Marinhas do Peru e da Bolívia ampliam patrulhamento conjunto no Lago Titicaca

Por Dialogo
mayo 31, 2016




As Marinhas do Peru e da Bolívia conduziram exercícios conjuntos no Lago Titicaca para melhorar suas habilidades em missões de busca e resgate, controle de contaminação e luta contra o crime organizado. As Marinhas realizaram o treinamento entre 16 e 20 de maio, após o planejamento realizado pelo Capitão de Mar e Guerra Marco Sangueza, chefe do IV Distrito Naval-Titicaca da Bolívia, e o Capitão de Fragata peruano Juan José Gonzales, diretor executivo da Capitania do Porto de Puno, durante a sexta reunião anual entre os oficiais, em meados de abril, em Copacabana, na Bolívia.

Durante o treinamento de cinco dias, 40 oficiais das duas Marinhas compartilharam experiências e trabalharam em conjunto na Baía de Puno para melhorar o combate ao crime e aos desastres naturais, especialmente vazamentos de petróleo. Situado a mais de 4.000 metros de altitude, o lago é propenso a inundações e está continuamente em risco de danos causados pela poluição em virtude do intenso trânsito de embarcações. Em novembro, as forças treinarão em conjunto no lado boliviano do lago.

“Os exercícios combinados conjuntos nos permitem continuar falando o mesmo idioma na luta contra as ameaças e problemas comuns, como o narcotráfico, lavagem de dinheiro, contrabando, tráfico de pessoas e recuperação ambiental na zona lacustre que os dois países compartilham”, disse o CF Gonzales a Diálogo
.

O contingente do CF Gonzales usou três barcos de patrulhamento de 40 pés modelo 2012 produzidos pelos Serviços Industriais da Marinha Peruana (SIMA). A força boliviana, liderada pelo Capitão de Mar e Guerra Pablo Valdiviezo Oña, usou o Catamarã TM-422,
tipo Rodman 53, e
duas lanchas de patrulhamento Karachi
da Marinha Boliviana para navegar em ondas que podem atingir até quatro metros de altura.

Acordo de cooperação


Em 23 de junho de 2015, Peru e Bolívia assinaram a Declaração Isla Estevez, que lhes permite trabalhar em conjunto no combate ao narcotráfico e o contrabando na fronteira comum. No início do ano, militares bolivianos e peruanos participaram de um exercício conjunto em que treinaram dentro e fora da sala de aula em preparação para a sessão de maio.

A primeira parte do treinamento de maio, realizada no dia 17, concentrou-se no controle da poluição. Os militares implementaram um plano de contingência para cinco vazamentos simulados, já que a poluição do lado é uma grande preocupação para os moradores que dependem dessas águas. “Temos quase 5.000 embarcações no Lago Titicaca operando como barcos de turismo e de passageiros”, diz o CF Gonzales. “Cada barco leva combustível a bordo, sobretudo diesel. Em caso de algum incidente de derrame de petróleo, podemos ativar procedimentos para combater e conter qualquer tipo de derrame e recuperar o combustível, que do contrário poderia causar um grande dano ao lago e ao ambiente.”

Nos termos da Declaração Isla Estevez, os governos do Peru e da Bolívia assinaram um acordo interagências para a recuperação ambiental do Lago Titicaca e de sua diversidade “de acordo com uma visão comum”, informou o Ministério de Relações Exteriores da Bolívia.

Em 18 de maio, o treinamento continuou quando oficiais e suboficiais simularam inspeções de rotina de barcos no lago. Os criminosos usam embarcações para transportar drogas, traficar pessoas e contrabandear de um país a outro através do lago, informou El Diario
. O treinamento buscou garantir que todas as normas fossem seguidas, incluindo o modo apropriado de lidar com barcos que se recusam a parar e como lidar com suspeitos detidos. No dia seguinte, as Marinhas fizeram uma missão de busca e resgate simulada, que contou com dois mergulhadores bolivianos, para encontrar um tripulante que havia caído do barco e desaparecido.

Laços mais fortes


Ao final do exercício conjunto, as Marinhas da Bolívia e do Peru organizaram um “almoço de confraternização para promover laços mais fortes de cooperação entre os dois lados”, diz o CF Gonzales. “Cumprimos nosso objetivo primordial: incrementar as comunicações e aperfeiçoar os procedimentos nos exercícios entre as duas Marinhas.”

Desde que o Peru e a Bolívia começaram a trabalhar em conjunto contra o narcotráfico e outros crimes ao longo da fronteira entre os dois países, utilizam um sistema de satélite para detectar navios com drogas no Lago Titicaca, informou Diálogo em 9 de março de 2015.
“É importante que os oficiais estejam atualizados com os novos procedimentos, técnicas e mudanças não apenas no campo operacional, mas também em tecnologia”, diz o CF Gonzales. “Nossa missão é melhorar a segurança nos dois lados da fronteira.”

A operação contínua entre o Peru e a Bolívia está em seu ponto mais alto. As equipes das Marinhas do Peru e da Bolívia alcançaram “um excelente nível de cooperação” em segurança e defesa, diz o CF Gonzales. “O apoio mútuo é permanente; há uma boa disposição para um apoio contínuo e sincero.”

A presença de autoridades nas fronteiras do lago exerceu um impacto positivo na região, com a redução considerável do crime. “Nossa presença no Lago Titicaca é totalmente dissuasiva”, diz o CF Gonzales. “As pessoas já não se dedicam muito às atividades ilegais. Sabem que, se as encontrarmos, não terão uma segunda chance para cometer um crime porque estamos sendo bastante drásticos.”
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