Como parte de sua Iniciativa de Parceria de Manutenção de Teatro (TMPI), o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) trabalhará com nações parceiras e aliadas da América Latina, para desenvolver conhecimentos de manutenção, que vão desde a manutenção em nível de equipamento, até o gerenciamento do ciclo de vida, disse o Capitão de Fragata Gabriel Christianson, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, oficial de logística multinacional do SOUTHCOM.
“Estamos procurando fornecer um amplo espectro de suporte e engajamento para nossos parceiros e aliados”, afirmou o CF Christianson. “Isso é mais do que um simples treinamento de manutenção de itens finais, embora esse seja um aspecto tangível e muito importante do programa.”
No nível tático, onde os encarregados da manutenção realmente utilizam as ferramentas do equipamento, o CF Christianson disse que o SOUTHCOM trabalhará com os países anfitriões e participantes para educar e capacitar. Mas o objetivo da TMPI vai além disso.
Espera-se que o curso multinacional de oficiais de logística ofereça aos líderes militares e civis mais experientes, entre outras coisas, uma compreensão das seis funções da logística, da codificação da OTAN, do gerenciamento do ciclo de vida e do planejamento nos níveis operacional e estratégico, declarou o CF Christianson.
“No nível estratégico, procuraremos apoiar nossos parceiros com profissionais de logística […], para aconselhar os profissionais de manutenção dentro de nossos componentes de forças parceiras e aliadas, comandos conjuntos e escritórios do Ministério da Defesa, para atingir suas metas de prontidão”, disse o CF Christianson, acrescentando que os cursos estarão disponíveis em vários idiomas.
O conceito da TMPI, segundo o CF Christianson, foi desenvolvido depois que os parceiros e aliados do SOUTHCOM expressaram sua preocupação com relação aos desafios de manutenção que enfrentam com seus próprios equipamentos.
Em meados de outubro, a General de Exército Laura J. Richardson, do Exército dos EUA, comandante do SOUTHCOM, falou com a Fundação para a Defesa das Democracias em Washington, D.C., onde discutiu o desenvolvimento da TMPI e seus objetivos.
A Gen Ex Richardson explicou que as nações parceiras da América do Sul operam em conjunto mais de 50 aeronaves Hércules C-130, um avião de carga que está em operação nos EUA e em outras nações desde meados da década de 1950.
No entanto, nem todas essas aeronaves C-130 que se encontram na área de responsabilidade do SOUTHCOM são mantidas no mesmo padrão. Por esse motivo, as missões que poderiam ter sido realizadas no SOUTHCOM não aconteceram da maneira que as nações parceiras gostariam, disse a Gen Ex Richardson.
“[Durante] o terremoto no Haiti há alguns anos, em 2021, alguns países quiseram participar do esforço de recuperação, mas não puderam chegar lá”, afirmou. “E não pudemos levá-los de avião […], mas eles tinham forças no terreno. Eles estavam preparados, tinham o equipamento, estavam prontos para ir, mas não conseguiram chegar lá”, acrescentou.
Por meio da TMPI, as aeronaves de propriedade das nações parceiras da região poderiam estar prontas para voar e atender aos padrões modernos de interoperabilidade, o que significa que, se uma missão de qualquer nação precisasse de transporte aéreo, todos poderiam contribuir ou participar.
“Isso se encaixa perfeitamente em […] que não se trata apenas de que cada país faça coisas internamente, mas sim de levar isso adiante para a melhoria do hemisfério e das nações parceiras trabalhando juntas”, declarou a Gen Ex Richardson.
No entanto, o CF Christianson disse que o foco da TMPI incluirá mais do que apenas aeronaves como os C-130.
“Não serão apenas elementos grandes, como os C-130, mas também os elementos finais em todos os domínios, que queremos garantir que continuem sendo ativos de primeira linha para nossos parceiros utilizarem”, ressaltou o CF Christianson. “Se um caminhão não estiver funcionando, eles não poderão chegar ao lugar. E, se for um caminhão dos EUA, queremos apoiar seus esforços para garantir uma boa disponibilidade de manutenção. O mesmo ocorre com barcos, helicópteros, rádios […], tudo o que eles adquirirem e desejarem colaborar conosco. Queremos que essa seja uma parceria verdadeira, na qual compartilhamos requisitos e fornecemos soluções para todo o espectro de artigos de defesa, desde a formação até o reparo em nível de oficina, em alguns casos.”
Espera-se que a TMPI tenha nove “centros de excelência” para ajudar os encarregados da manutenção e líderes das nações parceiras a desenvolver as habilidades necessárias para que os equipamentos pelos quais são responsáveis continuem operando e estejam prontos para participar de missões em toda a área de responsabilidade do SOUTHCOM. Esses centros de excelência serão sediados por nações parceiras do SOUTHCOM.
Segundo a Gen Ex Richardson, já foram selecionados três locais para esses centros de excelência. Na Colômbia, haverá um centro de excelência para a manutenção da aviação e outro para a manutenção eletrônica. Por outro lado, a Academia Militar do Caribe, na Jamaica, sediará um centro de excelência multidisciplinar que envolve a manutenção não apenas de aeronaves, mas também de equipamentos terrestres e embarcações navais.
“A Jamaica [tem] uma capacidade de defesa muito respeitada na Força de Defesa da Jamaica e uma excelente escola militar, que forma todo o espectro de suas forças, desde o ingresso inicial até os oficiais”, disse o CF Christianson. “Gostaríamos de colaborar nos próximos anos com a Academia Militar do Caribe, na Jamaica, para investir em instalações e materiais que lhes permitam ampliar suas ofertas de manutenção de artigos no ar, no mar e na terra.”
Os colombianos, segundo o CF Christianson, têm um centro em Tolemaida – nos arredores da capital Bogotá –, que já treina pilotos de várias nações e também treina alguns mantenedores para a região. Ele disse que o SOUTHCOM gostaria que os colombianos expandissem a capacidade da instalação.
“Gostaríamos de levar suas metas um pouco mais adiante e dar um foco adicional à produção de mantenedores, mas também apoiar a expansão da instalação de reparos em nível de depósito de Tolemaida, de uma capacidade estritamente nacional, para uma organização que tenha uma expansão suficiente na produtividade, para apoiar outros parceiros e aliados na região e com capacidades expandidas também”, acrescentou.
O SOUTHCOM também está trabalhando com os colombianos para sediar um curso multinacional para oficiais de logística.
“O curso multinacional fará pelos líderes de amanhã o que os centros de excelência farão pelos jovens soldados, marinheiros ou aviadores: equipá-los com a formação e as ideias que darão suporte aos sistemas complexos do futuro, ao mesmo tempo em que constroem relacionamentos para nossa família de nações aliadas e parceiras do Hemisfério Ocidental”, afirmou o CF Christianson.
Além das instalações na Colômbia e na Jamaica, o CF Christianson disse que outras nações da região também manifestaram interesse em sediar centros de excelência de treinamento em manutenção. Os demais centros de excelência serão destacados durante o ano fiscal de 2026 e 2027.
“A manutenção é difícil para as Forças Armadas dos EUA”, disse a Gen Ex Richardson. “E, se é difícil para nós, sei que é difícil para todos os demais.”
Felizmente, disse, há muita competência nas forças armadas das nações parceiras do SOUTHCOM, e espera-se que a TMPI traga o melhor do que essas nações têm a oferecer, para ajudar todas as nações parceiras do SOUTHCOM a melhorar seu padrão de manutenção.
“Como piloto de helicópteros, sei o que significa manter todas as suas aeronaves quando você está em combate”, declarou. “Você quer o maior número possível de aeronaves que possam voar no ar e que não estejam quebradas no solo. Os países estão entusiasmados com isso, realmente empolgados. O projeto abordará a manutenção da aviação, manutenção de rádio, veículos, tudo isso. E acho que isso pode realmente ajudar o hemisfério.”