Como oficial responsável pelo planejamento e pela execução do PANAMAX 2026, o Comissário do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá (SENAN), Luis Rodríguez, desempenha um papel fundamental na coordenação do exercício, em conjunto com as instituições panamenhas e os países participantes. Com experiência na condução de operações e na coordenação de iniciativas de segurança, o Comissário Rodríguez supervisiona os esforços para integrar capacidades nacionais e internacionais em um dos exercícios multinacionais mais importantes do hemisfério.
Nesta entrevista ao Diálogo, o Comissário Rodríguez explica como o Panamá define as prioridades do exercício, desenvolve os cenários de treinamento e fortalece a coordenação interinstitucional para proteger o Canal do Panamá e outras infraestruturas críticas.
Diálogo: Do ponto de vista do planejamento, quais são os principais objetivos que orientam o PANAMAX 2026?
Comissário do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá (SENAN), Luis Rodríguez, oficial responsável pelo planejamento e execução do PANAMAX 2026: Os exercícios multinacionais PANAMAX têm representado uma ferramenta estratégica para fortalecer a segurança do Canal e a cooperação internacional. A participação ativa do nosso país tem contribuído para o desenvolvimento de capacidades interinstitucionais, o aprimoramento da interoperabilidade e a consolidação de mecanismos de resposta a ameaças que possam afetar a segurança regional e o comércio mundial.
Entre os principais objetivos, destacam-se: proteger e defender o Canal do Panamá; fortalecer a cooperação internacional; aprimorar a interoperabilidade entre forças multinacionais; garantir a segurança do comércio marítimo mundial; simular ameaças à infraestrutura crítica; coordenar respostas a crises regionais; integrar órgãos civis e militares e fortalecer a segurança marítima e aérea.
Diálogo: O PANAMAX costuma ser analisado sob o aspecto operacional, mas raramente se fala do processo de planejamento. Qual é o principal objetivo da coordenação por trás de um exercício dessa magnitude?
Comissário Rodríguez: O mais importante é alcançar a interoperabilidade entre as forças responsáveis por responder a qualquer ameaça ao Canal do Panamá.
Diálogo: Como o Panamá define as prioridades operacionais do PANAMAX de acordo com suas necessidades de segurança e cooperação regional?
Comissário Rodríguez: O Panamá, como país anfitrião, define as prioridades operacionais de acordo com suas necessidades de segurança e cooperação regional. Além disso, estabelece os objetivos de treinamento para fortalecer as capacidades das instituições participantes. O exercício busca aprimorar a coordenação, a interoperabilidade e a capacidade de resposta diante de ameaças ou emergências. Também organiza o planejamento, as regras de participação e a execução das atividades e, por fim, supervisiona a avaliação dos resultados para garantir o cumprimento dos objetivos estabelecidos.
Diálogo: Como a equipe de planejamento desenvolve os cenários do PANAMAX e como garante que eles reflitam os desafios reais enfrentados pelo Panamá?
Comissário Rodríguez: No exercício multinacional PANAMAX, os cenários são selecionados e desenvolvidos por uma equipe de planejamento composta por integrantes dos órgãos de segurança com experiência em planejamento e elaboração de exercícios. Essa equipe atua sob a supervisão do Centro Nacional de Coordenação de Crises (CNCC), garantindo que as atividades estejam alinhadas aos objetivos estratégicos de proteção e segurança do Canal do Panamá.
Os cenários baseiam-se em ameaças reais, como ameaças assimétricas — incluindo ações de organizações de extrema violência —, sabotagem, abordagens ilícitas, tráfico de pessoas, trânsitos ilegais de armas e explosivos e tomada de reféns que possam afetar o funcionamento do Canal. Dessa forma, o exercício fortalece a coordenação, a interoperabilidade e a capacidade de resposta conjunta das instituições nacionais e internacionais participantes.
Diálogo: Quais são alguns dos maiores desafios na coordenação de forças e instituições multinacionais em um exercício liderado pelo Panamá?
Comissário Rodríguez: Do ponto de vista do planejamento, um dos maiores desafios em um exercício multinacional é coordenar doutrinas, procedimentos e capacidades de diferentes instituições. Também representa um desafio integrar a comunicação, a interoperabilidade e a tomada de decisões entre forças militares, órgãos de segurança e agências civis. O Panamá, como nação anfitriã, trabalha para garantir que todas as entidades participantes operem sob objetivos comuns e uma coordenação eficaz.
Diálogo: O Canal do Panamá continua sendo um dos ativos mais estratégicos do país e uma artéria vital para o comércio global. Como o PANAMAX ajuda o Panamá a fortalecer a preparação e a coordenação para a proteção do Canal e de outras infraestruturas críticas?
Comissário Rodríguez: O exercício PANAMAX permite fortalecer a preparação e a coordenação para a proteção do Canal do Panamá por meio de cenários que simulam ameaças reais, como terrorismo, sabotagem, ataques cibernéticos ou emergências que possam afetar a infraestrutura crítica. O exercício aprimora a capacidade de resposta conjunta, a interoperabilidade e a coordenação entre instituições nacionais e internacionais responsáveis por garantir a segurança do Canal e do comércio global.
Diálogo: O PANAMAX envolve não apenas forças de segurança, mas também órgãos civis e instituições nacionais responsáveis pela infraestrutura crítica e pela coordenação de emergências. Por que essa abordagem interinstitucional é importante para o Panamá?
Comissário Rodríguez: A abordagem interinstitucional é importante para o Panamá porque a proteção de infraestruturas críticas e a resposta a emergências exigem a participação coordenada de múltiplas entidades do Estado. O exercício integra forças de segurança, instituições civis e órgãos de emergência para fortalecer a comunicação, a cooperação e a capacidade de resposta abrangente diante de situações complexas que possam afetar a segurança nacional e o funcionamento do Canal do Panamá.
Diálogo: Como o PANAMAX contribui para fortalecer a coordenação e a confiança entre o Panamá e seus parceiros regionais e internacionais?
Comissário Rodríguez: Além do próprio exercício, o PANAMAX fortalece a coordenação, a confiança e a cooperação entre o Panamá e seus parceiros regionais e internacionais. A iniciativa permite compartilhar experiências, aprimorar procedimentos conjuntos e desenvolver relações estratégicas entre as nações participantes. Isso contribui para ampliar a capacidade de resposta coletiva diante de ameaças comuns e reforça a segurança regional e a proteção de infraestruturas estratégicas.



