A Marinha Nacional do Uruguai recebeu três barcos de patrulha costeira da classe Protector, transferidos pelo governo dos EUA. A cerimônia de entrega foi realizada na Base de Guarda-Costas de Baltimore, Estados Unidos, em 1º de setembro, e os guarda-costas chegarão à Base Naval TN Carlos Macchitelli, em Montevidéu, no início de novembro, para que sejam incorporados ao Comando das Forças do Mar, disse a Marinha do Uruguai em um comunicado.
“Essas embarcações significam ter a capacidade de controlar, que é vigiar, presença, […] e capacidade de resposta […] em tempo e forma”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra Marco Saralegui, chefe de Gabinete do Comando Geral da Marinha do Uruguai, em 22 de setembro. “Esta capacidade estava bastante reduzida e as embarcações aumentam esta habilidade.”
As embarcações foram nomeadas ROU 14 Río Arapey, ROU 15 Río de la Plata e ROU 16 Río Yaguaron. Dois dos barcos de patrulha servirão na Base Naval de Fray Bentos, sobre o rio Uruguai, e o outro em Montevidéu, de acordo com o site Pucará Defensa. A doação foi feita por meio do programa de Subsídios de Artigos de Defesa Excedentes, no valor de US$ 8,7 milhões, relatou o portal do jornal uruguaio El País.
Os navios ajudarão a manter a segurança do país através de patrulhas, controle de águas jurisdicionais, detecção de contrabando, tráfico de drogas e de pessoas, busca e resgate, assistência em exercícios internacionais, operações fluviais com países da região e apoio a emergências, acrescentou o CMG Saralegui.
Os navios Protector, de 27 metros, têm um alcance de 1.700 quilômetros e uma velocidade máxima de 46 km por hora. Eles servem os Estados Unidos em missões de segurança nacional, indicou pela internet a Embaixada dos EUA no Uruguai.
Cada navio incluirá uma lancha inflável de casco rígido, que pode ser lançada da popa utilizando um sistema inovador de lançamento e recuperação, permitindo que as tripulações interceptem, inspecionem e/ou abordem rapidamente outras embarcações enquanto patrulham, sem parar.
Posição-chave

Devido à sua localização, o Uruguai tornou-se um atraente país de trânsito para a cocaína que se trafica da Colômbia e do Peru para os mercados internacionais, de acordo com uma reportagem da InSight Crime, a organização jornalística de investigação especializada no crime organizado na América Latina e no Caribe. Desde 2021, o país tem experimentado um pico na atividade do crime organizado.
“Estamos conscientes de que há movimentos através de nossa hidrovia, onde o Uruguai tem uma posição-chave de entrada e saída através de todo o continente americano”, comentou o CMG Saralegui. “Sem dúvida, as embarcações [doadas] contribuirão de maneira muito importante para aumentar nossa capacidade de controle dessa hidrovia.”
Quando as taxas de apreensão chegam a 20 por cento, os traficantes de drogas mudam de rota e de país, levando a uma segunda onda de portos alternativos aos habituais, incluindo o porto uruguaio de Montevidéu, de acordo com a plataforma argentina Urgente 24.
Um fenômeno como o crime organizado e o narcotráfico, devido à sua natureza transnacional, não pode ser abordado através da miopia de um único Estado. Cada vez é maior a evidência na busca de soluções que requerem coordenação e cooperação regional e internacional, diz o relatório Crime e narcotráfico, uma análise exploratória do caso Uruguai, da Universidade Católica do Uruguai.
Forças amigas
Washington e Montevidéu têm trabalhado por mais de 75 anos para melhorar a segurança global e de suas fronteiras. Assim, a doação das embarcações Protector se soma a quatro outros barcos tipo Metal Shark doados pelos EUA em 2019 e 2015 para tarefas de aplicação da lei.
“A relação entre as marinhas dos EUA e do Uruguai é uma relação histórica de países aliados, que têm valores similares. Somos forças amigas […]”, disse o CMG Saralegui. “O país […] tem que se profissionalizar com sistemas mais modernos, sistemas eletrônicos. A Guarda Costeira dos EUA tem nos dado muito apoio na incorporação dessas capacidades”, acrescentou.
“No Uruguai, você encontrará uma Marinha e um país que busca o bem-estar de sua população e valoriza muitíssimo a colaboração e a coordenação internacional para alcançar esses objetivos”, concluiu o CMG Saralegui. “Uma Marinha que está sempre em conversações com a Marinha dos EUA para colaborar de várias maneiras.”


