Relatório delineia manipulação da mídia global por parte de Pequim

Relatório delineia manipulação da mídia global por parte de Pequim

Por Leigh Hartman / ShareAmerica
janeiro 31, 2020

O Partido Comunista Chinês (PCC) está gastando bilhões de dólares por ano em propaganda e esforços de censura voltada para o exterior, incluindo a apresentação de veículos de comunicação estatais como jornalismo independente, de acordo com um novo relatório.

O relatório Beijing’s Global Megaphone, publicado em 14 de janeiro de 2020 pela Freedom House, detalha como Pequim usa a propaganda, a censura e sistemas de distribuição de conteúdo para controlar a opinião pública global no exterior.

A Freedom House, uma organização independente de vigilância dedicada à expansão da liberdade e da democracia em todo o mundo, anteriormente identificou Pequim como a internet menos livre do mundo.

“Um Estado autoritário economicamente poderoso está expandindo rapidamente sua influência em relação à produção e disseminação da mídia”, disse Sara Cook, analista de pesquisa sênior, que redigiu o relatório.

Propaganda
Um dos principais métodos do PCC para disseminar sua propaganda são os meios de comunicação de propriedade do Estado, que publicam no exterior em vários idiomas, segundo o relatório, que estima que somente em 2009 o governo chinês gastou US$ 6 bilhões na expansão da mídia estatal.

Esses veículos fingem ser fontes de notícias independentes, enquanto na realidade produzem propaganda do PCC. Nenhuma das páginas de redes sociais desses veículos, que foram analisadas pela Freedom House, “revela que seja propriedade do Estado ou que o controle editorial seja feito pelo PCC”. De acordo com o relatório:

O People’s Daily se apresenta como “o maior jornal da China”, quando na verdade é o “porta-voz oficial do Partido Comunista Chinês”.
Xinhua News Agency se autodenomina “o primeiro porto de escala para as notícias mais recentes e exclusivas da China e do mundo”, mas é realmente o “canal oficial de notícias estatal chinês”.
A China Global Television Network (CGTN) diz que é o “canal de notícias mais importante da China as 24 horas”, quando na verdade é o “braço internacional da emissora estatal China Central Television”.
A China Daily se promove como “a principal organização de notícias em inglês da China”. No entanto, na verdade, é o “jornal estatal chinês em inglês”.
A China Radio International transmite para 14 países, geralmente através de intermediários de propriedade privada, mas é uma programação estatal do PCC.

Pequim tem censurado as notícias e as redes sociais na China durante décadas, mas agora, como indica o relatório, “as autoridades chinesas começaram a usar a sua influência econômica para silenciar as reportagens ou comentários negativos” no exterior.

Distribuição de conteúdo
Para garantir firmemente o controle sobre a mídia e as mensagens, Pequim também está trabalhando para controlar os meios de distribuição, como as redes de celulares, estações de televisão e plataformas de redes sociais.

Ao controlar os meios de distribuição de conteúdo midiático, o PCC “abre as portas para um nível de influência totalmente novo”, onde “os guardiões amigáveis do PCC estão agora posicionados” para controlar as notícias no exterior, ressalta o relatório.

Cook afirma que essa influência mina “a transparência, o Estado de Direito e a concorrência leal”.

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