latina, retrocedemos centenas de anos e alguém poderia argumentar que isso é bom, mau ou não faz diferença. Da perspectiva do Reino Unido, temos uma série de territórios e dependências no exterior. O Reino Unido é responsável por alguns desses elementos, embora alguns sejam autogovernados e tenham vínculos com o Reino Unido. Somos responsáveis pela segurança e pela estabilidade. Então, [temos que analisar] se são territórios do exterior no Caribe que precisam de assistência humanitária, ajuda em casos de desastres e envio de unidades, embarcações, aeronaves e demais elementos para prontidão, ou se é necessário proporcionar segurança, treinamento e outros aspectos sob uma perspectiva militar. É por isso que estar no SOUTHCOM, com tudo ao sul de nós, cada vez mais perto dessa vizinhança, é vital para nós e para o Reino Unido. Trata-se de compartilhar informação e apoiarmos uns aos outros, trabalhando junto com os nossos colegas conselheiros militares das nações parceiras e garantindo que nossos vínculos permaneçam tão fortes como sempre.

Diálogo: Quais são seus objetivos como representante de seu país no SOUTHCOM?

CMG Anderson: Do ponto de vista do Reino Unido, os temas de segurança em relação à China, à Rússia, ao Irã e outros são uma fonte aberta. Não há nada ali que não esteja disponível ao público em geral. Pelas lentes do Reino Unido, onde a maior parte de nosso foco está no norte e no leste, o que começamos a ver é o ressurgimento de alguns desses agentes estatais externos se aproveitando da situação na América Latina e no Caribe para seu próprio benefício. Isso é óbvio. Resumindo, as questões de segurança e estabilidade que se apresentam a nós por alguns desses agentes externos são claras. O Almirante de Esquadra [da Marinha dos EUA] Craig S. Faller, [comandante do SOUTHCOM], que acaba de dar seu depoimento, [disse que essa é] a maior ameaça à segurança do século XXI, na sua opinião. Estamos vendo isso também globalmente a partir do Reino Unido, e as avaliações integradas recentemente divulgadas colocam isso na frente e no centro da questão.

Diálogo: Quais as lições aprendidas que o senhor espera levar para seu país, depois de completar sua missão no SOUTHCOM?

CMG Anderson: O que aprendemos a partir da experiência é que cada dia é dia de aula, e estamos aprendendo todos os dias. Temos que levar para casa essas lições que aprendemos aqui e tentar olhar para fora e ignorar esse tipo de sinais onde nosso caminho individual é o mais importante, vendo as questões e problemas holisticamente, detectando onde estão os pontos fortes e as fraquezas, mantendo nossos objetivos… Trata-se de tentar causar um impacto de longo prazo.

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