Peru: Ataques do Sendero Luminoso ameaçam oleodutos

Por Dialogo
outubro 22, 2012



LIMA – Uma série de atentados na região de selva no sudeste do Peru provoca temores de que o Sendero Luminoso possa estar tentando criar o caos econômico ao atacar a infraestrutura energética, mas o governo vem reagindo com severas medidas antiterroristas.
“A população deve manter a calma, porque nós vamos vencer. Levará algum tempo até conseguirmos captar mais recursos necessários, mas isso será feito”, afirmou Humberto Speziani, presidente da Confiep, a maior associação empresarial do Peru. “Estamos falando de defesa da democracia e do interesse nacional.”
Speziani falou logo após um encontro em 12 de outubro, quando o ministro da Defesa, Pedro Cateriano, e o almirante José Cueto, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, ajudaram a diminuir a apreensão dos líderes empresariais ao apresentar os planos do governo contra os ataques.
Dois policiais morreram e dois ficaram feridos em uma emboscada no mesmo dia, perto da cidade Kepashiato, menos de uma semana depois que o grupo rebelde Sendero Luminoso atacou uma pista de pouso próxima à cidade de Kiteni, em 6 de outubro, destruindo a infraestrutura do local e incendiando três helicópteros.

Luta se intensifica na região do VRAEM

Kepashiato e Kiteni ficam no distrito de Echarate, em Cuzco, onde estão localizados os campos de gás de Camisea, além de um gasoduto de 730 km que fornece o gás que gera quase metade da energia elétrica do Peru. Os helicópteros destruídos eram utilizados pela operadora da TGP (Transportadora de Gás do Peru) de Camisea para supervisionar o gasoduto.
Após o incidente, a TGP anunciou que não mais manterá o gasoduto por razões de segurança. Seus funcionários já abandonaram o local.
O ministro do Interior, Wilfredo Pedraza, foi direto em sua apresentação em 9 de outubro à comissão de segurança do Congresso.
“Proteger o gasoduto exige uma enorme missão logística”, declarou Pedraza aos congressistas. “Estamos trabalhando para equipar um grupo especial de soldados e policiais para reduzir a possibilidade de um ataque, mas outro incidente pode acontecer hoje ou amanhã.”

Lei prevê medidas antiterrorismo mais rígidas

Pesquisas recentes revelam que os peruanos acreditam que o terrorismo pode estar voltando – e querem que o governo faça mais. Em uma pesquisa nacional divulgada em 14 de outubro pela Ipsos Apoyo, 71% dos entrevistados disseram que os incidentes recentes denotam o ressurgimento do terrorismo.
A resposta da administração Humala veio através de uma série de medidas, incluindo a construção de novas delegacias de polícia no distrito de Echarate, além de 10 novas bases antiterroristas no Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM) até o fim do ano. O Ministério da Defesa anunciou que enviará 20 novos helicópteros para reforçar as operações na zona de combate.
Humala pediu ao Congresso que aprove um projeto de lei apresentado em agosto que criminaliza o ato de “aprovar, justificar, negar ou minimizar crimes cometidos por membros de organizações terroristas”. As penas previstas incluem prisão de quatro a oito anos. O Congresso ainda não começou a debater o projeto.
Em meados de outubro, o Congresso aprovou uma lei que estabelece penas bem mais severas para qualquer pessoa condenada por receber dinheiro ou que esteja envolvida em atividades similares em apoio ao terrorismo. A pena mínima de prisão agora é de 20 anos, sem direito a liberdade condicional.

Espera-se que a lei coloque o MOVADEF na defensiva

Segundo Salazar, a lei ajudará a controlar as atividades terroristas e dará ao Estado mais condições de lutar contra organizações de fachada, como o Movimento por Anistia e Direitos Fundamentais (MOVADEF), um partido criado por advogados dos líderes encarcerados do Sendero Luminoso.
O Congresso concedeu ao governo Humala poderes legislativos para aprovar novas leis nas áreas de segurança dos cidadãos, defesa nacional e tráfico de drogas, além de permitir a reforma dos ministérios da Defesa e do Interior, já em andamento.
O governo Humala tem até o fim de novembro para elaborar a nova lei.
Há meses, Echarate assiste às mais intensas lutas entre o Sendero Luminoso e as forças de segurança. Mais de 20 policiais e soldados foram mortos em ataques terroristas este ano, a maioria em Echarate e nos distritos circunvizinhos. A região está em estado de emergência desde abril, enquanto no VRAEM o estado de emergência já dura mais de nove anos.
A facção do Sendero Luminoso no VRAEM aumentou gradualmente a pressão na zona de Camisea. Ruben Vargas, um pesquisador que estuda o terrorismo no Peru, disse que tal facção quer mostrar ao governo seu poder de destruição.

Infraestrutura energética está ameaçada

"O objetivo dos ataques recentes é mostrar que eles controlam a região, que é o coração do sistema energético do país”, explica Vargas, avaliando que danos ao gasoduto de Camisea podem comprometer as usinas de energia a gás, que geraram cerca de 45% da eletricidade do país em setembro, e também interromper a produção de quase 80% do gás liquefeito de petróleo (GLP) – o combustível doméstico mais utilizado no Peru.
Além disso, quase 300.000 veículos no Peru, incluindo o sistema de transporte de ônibus de Lima, funcionam com gás natural ou GLP.
O Ministério das Minas e Energia do Peru calcula que o país pode perder aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 1 bilhão) por dia caso o gasoduto seja desativado. O cálculo leva em conta a geração de energia, indústria, utilização de veículos e exportação de gás natural de uma instalação operada pela americana Hunt Oil.
Além do atual sistema energético peruano, os ataques contínuos na região poderão bloquear os esforços do presidente Ollanta Humala para atrair mais de US$ 20 bilhões (R$ 40 bilhões) em investimentos em novos gasodutos de Camisea para o litoral sul e para a construção de plantas petroquímicas que utilizarão o gás para fabricar explosivos, fertilizantes e plásticos.

Medida autoriza novos gasodutos e usinas energéticas em Echarate

O projeto de lei apresentado ao Congresso autoriza concessões para a construção de novos gasodutos de Camisea até os altiplanos do sul, assim como uma nova usina termelétrica em Echarate. Observadores dizem que é improvável que o Congresso aprove a nova legislação devido à atual situação na região.
A facção do Sendero Luminoso, que conta com aproximadamente 400 terroristas armados e é liderada por Quispe Palomino, deu início a uma nova onda de ações armadas em Echarate em abril, quando uma coluna sequestrou 36 operários que trabalhavam na expansão do gasoduto de Camisea. As vítimas foram mantidas reféns por cerca de uma semana antes de serem libertadas sem ferimentos.
Um grupo de 18 trabalhadores do gasoduto foi retido por um curto período de tempo no início de junho e ocorreram diversos casos envolvendo ataques de franco-atiradores contra bases antiterroristas na região.
El governo de humala es genocida estan saqueando al perú por eso el pueblo peruano dirigido por sendero luminoso solo defiende nuestra soberania,
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