A Venezuela está enfrentando uma crise. O que começou como um Estado falido sob o regime de Nicolás Maduro, se transformou em uma máquina criminosa funcional que ameaça a estabilidade regional. É o que afirma, em entrevista exclusiva para Diálogo, Carlos Sánchez Berzaín, diretor do Instituto Interamericano para a Democracia (IID) e ex-ministro da Defesa da Bolívia, que traça um diagnóstico implacável sobre essa mutação e suas implicações geoestratégicas.
Com base em fatos verificáveis e anos de acompanhamento regional, Sánchez Berzaín afirma que a Venezuela se consolidou como um Estado criminoso, ultrapassando todos os limites do narcoestado, por meio da captura de suas instituições por redes de corrupção e narcotráfico, da cooptação das Forças Armadas e da dependência de economias ilícitas, que hoje sustentam a permanência do regime no poder.
O alcance, adverte, é hemisférico. Maduro projetou um crime transnacional que opera em aliança com cartéis colombianos, grupos armados irregulares, organizações terroristas e atores extrarregionais, como China, Irã, Rússia e Coreia do Norte. Essa estrutura, consolidada na última década, constitui uma ameaça estratégica que transformou a América Latina em um tabuleiro de disputa dominado por redes de governança criminosa, alerta Sánchez Berzaín.
Diálogo: O senhor descreveu o narcoterrorismo, essa aliança entre violência terrorista e economias criminosas do narcotráfico, como a forma mais cruel de agressão contra os povos da América Latina no século XXI. No entanto, essa ameaça não é nova. O que mudou em relação ao narcoterrorismo do século XX e por que o senhor considera que hoje constitui a maior ameaça para a região?
Carlos Sánchez Berzaín, diretor do Instituto Interamericano para a Democracia e ex-ministro da Defesa da Bolívia: Nos anos 1980, vimos o surgimento do narcoterrorismo na América Latina, com grupos guerrilheiros, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o M-19 e o Exército de Libertação Nacional (ELN) na Colômbia, que passaram de ser guerrilhas ideológicas a produtores, protetores e traficantes de drogas. O mesmo ocorreu no Peru, com o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) e o Sendero Luminoso. Esses são os exemplos mais claros do narcoterrorismo do século XX.
E o que caracterizava esse narcoterrorismo? Era um fenômeno localizado. Essas organizações podiam controlar áreas pequenas ou até mesmo extensas, exerciam violência armada, sequestros, assassinatos, mas permaneciam confinadas territorialmente. Apesar de sua capacidade, elas não controlavam nenhum Estado nem qualquer país.
O que mudou no século XXI? O narcoterrorismo deixou de ser um fenômeno localizado e substituiu a política pela atividade criminosa, ocupando a representação de países inteiros, como Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador. Assim, os atores criminosos passaram a operar como sujeitos de direito internacional, com imunidades e privilégios diplomáticos, mas sem deixar de ser estruturas narcoterroristas.
O melhor exemplo é o Cartel dos Sóis. A recente mudança na política externa dos EUA foi precisamente devolvê-lo seu caráter criminoso e retirar-lhe a condição de representante internacional da Venezuela.
E isso teve um enorme impacto na segurança e na estabilidade democrática da região. Em 1994, quando foi realizada a primeira Cúpula das Américas, havia 34 democracias e uma única ditadura, que era Cuba, que além disso estava agonizando. Mas, com a chegada de Chávez em 1999, o século XXI se tornou o período de expansão dessa ditadura, que não só se replica, mas cria narcoestados e redes criminosas que se apresentam como governos legítimos. A partir daí, exercem uma agressão direta contra as democracias da região.
Tudo isso se enquadra em um conceito contemporâneo, que é a guerra híbrida. O narcoterrorismo é uma de suas expressões, juntamente com a migração forçada, a penetração do crime comum, o tráfico de pessoas e até mesmo o financiamento de candidatos que respondem a essas estruturas.
Diálogo: Nesse contexto, a Venezuela tem sido salientada por diversos investigadores e analistas como um hub de cocaína, resultado da estreita relação entre o Estado e as organizações criminosas, consolidando o regime de Nicolás Maduro como um verdadeiro narcoestado ou “Estado criminoso”. Como essa influência se projeta sobre as democracias vizinhas, quais são os mecanismos através dos quais ela corrói ou desestabiliza suas instituições e que riscos isso implica para a segurança regional?
Sánchez Berzaín: O caso venezuelano é, acima de tudo, resultado da expansão da ditadura cubana. A Venezuela é um narcoestado satélite do sistema ditatorial de Cuba, e isso não é uma conjectura, é uma realidade objetiva, ou seja, é um fato verificado e verificável em vários níveis.
Quando Hugo Chávez chega ao poder em 1999, ele vem em auxílio de uma Cuba agonizante que atravessava seu “período especial”. A partir desse momento, forma-se uma espécie de troika, em que Chávez contribuía com o capital proveniente do petróleo e da riqueza venezuelana, enquanto Fidel Castro contribuía com o know-how de um regime que, desde 1959, acumulava décadas de repressão, fuzilamentos, criação de guerrilhas, invasões, proteção a terroristas, sequestro de aviões e vínculos comprovados com o narcotráfico. Cuba foi, de fato, o primeiro narcoestado do hemisfério.
Com Chávez, o século XXI começa sob a narrativa de um suposto “movimento bolivariano”, que na realidade acaba sendo a expansão internacional da ditadura cubana. Paradoxalmente, o melhor que acontece a esse projeto é a morte de Chávez. Enquanto ele vivia, era o líder indiscutível, graças aos recursos que administrava. Essa riqueza financiou mecanismos como Petrocaribe, por meio do qual se garantia o voto dos países do Caribe na Organização dos Estados Americanos e nas Nações Unidas.
Com a mesma estratégia, avançaram sobre a América do Sul: Kirchner, na Argentina; Lugo, no Paraguai; Mujica, no Uruguai; Evo Morales, na Bolívia; Correa, no Equador; Ollanta Humala, no Peru; e uma influência crescente na Colômbia, com Juan Manuel Santos. É o mapa político do socialismo do século XXI.
Dois fatos são fundamentais para entender essa história de 25 anos. Primeiro, a morte de Chávez, que desencadeia uma disputa interna entre o “castrismo venezuelano” – representado por Nicolás Maduro – e o “chavismo venezuelano”, de Diosdado Cabello. Maduro vence. E, a partir desse momento, a Venezuela passa a ser formalmente uma colônia política de Cuba, algo que não havia ocorrido enquanto Chávez liderava o projeto. Basta observar as imagens da época: Castro parecia o assistente de Chávez, não o contrário.
Nesse novo contexto, a Venezuela se torna a plataforma geopolítica e logística de Cuba, aproveitando sua posição geográfica, sua infraestrutura e sua riqueza. A partir daí, constrói-se o hub da cocaína, uma operação transnacional articulada com as FARC, na Colômbia, com o governo de Correa, no Equador, com o regime de Evo Morales, na Bolívia, com a Nicarágua e, certamente, com Cuba.
Há fatos documentados que confirmam isso. Durante o governo de Chávez, e enquanto Evo Morales governava a Bolívia, foi revelado e está publicado na imprensa internacional, que aviões da Força Aérea Boliviana transportavam cocaína diretamente para a pista presidencial de Maiquetía, na Venezuela. Isso foi corroborado por um oficial [da Força Aérea] boliviana, o então Coronel [Marco Antonio] Rocha Venegas, que testemunhou nos Estados Unidos, onde hoje vive sob proteção.
É assim que operam os narcoestados. E é assim que se consolida também o narcoterrorismo, que surge quando o socialismo do século XXI toma o controle de grande parte da região.
Nesse contexto, desenvolvem-se os narcoestados e a estratégia do narcoterrorismo, onde o narcotráfico é concebido como uma arma de agressão. Fidel Castro e Che Guevara já diziam isso desde os anos 1970: o narcotráfico era um instrumento de luta.
Da Guerra Fria, passamos à guerra subversiva, depois à guerra irregular, e hoje à guerra híbrida. E, nesse contexto, os ataques contra as democracias da região, como Colômbia, Equador, Peru e Chile, se materializam com migração forçada, narcotráfico, terrorismo, operações de gangues e o Tren de Aragua.
Hoje, a ameaça ultrapassou todas as fronteiras, com o inimigo já identificado e no contexto de uma guerra híbrida que ressalta Venezuela, Nicarágua e Bolívia como os principais epicentros dessa agressão.
Diálogo: Em que momento a Venezuela deixou de ser um problema de política interna, de preocupação fronteiriça ou regional, para se tornar uma ameaça direta à estabilidade internacional?
Sánchez Berzaín: A Venezuela se torna uma ameaça internacional quando o dinheiro do petróleo começa a não ser suficiente. A Venezuela era um país muito rico, mas a expansão do projeto castro-chavista, que buscava controlar politicamente toda a América Latina, exigia recursos colossais.
Quando as finanças do petróleo já não são suficientes, surge um mecanismo decisivo de corrupção transnacional, por exemplo, o caso Lava Jato. [Lava Jato foi a maior investigação anticorrupção já realizada no Brasil, que trouxe à tona um enorme esquema de subornos e lavagem de dinheiro centrado na petrolífera estatal Petrobras, em empresas construtoras e políticos de alto nível.]
Quando essa via também se esgota, o regime recorre ao caminho mais lucrativo: o narcotráfico, porque não existe negócio que concorra com ele, especialmente quando se opera a partir do próprio governo. E, então, ocorre um fenômeno fundamental: não é que “os narcotraficantes tomaram o poder”, mas sim que aqueles que estavam no poder se tornaram a máfia. Eles se subordinaram ao crime organizado e passaram a liderar esse conglomerado criminoso para sustentar seu projeto político.
Isso ocorre porque a expansão do socialismo do século XXI exigia cada vez mais dinheiro, não apenas para financiar Petrocaribe, mas também para operações gigantescas, como sustentar várias campanhas [políticas]. Era um projeto transcontinental que precisava de recursos ilimitados.
No fundo, a expansão do narcoterrorismo tem uma lógica, que não é outra senão enfraquecer democracias, atacar lideranças democráticas, destruir sistemas partidários e, ao mesmo tempo, financiar a ascensão de seus próprios líderes. Quando o dinheiro legal deixa de ser suficiente, o narcotráfico se torna a principal fonte.
A Venezuela já era um narcoestado sob Chávez, mas o ponto de ruptura chega com sua morte. Quando Cuba assume a liderança total do projeto, o narcotráfico se aprofunda, torna-se sistematizado e institucionalizado. Esse é o momento em que a Venezuela deixa definitivamente de ser uma questão interna, para se tornar uma ameaça global.
Diálogo: A Venezuela criou precedentes alarmantes, ao facilitar passaportes e documentos de identidade a agentes extrarregionais, criando canais de lavagem de identidade e mobilidade encoberta. Que padrões de facilitação criminosa estão sendo replicados na região a partir do modelo venezuelano e que riscos gera o fato de os Estados latino-americanos se tornarem centros de trânsito para operações desse tipo?
Sánchez Berzaín: Isso não é novidade. Cuba fez exatamente o mesmo nas décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990. O que hoje parece novidade na Venezuela, não é mais do que a réplica aberta – e já institucionalizada – de uma prática histórica do castrismo.
Durante décadas, Cuba foi um centro de refúgio para terroristas e fugitivos internacionais. Nos anos 1980 e 1990, um passaporte cubano podia “converter” a identidade de qualquer pessoa, e a ilha cobrava para proteger criminosos. A Venezuela não inventa isso: ela reproduz, porque Cuba ordena. Desde que Maduro chegou ao poder, ele age como um fantoche do regime cubano e, por isso, todas as práticas criminosas históricas de Cuba – redes de identificação falsa, proteção a terroristas, lavagem de identidade – aparecem agora como “criação venezuelana”, embora não o sejam.
A história é clara. Quem protegeu, no século XXI, as guerrilhas narcoterroristas colombianas? Cuba. Onde foi assinado o acordo entre as FARC e o governo colombiano, depois que o povo rejeitou o pacto no plebiscito? Em Havana. O que ocorre com a Venezuela é simplesmente uma transferência do eixo criminoso: o hub passa de Cuba para a Venezuela, onde se torna mais visível, porque a Venezuela é um país grande, estrategicamente localizado, rico e com peso internacional.
Esse padrão não se repete apenas na Venezuela: ele se expande para Bolívia, Nicarágua e outros regimes do mesmo bloco. Na Bolívia, iranianos são “reidentificados” [identificados novamente], narcotraficantes são protegidos e documentos são concedidos com absoluta discricionariedade. Há casos documentados: um dos filhos de Chapo Guzmán sofreu um acidente em Santa Cruz, enquanto recebia treinamento para ser piloto civil. No ano passado [2024], eclodiu um escândalo, quando se descobriu que um traficante de drogas – Masset, ainda foragido – morava em Santa Cruz, tinha um time de futebol e compartilhava atividades com altos funcionários do governo. Quando a imprensa expôs o caso, as autoridades facilitaram sua fuga.
Pouco depois, apareceu em Santa Cruz o segundo homem do Comando Vermelho, o segundo grupo narcoterrorista mais poderoso do Brasil. E, na Argentina, a ministra Patricia Bullrich denunciou a chegada de iranianos com passaportes bolivianos, que nem sequer falavam espanhol. É um sistema completo: documentos falsificados, proteção criminosa, mobilidade dissimulada e redes transnacionais, que circulam com aparência de legalidade.
Qual é o maior risco? Que o poder político seja suplantado pelo crime organizado. Esse é o cerne do problema. O que se prevê? Que este ano o Cartel dos Sóis perca a capacidade de subjugar o povo venezuelano e que isso desencadeie a queda dos outros centros ainda ativos: Cuba e Nicarágua. A Bolívia está em processo de desmantelamento, mas precisa de apoio.
Quando essas quatro ditaduras narcoterroristas desaparecerem como “sujeitos de direito internacional”, cairá também a estrutura que lhes dá poder, e me refiro às imunidades diplomáticas, embaixadas convertidas em centros de conspiração, espionagem e proteção criminosa. As embaixadas de Cuba sempre foram assim; agora também são as da Venezuela e da Nicarágua. Diante disso, como pode defender-se uma democracia, se deve reconhecer privilégios diplomáticos àqueles que a estão atacando?
O exemplo é claro: na época de Correa, o Equador protagonizou o caso da “narco-maleta”, uma maleta diplomática enviada a Londres com cocaína. Esse é o nível de penetração criminosa que se institucionalizou sob esse modelo.
Diálogo: Dado o nível sem precedentes de coordenação entre os atores estatais criminosos e o crime transnacional, este ano vimos um aumento nas designações de terroristas contra organizações criminosas transnacionais, desde cartéis mexicanos, até o Tren de Aragua e o Cartel dos Sóis. Isso marca um verdadeiro ponto de inflexão no confronto entre os Estados criminosos e a arquitetura democrática e de segurança da região. Quais são as implicações práticas dessa mudança?
Sánchez Berzaín: O verdadeiro ponto de inflexão não está nas designações, mas na mudança da política externa norte-americana, que produz uma mudança na geopolítica, que é a política aplicada ao território das Américas. Os Estados Unidos estão reorganizando o mapa regional com países como Argentina, Peru, Paraguai, Uruguai, Panamá, Costa Rica, República Dominicana e até mesmo Bolívia, alinhando-se a essa estratégia. Embora outros permaneçam à margem, a mudança geopolítica já está em andamento.
E as consequências são evidentes, com operações antinarcóticos simultâneas. Estamos diante de um dilema inevitável: ou os governos protegem o narcoterrorismo, ou cumprem seu dever básico de fazer cumprir a lei.
Essa é a primeira mudança, a reconfiguração geopolítica do hemisfério. A segunda é a recuperação dos pilares democráticos. Isso implica restaurar as liberdades e os direitos hoje violados pelo narcoterrorismo; reconstruir o Estado de Direito demolido por leis infames destinadas a proteger as máfias; recuperar a independência judicial e garantir a livre organização política, de modo que as estruturas criminosas não possam se tornar partidos ou instrumentos de poder.
Ao contrário dos anos 1990, quando os narcotraficantes financiavam os políticos, como ocorreu na Colômbia, com o caso Ernesto Samper, hoje os narcotraficantes são o poder. Nicolás Maduro, na Venezuela, Miguel Díaz-Canel, em Cuba, Evo Morales, na Bolívia, e Daniel Ortega e Rosario Murillo, na Nicarágua, não são infiltrados, são chefes de estruturas narcoterroristas. O sonho de Pablo Escobar se tornou realidade, pois já não falamos de políticos contaminados, mas de Estados capturados pelo crime.
As designações, nesse sentido, são apenas a superfície de uma mudança muito mais profunda. Pela primeira vez em muitos anos, a região identificou claramente o adversário, e esse adversário é o narcoterrorismo, com o regime de Maduro como seu eixo operacional.
Agora, o que importa não é a retórica, mas os resultados. E estes já começam a ser visíveis. O caso mais evidente é o Chile, onde, após o assassinato do 1º Tenente venezuelano Ronald Ojeda Moreno, opositor do regime de Nicolás Maduro, pelas mãos do Tren de Aragua, o Estado reagiu com firmeza e adotou uma verdadeira estratégia de combate ao crime organizado transnacional. No final, o decisivo será medir as ações, não apenas as nomeações.
Diálogo: O Caribe costuma ficar à margem do debate, mas é uma zona estratégica para as redes criminosas transnacionais. O Caribe tornou-se um espelho do avanço do crime organizado vinculado a esses regimes? Quais são os sinais mais evidentes de que a região está absorvendo as consequências dessa criminalização da política?
Sánchez Berzaín: O Caribe é, na verdade, um reflexo direto do que ocorre no continente. Se a América Central ou a América do Sul pegam um resfriado, o Caribe pega pneumonia. Essa é a magnitude do impacto. Hoje, a região experimenta de forma imediata as consequências de um ecossistema criminoso transnacional.
A chave para reverter essa tendência é retirar o crime organizado do poder político e devolvê-lo ao âmbito que lhe corresponde, que não é outro senão o da aplicação da lei. Quando o crime deixa de estar incrustado nas estruturas governamentais, nenhum Estado fica subordinado a essas máfias e a aplicação da lei se torna possível e eficaz.
Esse era o cenário da década de 1990, um narcoterrorismo pontual, identificável e passível de ataque a partir do marco legal. Hoje, em contrapartida, a lei esbarra em obstáculos, como as “imunidades diplomáticas”, que protegem os operadores criminosos.
A verdade é que o Caribe e todo o hemisfério estarão em melhor posição quando o crime abandonar a política. Hoje, organizações como o Tren de Aragua operam sob a proteção dos governos de Cuba, Venezuela e Nicarágua. Um membro do Tren de Aragua que busca refúgio pode recorrer a uma embaixada cubana, venezuelana ou nicaraguense.
Quando o crime voltar à sua verdadeira dimensão, que é a criminal, e deixar de ser protegido por estruturas estatais, a aplicação da lei deixará de ser uma batalha impossível e recuperará sua eficácia. Esse é o caminho a ser seguido.
PARTE II
Na segunda parte desta entrevista, Carlos Sánchez Berzaín examina como a Venezuela, juntamente com outros regimes aliados, se tornou um cenário central da guerra híbrida global. Desde a penetração operacional do Irã e suas redes terroristas, até a influência estratégica da China e da Rússia em infraestrutura, tecnologia e recursos críticos, a região, alerta Sánchez Berzaín, é hoje um nó estratégico de desestabilização transnacional.



