Saúde mental na Venezuela de Maduro

Saúde mental na Venezuela de Maduro

Por Noelani Kirschner / ShareAmerica
fevereiro 05, 2020

Enquanto o regime de Nicolás Maduro continua a fazer o povo venezuelano passar fome e destruir seu sistema de saúde, outra coisa continua se deteriorando: a saúde mental dos venezuelanos.

Para aqueles que sofrem de problemas crônicos e graves de saúde mental, como esquizofrenia, depressão profunda, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo, o acesso a médicos e medicamentos é essencial para que permaneçam vivos.

As enfermarias psiquiátricas nos hospitais venezuelanos estão em crise. Em meio à escassez de medicina geral na Venezuela, é quase impossível que os pacientes que precisam de medicamentos psiquiátricos possam recebê-los. Segundo o Dr. Julio Castro, coordenador de saúde da Assembleia Nacional, 80 por cento dos hospitais relataram uma falta total de medicamentos orais de benzodiazepina (usados para tratar problemas de ansiedade e pânico, entre outros) e 60 por cento não possuem medicamentos antipsicóticos orais; 50 por cento dos hospitais não tinham benzodiazepínicos ou antipsicóticos intravenosos.

A falta de medicamentos deixa o paciente com duas opções: comprar o medicamento em uma farmácia local, pagando do seu próprio bolso, ou que um parente que mora no exterior possa enviá-lo pelo correio. O custo de um medicamento para epiléticos é em média de US$ 70 por mês; o salário mínimo na Venezuela é de US$ 5 por mês.

De acordo com Castro, os pacientes psiquiátricos estão piorando a cada dia e precisam ir a pavilhões de enfermidades agudas, mas 50 por cento dessas enfermarias não têm medicamentos. Então, o paciente não recebe tratamento e acaba morrendo.

Fora do país, os venezuelanos estão lutando para superar esses mesmos desafios relacionados à saúde mental, ao mesmo tempo que também enfrentam o trauma do deslocamento. A Organização das Nações Unidas estima que mais de 4,8 milhões de refugiados venezuelanos já abandonaram a Venezuela; entre eles, 3,9 milhões estão na América Latina e no Caribe, a maioria deles na Colômbia.

Os venezuelanos “deixaram o seu país, em muitos casos, com a roupa do corpo e o dinheiro que tinham no bolso”, explicou o Dr. Pierluigi Mancini, especialista em saúde mental de imigrantes da América do Sul e da América Central.

As pessoas deslocadas raramente levam consigo seus registros médicos, o que significa que devem recomeçar em um novo país, o que é uma batalha difícil.

Na Colômbia, os refugiados venezuelanos devem registrar-se no sistema de saúde do país, mas muitos não o fazem. Em 2018, apenas 28.069 venezuelanos — dos cerca de 1,6 milhão de refugiados — tinham status de refugiados, de acordo com um relatório do governo colombiano. Aqueles que não estão registrados devem pagar centenas ou milhares de dólares do seu próprio bolso.

Todas essas barreiras podem parecer intransponíveis, especialmente para aqueles que têm distúrbios graves e necessitam de medicação ou tratamento regular.

De acordo com Mancini, os indivíduos deslocados com transtornos mentais severos, que passam por dificuldades abertamente em público, “são levados a um pronto-socorro ou a uma prisão”, disse. “Às vezes, um logo após o outro.”

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