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Uma 2º Tenente do corpo de engenheiros se destaca nos trabalhos de assistência durante desastres na Guatemala

Uma 2º Tenente do corpo de engenheiros se destaca nos trabalhos de assistência durante desastres na Guatemala

Por Marcos Ommati/Diálogo
março 01, 2021

Durante as comemorações da independência em Quetzaltenango, Guatemala, a pequena Wendy observava os alunos do Instituto Adolfo V. Hall de Occidente (uma escola militar de nível secundário), que vestiam seus uniformes de gala e desfilavam com grande disciplina. Desde então nasceu nela o interesse pela vida militar. Ao acompanhar seu pai à Cidade da Guatemala em suas viagens de trabalho, ela via as instalações do Comando do Corpo de Engenheiros do Exército “Teniente Coronel de Ingenieros e Ingeniero Francisco Vela Arango”, e sonhava em ingressar e conhecer os militares que estavam trabalhando. Passaram-se os anos e a menina conseguiu realizar seu sonho: primeiro como aluna do Instituto Adolfo V. Hall de Occidente e depois entrou para a centenária Escola Politécnica, sua alma mater militar. Hoje a pequena é 2º Tenente do Corpo de Engenheiros do Exército da Guatemala Wendy Audrey Saquic Melecio, em serviço ativo no Corpo de Engenheiros do Exército “Teniente Coronel de Ingenieros e Ingeniero Francisco Vela Arango”. Diálogo conversou com a 2º Ten Saquic, que participou dos esforços de assistência após os furacões Eta e Iota na Guatemala.

Diálogo: Qual a participação de uma engenheira no esforço de assistência após o furacão?

2º Tenente do Corpo de Engenheiros do Exército da Guatemala Wendy Audrey Saquic Melecio: É uma grande responsabilidade apoiar os esforços após desastres naturais, porque um oficial é nomeado com a equipe e o maquinário, dependendo do desastre natural e do tipo de apoio que se requer. Nas tempestades Eta e Yota nós proporcionamos apoio com maquinário pesado. Então mobilizamos um comboio com um carregador frontal, um minicarregador, uma retroescavadeira e um caminhão basculante.

Diálogo: Em quais áreas do país vocês estiveram?

2º Ten Saquic: Trabalhamos [no quilômetro] 153 da Aldeia Pasmolón, Tactic de Alta Verapaz, porque houve um deslizamento de terra na estrada principal. Então tivemos que remover a terra com o comboio, com a retroescavadeira e com o carregador frontal. Temos maquinário em toda a República da Guatemala. Temos 17 comboios destacados.

Diálogo: Como a senhora se sente exercendo duas profissões onde tradicionalmente há mais homens do que mulheres na América Latina, como a carreira militar e a de engenharia?

2º Ten Saquic: É uma sensação gratificante; na verdade, é todo um orgulho. Temos orgulho como mulheres, porque já quebramos muitos paradigmas, pois não é só o homem que pode sobressair. É um papel muito importante que desempenhamos e exige muita responsabilidade e vocação de serviço. Você realmente quer servir o seu país sem se importar com o que dizem os demais. Afinal, lutamos por nossos sonhos e, como ocorre no meu caso, sou a única militar da família. Meus pais, meus tios, meus primos pensaram: “ela não conseguirá”, ou “por ser mulher”, mas isso não ocorreu. Graças a Deus, tenho a patente de 2º tenente, estudei na Escola Politécnica e terminei meus quatro anos, obtendo a patente de 2º tenente do Corpo de Engenheiros.

Diálogo: Por que a presença de mulheres é importante nos esforços de assistência diante de desastres, como em relação aos furacões Iota e Eta?

2º Ten Saquic: Porque nós, mulheres, somos ordenadas, temos características muito específicas, e nos entendemos muito bem com o povo guatemalteco. É uma grande satisfação pessoal. Apesar de os trabalhos serem cansativos, eu me sinto feliz e tenho vontade de continuar apoiando meu país em qualquer tipo de desastre natural.

Diálogo: Como a senhora se sentiu participando de uma missão ainda mais complicada devido à pandemia?

2º Ten Saquic: Estamos capacitados para oferecer apoio imediato aos que mais necessitem em casos de desastres naturais e calamidades públicas. Foi essencial cumprir estritamente os protocolos recomendados pelo Ministério da Saúde Pública e Assistência Social. Além disso, continuamos desempenhando nossas funções dentro do nosso cargo, para evitar a propagação da COVID-19.

Diálogo: Que talentos especiais as mulheres das Forças Armadas podem oferecer, principalmente durante os esforços de assistência em desastres?

2º Ten Saquic: São vários os talentos necessários. Como mulheres, representamos o amor materno que traz segurança, confiança e proteção, pois há diferentes áreas de atuação do pessoal feminino como, por exemplo, o apoio aéreo, a ajuda humanitária, os primeiros socorros e a distribuição de mantimentos, entre outras.

Diálogo: Que talentos são necessários para ter sucesso no âmbito militar, independentemente do gênero?

2º Ten Saquic: É preciso ter a formação propiciada pelas Forças Armadas, integrada com o compromisso pessoal, a vocação de serviço, o trabalho em equipe e a capacidade de tomar decisões, sobretudo em condições de emergência e sob pressão.

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