ONU pode utilizar aeronaves da FAB em missões de paz

The UN May Deploy Brazilian Air Force Aircraft on Peacekeeping Missions

Por Taciana Moury/Diálogo
julho 13, 2017

As aeronaves C-105 Amazonas, H-60 Black Hawk e A-29 Super Tucano da Força Aérea Brasileira (FAB) poderão ser utilizadas nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). Os representantes da instituição vieram ao Brasil e, em visita a unidades aéreas da FAB, verificaram as condições dos meios e elevaram o país ao nível dois do Sistema de Capacidades de Prontidão de Manutenção da Paz da ONU (UNPCRS, por sua sigla em inglês). No entanto, para iniciar de fato as operações, é preciso atingir o nível quatro, o que pode ocorrer ainda em 2017. “No momento do convite da ONU para operar em determinada missão e ao iniciarmos a confecção dos contratos, seremos elevados ao nível 3”, disse o Coronel Aviador Gerson Cavalcanti de Oliveira, chefe da Seção de Sistemas de Cooperação Internacional do Estado-Maior da Aeronáutica. O Cel Cavalcanti também mencionou que a expectativa é de que o convite da ONU seja feito no segundo semestre deste ano. “Apenas após a assinatura dos contratos é que o país é elevado ao nível quatro e terá 90 dias para empregar seus meios na missão acordada”, disse. Mas, até a operação propriamente dita dos meios aéreos, o processo é longo. “Após a visita, a ONU encaminha um pedido ao Ministério de Relações Exteriores (MRE) sobre a intenção de utilizar meios aéreos brasileiros em determinada missão. O MRE faz a análise e, caso concorde, envia a consulta informal ao Ministério da Defesa (MD) para análise da conjuntura operacional”, acrescentou. O Cel Cavalcanti também explicou que, ao ser consultado, o MD remete uma solicitação à FAB para que avalie e emita um parecer ao MRE, incluindo os custos para o emprego. Em seguida, o MRE questiona o Ministério do Planejamento e o Congresso Nacional sobre a existência de recursos. Caso aprovado, o MRE então responde à ONU. A documentação formal, após a votação e aprovação na Câmara, segue para a chancela do presidente da República. “A previsão é de que, com o processo correndo de forma célere, o emprego dessas aeronaves se dê no segundo semestre de 2018”, esclareceu. Unidades aéreas visitadas Foram vistoriadas três unidades aéreas: o 7º/8º GAV (H-60L Black Hawk), 1º/9º GAV (C-105 Amazonas), em Manaus, Amazonas, e o 2º/3º GAV (A-29 Super Tucano), na cidade de Porto Velho, em Rondônia, região norte do Brasil. Participaram da visita, que aconteceu no final de abril, militares do MD, do Centro Conjunto de Operações de Paz no Brasil, do Comando de Preparo e do Estado-Maior da Aeronáutica. O Coronel do Exército do Paquistão Humayun Chohan Zia, líder da comitiva da ONU, afirmou durante a visita, em entrevista à Agência Força Aérea, que o Brasil tem grande possibilidade de empregar meios aéreos na África e em outras missões. “O Brasil tem oferecido considerável contribuição às Nações Unidas, como o apoio ao Haiti (na MINUSTAH), e também grandes representações individuais em inúmeras missões, como staff e observadores”, destacou. O Cel Cavalcanti explicou que o critério de escolha das unidades aéreas a serem vistoriadas pela comitiva foi o de proximidade entre elas, a fim de facilitar a inspeção. “Isso não quer dizer que as aeronaves utilizadas serão provenientes apenas dos esquadrões visitados. Tanto as aeronaves quanto as tripulações poderão ser deslocadas de quaisquer unidades da FAB que operam aqueles equipamentos.” Aeronaves Uma das aeronaves disponibilizadas pela FAB para atuar nas missões de paz da ONU, o helicóptero H-60 Black Hawk, é empregada em mais de 80 países no mundo. A aeronave tem capacidade de transportar até 12 pessoas, consegue infiltrar tropas de segurança em áreas geográficas de difícil acesso, tem capacidade de transporte de carga externa de até quatro toneladas, possui equipe e material completo para atendimento e evacuação aeromédica, realiza missões de busca e salvamento e, se necessário, de defesa aérea. Segundo informações da FAB, dois esquadrões operam a aeronave no Brasil. Além do Harpia (7º/8º GAV), o Esquadrão Pantera (5º/8º GAV), sediado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, também emprega o helicóptero, totalizando 16 aeronaves e 65 pilotos capazes de operar em missões da ONU no país. A aeronave A-29 é utilizada nas missões de defesa aérea por quatro esquadrões: o Grifo (2º/3º GAV), o Escorpião (1º/3º GAV), localizado em Boa Vista, Roraima, o Flecha (3º/3º GAV), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e o Joker (2º/5º GAV), em Natal, Rio Grande do Norte. As capacidades tática e de armamento foram algumas das vantagens da aeronave apresentadas pela FAB durante a vistoria. “Essas aeronaves poderiam alimentar as forças de paz com informações, aumentando a consciência situacional”, disse o Tenente Coronel Luiz Ângelo de Andrade, comandante do Esquadrão Grifo, à Agência Força Aérea. Já o emprego do C-105 Amazonas possibilita a realização de missões de transporte tático e logístico, lançamento de paraquedistas, cargas e evacuação médica. Também é possível executar missões de busca e salvamento, lançamento de vacinas, alimentos e água potável em áreas de difícil acesso, bem como fazer o transporte de enfermos e atendimentos a calamidades. Segundo a FAB, operam atualmente no Brasil 11 aeronaves C-105 da FAB e há 51 pilotos capacitados para empregar o avião. O Cel Cavalcanti destacou o ganho operacional para a FAB do emprego dos meios aéreos nas missões de paz da ONU. “Muitas tarefas e missões aéreas constantes na doutrina básica da FAB podem ser executadas durante as missões de paz”, disse, acrescentando que a missão permitirá aumentar a capacidade logística e operacional, dentro do estabelecido à operação estratégica da FAB. “A ONU arca com os gastos de combustível e com a manutenção das aeronaves e seus deslocamentos; além disso, as missões de paz possibilitam a operação simultânea com diversas outras forças aéreas”, concluiu.
Share