Honduras: FUSINA reforça segurança de fronteira contra gangues

Por Dialogo
junho 14, 2016




O governo hondurenho concedeu à Força de Segurança Interagências (FUSINA) a responsabilidade de monitorar as fronteiras terrestres, aéreas e marítimas e de capturar membros de gangues que estão fugindo do vizinho El Salvador, onde foram adotadas medidas de segurança extraordinárias.

A ameaça das gangues transcende as fronteiras, tornando crucial para os países centro-americanos guardar suas fronteiras, explicou o comandante da FUSINA, o Coronel de Infantaria Selman David Arriaga Orellana, a Diálogo
. “Realizamos um trabalho conjunto e coordenado com autoridades de Guatemala, El Salvador e Nicarágua, que inclui coordenação operacional com as Forças Armadas e Exércitos dos vários países. Essa coordenação é executada sob a estrutura da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas, uma organização regional composta pelas Forças Armadas de Honduras, El Salvador, Guatemala, Nicarágua e República Dominicana."

O Cel Arriaga explicou que existem planos dos países da região de criar uma força unificada para combater o crime organizado. “Estamos constantemente trocando informações entre os militares da região sobre nossas atividades e operações. Por exemplo, a Força-Tarefa Conjunta Maya-Chortí, que foi criada em março de 2015 entre os governos de Honduras e Guatemala com o objetivo de neutralizar o narcotráfico, reduzir as operações do crime organizado e o crime comum e as atividades ligadas a estes."

Combate ao crime


Em Honduras, a FUSINA está realizado a “Operación Morazán", que visa combater o crime organizado e comum, além de garantir a segurança das fronteiras do país centro-americano. A Operação Morazán está sendo executada “respeitando os direitos humanos e as garantias constitucionais, já que o único objetivo é localizar e capturar essas pessoas e as gangues criminosas que agem fora da lei para, depois, submetê-las a julgamento nos tribunais apropriados”, acrescentou o Cel Arriaga.

Desde sua criação em fevereiro de 2014, a FUSINA já confiscou armas, drogas, munições e explosivos sob a estrutura da Operação Morazán. Ao todo, a FUSINA executou 1.261 mandados de prisão; apreendeu 363 kg de cocaína; confiscou 935 armas de fogo e destruiu dois laboratórios de drogas.

A FUSINA já confiscou armas de fogo de nível militar, incluindo rifles AK-47, M-16 e M-203, fuzis automáticos leves, mini-Uzis e pistolas 9mm. A força de segurança também apreendeu US$ 1.036.874 (R$ 3.525.371) em espécie e desativou 11 pistas de pouso clandestinas usadas por aviões com drogas.

Os civis também já forneceram à FUSINA informações oportunas em relação à presença de pessoas suspeitas, que ajudaram a reforçar as fronteiras do país, onde a presença de autoridades civis foi ampliada. A cooperação com as forças de segurança de outros países é um componente chave da iniciativa. Quando a FUSINA prende um estrangeiro na fronteira, troca informações com as autoridades do país de origem do detido para verificar seus antecedentes e supostas ligações criminosas.

Desde 1º de janeiro, a FUSINA já prendeu 804 suspeitos que pretendiam entrar ou passar por Honduras ilegalmente, 90% dos quais tinham a intenção de migrar. No total, as forças de segurança concluíram que 5% dos detidos estavam envolvidos em crimes.

Das gangues problemáticas à segurança pública


As gangues são um problema de segurança pública de todos os países do Triângulo Norte (Honduras, El Salvador e Guatemala), disse Migdonia Ayestas, diretora do Instituto Universal de Democracia, Paz e Segurança. “O Sistema de Integração Centro-Americana está priorizando a questão da Segurança Democrática, mas o mais importante não é começar a pensar nas coisas. Temos de agir porque esses sindicatos do crime já estão instalados aqui.”

A assistência do público é crucial para o sucesso operacional da FUSINA, que está combatendo aqueles que querem usar Honduras como um esconderijo ou uma base para realizar crimes, disse o Cel Arriaga. “Um dos recursos do combate ao crime são as Forças Armadas, mas o mais importante é a colaboração dos cidadãos em uma cultura de denúncia. De qualquer parte do país, pode-se ligar para o 911 e a FUSINA irá responder a qualquer ameaça que esteja acontecendo em uma área. Uma denúncia significa evitar atividades ilegais, ou um homicídio. A confiança na FUSINA é essencial, e a cultura da denúncia, fundamental.”
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