Peru organiza V Simpósio Internacional das marinhas da América

Peru Hosts V International Symposium of Navies of the Americas

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
dezembro 18, 2018

A Escola Superior de Guerra Naval (ESUP) da Marinha de Guerra do Peru reuniu militares de 13 forças navais da região ocidental no V Simpósio Internacional de Oficiais da Nova Geração das Marinhas da América para compartilharem conhecimentos e experiências sobre segurança na navegação. O encontro foi realizado entre os dias 22 e 26 de outubro de 2018, a bordo do navio-escola BAP Unión e em diversas dependências da Marinha peruana na região de Callao.

Em um clima de camaradagem, 88 jovens oficiais das marinhas da Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, El Salvador, Equador, Estados Unidos, Guiana, México, Peru e Uruguai debateram sobre a estrutura, o planejamento e a navegação nas pontes de comando das diferentes unidades das marinhas participantes. A missão foi compartilhar as lições aprendidas sobre os sistemas modernos de navegação e o elemento humano.

“Nas exposições realizadas devemos ressaltar os últimos acontecimentos ocorridos, ao utilizarmos apenas cartas [náuticas] eletrônicas ou recursos eletrônicos; é necessário retomar a navegação tradicional em suas etapas de formação e capacitação”, disse à Diálogo o Contra-Almirante Carlos Tupac-Yupanqui Bromerg, diretor da ESUP. “Por exemplo, a Marinha dos EUA utiliza a carta de papel como um recurso alternativo, um plano B para a navegação. A sua carta principal é a eletrônica digital.”

De acordo com a informação divulgada no simpósio, o uso da carta de papel para a navegação é funcional por dois motivos. “O primeiro, por uma doutrina náutica, onde o oficial aluno entende como a carta eletrônica digital funciona a partir do posicionamento em uma carta de papel, que reúne as informações necessárias para permitir uma navegação marítima segura”, disse à Diálogo o 1º Tenente da Marinha do Equador Luis Bonilla, chefe do estado de Maniobras. “O segundo, como prevenção quanto a uma possível falha nos sistemas de navegação, sendo portanto prudente contar com um formato analógico.”

Em um esforço para difundir a cultura de defesa e segurança, os oficiais compartilharam as experiências das suas respectivas marinhas. “O principal desafio foi sintetizar de maneira rápida e eficiente como a nossa marinha se organiza e como funcionamos na área de oficiais de superfície, bem como explicar o equilíbrio existente entre o ser humano e a tecnologia de segurança de navegação”, acrescentou o 1º Ten Bonilla.

O encontro gerou uma rede de contatos entre os jovens marinheiros, que possibilitará que eles façam um intercâmbio das lições aprendidas e fortaleçam os laços de amizade e os vínculos de comunicação direta para interagirem mais facilmente no futuro. “A experiência foi gratificante, aprendemos muito e apreciamos dia a dia todas as atividades planejadas pelos oficiais da Marinha do Peru”, garantiu o 1º Ten Bonilla.

Confiança mútua

A ESUP realiza o simpósio internacional de oficiais das marinhas todos os anos, desde 2014. Cada simpósio tem a sua própria particularidade e importância. Um exemplo foi o terceiro simpósio, realizado em 2016, exclusivamente para mulheres oficiais. Nas quatro edições anteriores foi realizada uma visita à Amazônia. Em 2018, a visita foi substituída pela navegação no BAP Unión da Marinha do Peru.

“Este tipo de eventos desenvolve a confiança mútua, que é o pilar fundamental da cooperação e da interoperacionalidade, e consolida os laços de amizade e camaradagem entre os jovens das marinhas das Américas”, assegurou o C Alte Tupac-Yupanqui. “Desejamos trabalhar da mesma maneira, bem como incrementar a participação do Comando Sul dos EUA, tal como fizemos em 2018.”

Cooperação internacional, valores e liderança

No âmbito da colaboração acadêmica, os jovens das marinhas participaram do fórum internacional Valores e Liderança, onde ampliaram seus conhecimentos em aspectos relacionados à administração de capacidades e habilidades em benefício próprio e das instituições às quais pertencem. Eles aprenderam, por exemplo, sobre a gestão de relações internacionais, como funcionam as organizações dos diversos países, quais os objetivos que perseguem, o que fazem para consolidar a cooperação no continente americano e os valores ensinados na Marinha.

“Os participantes estrangeiros tiveram a oportunidade, em primeiro lugar, de compartilhar a navegação à vela com oficiais de outras marinhas, que é uma oportunidade que poucos podem ter. Por outro lado, o fato de ouvirem as experiências e os conhecimentos profissionais de outros países contribui para aumentar a bagagem cultural de todos os oficiais da Marinha”, disse o C Alte Tupac-Yupanqui.

“Os jovens das marinhas das Américas devem manter a essência e a mística das forças armadas em cada um dos países da região. Tal como pudemos constatar no simpósio, trata-se de uma essência similar com uma formação parecida que não muda, apesar das fronteiras e da diversidade cultural; o que nos une é uma única entidade militar, em um único respeito hierárquico e uma única formação”, finalizou o 1º Ten Bonilla.
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