América do Sul reforça fiscalização nas fronteiras por questões sanitárias e práticas de ilícitos

América do Sul reforça fiscalização nas fronteiras por questões sanitárias e práticas de ilícitos

Por Andréa Barretto/Diálogo
junho 09, 2020

O Brasil apresenta o maior número de infectados por coronavírus em toda a América do Sul que, em números absolutos, chega a ser quase quatro vezes maior em relação ao segundo país mais afetado, o Peru. Para evitar que as fronteiras sejam caminhos para o aumento da contaminação, nações que fazem limite com o Brasil estão buscando medidas conjuntas para enfrentar a pandemia.

Esse é o caso de iniciativas entre autoridades brasileiras e colombianas que acordaram, no dia 15 de maio, em fortalecer a presença militar em cada lado da fronteira, que fica em região amazônica. Tanto na zona brasileira quanto na colombiana, os estados amazônicos estão entre aqueles com as mais altas taxas de infecção por coronavírus.

Com isso, a Colômbia mobilizou mais militares para a fronteira terrestre com o Brasil, que já estava fechada desde 17 de março. “Tomamos a decisão de militarizar todos os pontos de fronteira e exercer o respectivo controle para evitar a chegada de casos com a população flutuante”, afirmou o presidente colombiano Iván Duque.

As autoridades brasileiras e colombianas formarão um grupo especial de atenção à questão da COVID-19 nessa parte da Amazônia, com monitoramento diário e troca de informações, a fim de que as ações desenvolvidas por cada um dos países sejam respeitadas pelo outro.

Fechamento entre Brasil e Paraguai

O presidente paraguaio Mario Abdo Benítez anunciou, em 21 de maio, que vai manter as restrições de circulação de pessoas da zona limítrofe entre Brasil e Paraguai para evitar a propagação do novo coronavírus entre os paraguaios. A medida é por tempo indeterminado. O governo mantém soldados em diferentes pontos da fronteira e cercas de arame foram erguidas na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, que forma uma conurbação com o município brasileiro de Ponta Porã.

As fronteiras aquáticas também estão sendo monitoradas pela Marinha do Brasil e do Paraguai, com o emprego de embarcações e de uma aeronave. Ambas as nações acordaram em não compartilhar o rio Paraná, comum aos dois países, enquanto perdurar a pandemia. Dessa forma, os pescadores de cada nacionalidade são orientados a não ultrapassar os respectivos limites fronteiriços.

Brasil-Paraguai-Argentina

Do lado brasileiro, o patrulhamento foi intensificado na tríplice fronteira Brasil-Paraguai-Argentina, não apenas com o objetivo sanitário de controlar os casos de COVID-19, como também de inibir a prática de ilícitos. Os militares estão fazendo o bloqueio de algumas estradas e revistando pessoas, veículos de passeio e veículos de carga. A coordenação da operação é da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro.

As fronteiras entre Argentina e Brasil estão fechadas desde 15 de março. No momento, não há previsão de reabertura tanto pela Argentina como pelo Brasil.

Argentina e Paraguai mantêm, no entanto, o trânsito de caminhões com mercadorias vindas do Brasil. Na Argentina, os motoristas são obrigados a seguir por um corredor rodoviário onde há pontos específicos de parada para abastecimento e refeição. Já no Paraguai, os caminhoneiros não têm permissão para dormir fora do veículo, caso não consigam entregar a mercadoria no mesmo dia.

Brasil e Uruguai

A cidade uruguaia fronteiriça de Rivera, que faz divisa com o Brasil, é um dos pontos de bloqueio criados pelo governo do Uruguai, a fim de conter a circulação de pessoas em toda a zona de vizinhança entre esse país e o Brasil.

Militares e agentes sanitários uruguaios estão trabalhando juntos para auferir a temperatura dos cidadãos e aplicar testes de identificação do coronavírus. Segundo anunciado no dia 25 de maio pelo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, está em tratativa com o Brasil um acordo binacional de emergência sanitária.

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