Crime organizado ameaça as democracias no continente

Por Dialogo
março 05, 2012


A violência e a corrupção do crime organizado constituem uma ameaça às democracias e à economia do continente, declararam as autoridades em um fórum de funcionários da justiça, promotores e ministros dos países da Organização dos Estados Americanos (OEA), que teve início nesta quinta-feira no México.

“O crime organizado transnacional representa o maior desafio para o Estado neste momento em todo o mundo, e em particular em nosso sofrido continente”, disse o presidente mexicano Felipe Calderón na abertura da Reunião Hemisférica de Alto Nível contra a Delinquencia Organizada Transnacional.

“Nos últimos 15 anos as redes criminosas transnacionais formaram novas alianças de grande amplitude entre si e com figuras poderosas do mundo dos negócios e do governo”, disse em seu aparte James Cole, subsecretário de Justiça dos Estados Unidos.

Com mais de 150 mil homicídios em 2010, segundo relatório da OEA divulgado em 2011, o continente americano é a região mais violenta do mundo.

Por trás de muitos desses assassinatos estão grupos criminosos que são ainda responsáveis por delitos como o tráfico de drogas, armas e imigrantes, entre outros, o que se transformou em “uma ameaça cumprida contra os governos democráticos”, como disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.

Na sessão inaugural, Adam Blackwell, secretário de Segurança multidimensional da OEA, advertiu que o crime organizado ameaça interferir nos processos eleitorais no continente americano, inclusive com a imposição de candidatos.

Ele acrescentou que o crime e a violência são “as principais ameaças à segurança” no continente americano, onde em 2010 foram registradas mais de 357 mil mortes violentas, entre as quais 150 mil homicídios dolosos, 75 por cento deles com armas de fogo, segundo um relatório do Observatório de Segurança da OEA.

Blackwell disse também que atividades econômicas como a agricultura e o turismo são diretamente afetadas pelas ações do crime organizado.

Diante dessa ameaça, Calderón fez um apelo para que seja lançada uma frente comum, criando esquemas de cooperação no hemisfério e a atualização dos diversos instrumentos internacionais para adequá-los ao novo desafio que é a delinquência transnacional.

“Todos os países devem criar uma frente comum para dar um basta neste inimigo que não reconhece fronteiras”, enfatizou.



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