Panamá e Colômbia cooperam para controlar o espaço aéreo

Panama and Colombia Cooperate to Control Airspace

Por Yolima Dussán/Diálogo
abril 04, 2017

Em 2012, a Colômbia e o Panamá assinaram um convênio binacional para desenvolver uma estratégia conjunta de interdição e interceptação destinada a impedir o uso de seu espaço aéreo para o tráfico ilegal de armas e drogas. Eram momentos difíceis; desde o início da década de 2000, as duas nações enfrentavam o ataque dos grupos criminosos que transportavam toneladas de drogas ilícitas. Só em 2003, a Força Aérea Colombiana (FAC) detectou 635 voos ilegais no espaço aéreo dos dois países. Hoje, cinco anos depois da assinatura do convênio, esse número caiu 99 por cento, uma cifra contundente que reflete o resultado satisfatório da estratégia binacional. Esta permitiu ratificar os mecanismos de transferência de informações dedicadas a combater as organizações criminosas, potencializar a inteligência eletrônica e fortalecer a legislação, a partir da qual o convênio é desenvolvido. Estratégias para combater a criminalidade Os resultados obedecem às políticas adotadas pelos governos da Colômbia e do Panamá, que permitem ações articuladas muito fortes nas operações de controle. “Conseguimos neutralizar as ameaças no espaço aéreo até o ponto em que a criminalidade teve que modificar seu modus operandi”, disse à Diálogo o Coronel Iván Darío Bocanegra, diretor de Defesa Aérea da FAC. “Agora, enfrentamos outras modalidades de tráfico de drogas; mas, pelo espaço aéreo, o controle é quase total. No que diz respeito a 2017, identificamos só um voo ilegal na fronteira com esse país”, assegurou. A estratégia é eficaz e envolve um trabalho monumental combinado entre várias agências da Colômbia e do Panamá, bem como a participação determinada do governo dos Estados Unidos. Com o objetivo de combater o tráfico de drogas em suas fronteiras, a Colômbia assinou convênios bilaterais com vários países. “Para tornar possíveis as estratégias de colaboração, foram criados acordos de entendimento conhecidos como Procedimentos Operacionais Vigentes (POV), que nos permitem estabelecer mecanismos e protocolos para trocar informações de maneira rápida, oportuna e em tempo real, e assim controlar o trânsito ilegal das aeronaves”, comentou o Cel Bocanegra. Hoje, a Colômbia tem acordos de POV com nove países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos. Comunicação, base das estratégias binacionais “O eixo estrutural de uma estratégia de colaboração binacional para o controle do espaço aéreo é a comunicação. O sucesso de uma operação reside na ação de transferir os alvos detectados e ser eficaz na transferência dessas informações às autoridades dos países que trabalham em conjunto na interdição e interceptação aérea”, disse o Cel Bocanegra. “Isto se consegue com procedimentos de comunicação eficazes, apoiados em equipamentos radiotelefônicos modernos, com frequências estabelecidas e testadas, e direcionamento claro dos passos a seguir”, apontou. Por meio de um POV com o Panamá, a FAC pode entregar às autoridades desse país informações sobre voos identificados como ilegais por seus sistemas e fazer um exercício de perseguição até o ponto em que as autoridades do Serviço Nacional Aeronaval do Panamá tomarão o controle da operação e impedirão o avanço do voo. “A estratégia com o Panamá nos permite desenvolver um trabalho muito eficaz ao possibilitar que nossos aviões entrem em seu espaço aéreo para realizar uma perseguição, em um exercício combinado ao qual se somam as agências de segurança panamenhas”, acrescentou o Cel Bocanegra. O tráfico aéreo migrou para terrestre e marítimo Com a eficácia dos resultados obtidos na neutralização de voos ilegais, a estratégia de controle aéreo entre a Colômbia e o Panamá tem, agora, uma mudança. “Assim como nós ajustamos os procedimentos operacionais, os grupos criminosos também mudam o seu modus operandi”, disse à Diálogo o Tenente-Coronel Andrés Niño, subdiretor de Operações de Defesa Aérea da FAC, a respeito da nova etapa a desenvolver, através do POV com o Panamá. “Agora, enfrentamos o aumento de embarcações rápidas, que saem das costas colombianas para fazer escala em povoados panamenhos, onde chegam com a missão de distribuir as drogas que transportam. Como já não podem ir por ar, agora tentam por mar e terra, através de uma grande quantidade de rotas menores e variadas.” Controlar o aumento no número de embarcações ilegais não é da competência da FAC e sim da Marinha Nacional, mas, com a experiência obtida, os equipamentos adequados e a colaboração dos Estados Unidos, a participação da FAC nas operações da Marinha é de uma utilidade essencial. Por essa razão, as duas forças assinaram um convênio conhecido como “Apoio à eliminação de tráfico ilegal por via marítima”, o qual se soma à estratégia conjunta com o Panamá para a detecção de embarcações que saem das costas colombianas. Aqui, surge a necessidade de realizar novos protocolos de controle e vigilância. PANCOL-II, para atualizar procedimentos A fim de combater as novas modalidades empregadas pelo crime organizado na fronteira com o Panamá, entre os dias 17 e 21 de abril, será realizado o PANCOL-II, um exercício binacional de interdição aérea, orientado para afinar os procedimentos de controle que garantem a transferência de informações para conseguir a interdição dos alvos, tanto por via aérea quanto marítima. A sede será em Rionegro, Antioquia, departamento localizado no noroeste colombiano. “Um exercício com estas características é muito importante porque são praticadas as ações finalizadas nas operações reais para testar a eficácia dos canais de comunicação com as autoridades panamenhas”, comentou o Cel Bocanegra. No PANCOL-II intervirão cerca de 100 pessoas, não só nas bases onde são realizados os exercícios, como também nas bases de operação em terra. “Esta é uma interação de defesa aérea tanto da Colômbia quanto do Panamá”, informou o Cel Niño. “Ficarão estabelecidos todos os detalhes das frequências de trabalho, a altura de voo das aeronaves, o procedimento para realizar a entrega do alvo etc.”, ressaltou. O futuro: unir os países da região “As autoridades panamenhas têm muito bem definida sua vontade política frente ao trabalho conjunto conosco; conhecem a necessidade de operar de forma articulada, possuem meios muito bons, com uma moderna frota de helicópteros, e seus procedimentos estão muito bem estabelecidos”, assegurou o Cel Bocanegra. “Essas estratégias não são o esforço de uma só nação, de um só organismo; isso é um esforço conjunto, combinado, interagências, porque o narcotráfico é uma ameaça transnacional. Nossa visão para o futuro é conseguir unir nossos países, do México ao Chile, para estabelecer um mecanismo ou um organismo que combata este problema de forma regional, como também definir um padrão comum, com um vínculo legislativo comum entre as nações para maior eficácia no controle das ameaças dos crimes transnacionais”, concluiu.
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