Operação Aspirantex 2017, um grande destacamento militar

Operation Aspirantex 2017, a Great Military Deployment

Por Roberto Caiafa/Diálogo
março 15, 2017

A Operação Aspirantex 2017 saiu ao mar a partir da Base Naval do Rio de Janeiro no dia 12 de janeiro, formando o Grupo Tarefa 701.1 (GT 701.1). Cerca de 2.000 militares foram distribuídos em seis navios, a corveta V-34 Barroso, o navio doca multipropósito NDM G-40 Bahia, o navio desembarque de carros de combate NDCC G25 Almirante Sabóia, o navio tanque G-23 Almirante Gastão Motta, as fragatas tipo 22 F-46 Greenhalg e F-49 Rademaker. Também participaram o submarino S-30 Tupi e as aeronaves UH-12, UH-15, SH-16, AF-1 da Marinha do Brasil (MB), mais as aeronaves A-1 AMX, P-95 Bandeirulha e Lockheed P-3AM Orion da Força Aérea Brasileira (FAB). A Diálogo foi convidada pela Marinha do Brasil (MB) a participar como observadora do exercício e ficou embarcada no navio Almirante Sabóia. Durante a Aspirantex 2017, foi concluída mais uma etapa de adestramento dos navios e tripulações. Ao mesmo tempo, os 203 aspirantes da Escola Naval da MB destacados na comissão (2º ano) fizeram suas escolhas de corpo e habilitação após vivenciarem na prática tarefas aprendidas na vida acadêmica. Durante a 1ª fase da viagem, os participantes realizaram exercícios de postos de abandono, controle de avarias, tiro sobre granada iluminativa, manobras táticas diurnas, transferência de carga leve, light line noturno, navegação astronômica, simulação de ataque submarino, demonstração de mastros e periscópios de submarino, operações aéreas e fast rope. No dia 19 de janeiro, o GT 701.1 alcançou o estuário do Rio da Prata, dividindo-se em dois grupos de belonaves: um grupo zarpou para Mar del Plata, na Argentina, e o outro para Montevidéu, no Uruguai, realizando assim os primeiros portos durante a 2ª fase da Aspirantex 2017. A partir de 23 de janeiro, foi iniciada a 3ª e última fase, a volta do GT 701.1, novamente reunido, ao Rio de Janeiro. Treinamento de “pregos” Os diversos exercícios, divididos por área de interesse, tiveram como objetivo treinar a reação das tripulações em todos os navios. Estas “reações” são conhecidas pelo termo “prego” entre os membros da MB. De uma avaria na giro (que simula uma falha na agulha giroscópica), ou uma avaria no leme (simulação de falha no sistema de governo), passando por comunicações por bandeiras (sem realizar emissões de ondas eletromagnéticas), até o difícil controle de avarias, combate a incêndios e alagamentos em compartimentos sensíveis, tudo foi avaliado. Os pregos podem ser disparados a qualquer momento do dia ou da noite, sem aviso prévio. Antes do retorno ao Rio de Janeiro, os navios atracaram em dois portos no estado de Santa Catarina (Itajaí e São Francisco do Sul). Durante a permanência, ocorreu uma missão sabotex (teste da segurança de bordo), atividade que simula uma infiltração de pessoa não autorizada no navio com o fim de lhe causar danos ou incapacitá-lo. Visitação pública Ainda na fase de porto, foi promovida a visitação pública com o objetivo de aproximar a população à MB. Cerca de 7.800 pessoas visitaram o navio Bahia e as fragatas Rademaker e Greenhalg. Dentre as atividades realizadas após a saída desses portos, ocorreu a desatracação em postos de combate (ameaças assimétricas), transferência de carga leve diurna e noturna, transferência de óleo no mar pela popa e a contra bordo, transferência de água no mar, reabastecimento de helicóptero em voo, recolhimento de náufrago por meio de helicóptero, homem ao mar, vertrep e pick up, manobras táticas noturnas e Search and Rescue por aeronave. Outro exercício realizado nos navios dotados de convoo, como o G-25, foi o de crache, onde é simulado um pouso forçado seguido de incêndio na aeronave, que recebe o apoio da tripulação –especializada em operações aéreas– para controlar o fogo e socorrer os aviadores. Lançamento real de torpedo Um destaque da Aspirantex 2017 foi o primeiro lançamento real de torpedo Mk 46 Mod 5 por helicóptero SH-16 Seahawk da MB. Para realizar a missão, foi executado todo o procedimento deep com bola na água (voo pairado com hidrofone arriado) e, após detectar o alvo, recolheram o equipamento para bordo e empreenderam a corrida de ataque a grande velocidade, momento em que o torpedo é lançado. A operação foi um sucesso, confirmando a operacionalidade plena do SH-16 como um sistema de armas. Recentemente, o mesmo modelo já havia disparado o míssil antinavio de guiamento infravermelho Kongsberg Penguim contra um casco desativado da Marinha, comprovando sua habilidade de incapacitar o navio. Com o objetivo de treinar os operadores de sistemas mísseis das fragatas e os artilheiros dos navios do GT 701.1, também foram realizados dois ataques aéreos: o primeiro executado por aeronaves da FAB –o A-1 AMX de Santa Maria e o P-95 Bandeirulha de Florianópolis– e o segundo por jatos de combate AF-1 Falcão da MB. Na ocasião, os aspirantes puderam testemunhar a importância do poder aéreo oferecido pela aviação naval e vibraram com passes baixos de dois caças A-4 Skyhawk sobre os navios, antes de voltarem para a Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro. O dia mais importante para os mais de 200 aspirantes embarcados foi 26 de janeiro, quando decidiram o rumo de suas carreiras ao optarem por entrar para o Corpo da Armada, Corpo de Fuzileiros Navais ou Corpo de Intendentes. Após três semanas, o exercício foi encerrado no dia 2 de fevereiro.
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