Grupos do crime organizado matam jornalistas nas Américas

Por Dialogo
outubro 15, 2013




Agentes do crime organizado assassinaram pelo menos 19 jornalistas na América Latina e Caribe de janeiro a agosto de 2013, de acordo com um relatório recente da Comissão Investigadora de Atentados a Jornalistas (CIAP), pertencente à Federação Latino-Americana de Jornalistas (FELAP).
Entre as vítimas encontram-se jornalistas que escreveram sobre as ações de organizações criminosas transnacionais, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC), Los Cachorros, Los Urabeños, Los Zetas e o Cartel de Sinaloa, liderado pelo chefão das drogas foragido Joaquín “El Chapo” Guzmán.

Ameaça do crime organizado

Grupos violentos do crime organizado representam a maior ameaça a repórteres nas Américas, de acordo com o jornalista Álvaro Sierra, autor do livro “Cobertura do Narcotráfico e o Crime Organizado na América Latina e no Caribe”.
“De todas as ameaças contra a liberdade de imprensa, os traficantes de drogas são os mais metódicos, disseminados e letais”, disse Sierra.
Repórteres que fazem a cobertura de matérias sobre organizações criminosas transnacionais “correm o risco de sofrer ataques violentos”, declarou Gerardo González Bernal, representante da organização internacional ARTICLE 19, que defende a liberdade de imprensa e a segurança de jornalistas.

Violência e ameaças

Mais jornalistas foram vítimas de mortes violentas no Brasil durante os oito primeiros meses deste ano que em qualquer outro país; no Brasil, os agentes do crime organizado assassinaram seis repórteres.
Agentes do crime organizado mataram cinco jornalistas no México, quatro na Guatemala, dois em Honduras, um na Nicarágua e um no Peru. Três jornalistas mexicanos estão desaparecidos. Jornalistas e algumas de suas fontes nas Américas também foram alvos de ameaças de bandidos do crime organizado, segundo o relatório.
“Os jornalistas na América Latina estão entre os mais vulneráveis”, disse González Bernal.

Assistência militar

As Forças Armadas no continente americano ajudam muitos jornalistas oferecendo-lhes treinamento sobre como realizar seu trabalho de forma segura em áreas perigosas, informou Raúl Benítez Manaut, diretor da organização Coletivo de Análise da Segurança com Democracia (CASEDE).
“A contribuição dos militares ao fornecer treinamento sobre como agir em zonas de alto risco é uma grande ajuda à imprensa”, disse Benítez Manaut. É importante os jornalistas saberem ou evitarem o que fazer quando estiverem trabalhando em regiões perigosas, onde o crime organizado ou as guerrilhas operam.”

Jornalistas mortos

Entre os jornalistas assassinados nos primeiros oito meses de 2013 estão:
• Em 19 de agosto, agentes do crime organizado sequestraram e mataram o jornalista guatemalteco Carlos Alberto Orellano Chávez, diretor do programa jornalístico “Notícias e Mais” (Noticias y Más), em San Bernabé, Suchitepéquez. Seu corpo foi jogado numa rodovia pública. Orellano Chávez foi morto com um tiro na cabeça.
• Em 17 de julho, membros de um cartel de drogas sequestraram e mataram o jornalista mexicano Alberto López Bello no estado de Oaxaca. Nas proximidades, foi encontrado o corpo de um policial morto a tiros. O jornalista cobria matérias sobre crimes para o jornal diário El Imparcial de Oaxaca.
• Em 11 de junho, agentes do crime organizado em Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio de Janeiro, mataram José Roberto Ornelas de Lemos, do jornal Hora H. Os assassinos deram 44 tiros em Ornelas de Lemos. Ele havia recebido quatro ameaças de morte.

Liberdade de imprensa ameaçada

Agências de notícias no Brasil, Honduras, Colômbia, Peru, Paraguai e México tomaram providências para proteger seus jornalistas da violência do crime organizado. As medidas variam entre retirar subtítulos de artigos de jornais ou revistas sobre crime organizado, ou simplesmente parar completamente de escrever matérias sobre atividades de cartéis de drogas.
Por exemplo, em Tamaulipas, México – onde Los Zetas e o Cartel do Golfo (CDG) estão brigando entre si pelas rotas do narcotráfico e outros empreendimentos criminosos – a maior parte dos jornais e estações de rádio e televisão nos últimos anos parou de cobrir histórias sobre as atividades do crime organizado, por motivo de segurança.

Atividade do cartel de drogas

Os índices crescentes das atividades dos cartéis de drogas em Honduras, El Salvador e Guatemala aumentaram o perigo que os jornalistas enfrentam na América Central, segundo a organização Reporters Without Borders (“Repórteres Sem Fronteiras” - RWB). Los Zetas e o Cartel de Sinaloa intensificaram suas operações na América Central nos últimos anos, o que elevou significativamente os níveis de violência na região. Por exemplo, na Guatemala, até cobrir partidas de futebol e concursos de beleza tornou-se arriscado, pois alguns membros do crime organizado torcem para determinados times de futebol ou candidatas de concursos de beleza.
Colômbia, Brasil e México encontram-se entre os 12 países com as taxas mais alta de impunidade quando se trata de assassinato de jornalistas, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Iraque, Somália e Filipinas encabeçam a lista.
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