Tropas especializadas do Exército Brasileiro fazem estágio de tiro de precisão

Specialized Brazilian Army Troops Undergo Sniper Training

Por Andréa Barretto/Diálogo
setembro 27, 2017

Acertar o alvo e colher informações sobre o terreno de combate são os principais objetivos de um militar caçador. Foi para isso que 20 homens do Comando Militar do Oeste (CMO) foram treinados, durante as duas semanas do Estágio de Caçador, realizado no 58º Batalhão de Infantaria Motorizado (58º BI Mtz), na cidade de Aragarças, no estado de Goiás. “O caçador está inserido dentro de uma operação de combate, por isso ele necessita de um conhecimento amplo sobre toda a estratégia operacional”, explicou o Capitão do Exército Brasileiro Maicon Douglas Machado, coordenador do treinamento, sobre a função do caçador. “Conforme as situações surgem, esse militar tem que tomar decisões de modo acertado e conseguir passar corretamente as informações aos superiores. Por isso, nosso estágio buscou dar as ferramentas aos estagiários para que eles consigam cumprir bem as missões que lhes forem atribuídas”, completou. Essas ferramentas se referem às habilidades de infiltração e progressão no campo de batalha; de realização do tiro de precisão; e de observação, memorização e descrição do terreno. Esse tipo de exercício é realizado pelos diferentes comandos de área do Exército Brasileiro (EB). No CMO, essa foi a quinta edição. O Coronel do EB Gilvan Augusto de Farias Junior, comandante do 58º BI Mtz, conta que a programação dessa atividade teve início em 2016, com base nas experiências anteriores e nas referências dos estágios desenvolvidos por instituições como o Centro de Instrução de Operações Especiais do Exército e a Academia Militar das Agulhas Negras. Teoria e prática O Estágio do Caçador do 58º BI Mtz ocorreu entre 14 e 28 de julho, começando com a preparação das atividades e culminando em uma missão simulada. As aulas teóricas tiveram início no dia 18 e foram intercaladas com exercícios práticos. Avaliação da distância, tiro em alvo móvel, técnicas de observação, memorização e descrição, camuflagem e progressão no terreno estão entre os principais conteúdos trabalhados. O Cap Maicon Douglas contou que uma boa avaliação da distância do caçador para o seu alvo é necessária para que ele possa regular o armamento. Os estagiários experimentaram tiros em diferentes distâncias, de 100 a 600 metros. Mas a distância é apenas um dos parâmetros a serem considerados pelo militar caçador no momento de ação. “Se o alvo for móvel, ele tem que realizar outra gama de cálculos para fazer com que o disparo atinja o objetivo. Isso está associado a instruções de balística”, disse. Também é essencial que o caçador saiba se infiltrar no local da operação e ocupar uma posição adequada sem ser visto pelos representantes da força oposta. Para isso, valem tanto os conhecimentos sobre progressão no terreno quanto sobre camuflagem. Um dos conceitos das instruções de camuflagem é o de quebra dos contornos, quer dizer, o disfarce dos contornos humanoides. No estágio, os militares aprenderam a confeccionar a própria roupa, costurando e amarrando no fardamento diversos acessórios com a intenção de se confundirem com o ambiente. Atirador e observador Na função de caçador, o militar pode atuar tanto como atirador como quanto observador. Neste último caso, o objetivo é penetrar o terreno do inimigo a fim de colher informações sobre as condições do ambiente operacional. Esses dados devem ser transmitidos ao escalão superior e têm importância estratégica para o planejamento das ações da missão. Por isso, o estágio incluiu ainda instruções sobre observação, memorização e descrição. “O atirador é quem realiza o disparo, e o outro é quem faz a observação do terreno, ajuda nos cálculos de medição de vento, distância do alvo etc., além de fazer as correções do tiro, se necessário”, explicou o Cap Maicon Douglas. Ele acrescentou ainda que o observador conduz o armamento com o objetivo de fazer a proteção da equipe. Por isso, há diferença entre o equipamento usado pelo atirador e pelo observador. Enquanto o primeiro carrega um fuzil de precisão, o outro usa um fuzil de dotação, “que tem um poder de fogo maior, próprio para fazer a proteção”, esclareceu. No EB, os batalhões possuem no seu quadro de pessoal duas duplas de caçadores, cada uma delas com um atirador e um observador. Esse modelo foi replicado na tarefa simulada que concluiu o estágio. Foi a primeira vez que o 2º Tenente do EB Yago Brito Almada Ramos participou de um treinamento de caçador. Na tarefa de conclusão do estágio, ele fez o papel de observador. No dia 27, pela tarde, cada dupla recebeu sua missão. O exercício começou com o planejamento das ações pelos estagiários, que depois infiltraram o terreno e fizeram disparos contra os alvos, inicialmente com munição de festim. As equipes passaram a noite na missão e, na manhã seguinte, tiveram que disparar mais uma vez contra os supostos inimigos, dessa vez com munição real. Para o 2º Ten Almada Ramos, os maiores desafios de um caçador dizem respeito à superação dos próprios limites. “Muitas vezes, uma equipe de caçador é empregada isolada no terreno, então não necessariamente vai ter um reforço imediato. Isso obriga que a dupla tome decisões por si só, tendo que avaliar qual a melhor linha de ação para executar a missão”, avaliou. Ele ressaltou também a questão da responsabilidade assumida por um caçador. “Esses militares carregam uma grande responsabilidade, tendo em vista que não lhes são atribuídas missões triviais. Com isso, cresce a responsabilidade de se cobrar a perfeição em todas as suas ações.”
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