Novo Centro de Fusão de Informações da Amazônia para a segurança regional

Nas selvas e rios da Amazônia, a luta contra o crime transnacional se intensifica. Durante décadas, organizações criminosas exploraram a vasta rede de rios e densas selvas da região, para realizar atividades ilícitas, desde o tráfico de drogas e armas até a mineração ilegal. Agora, um novo nível de cooperação foi alcançado nessa luta. O Centro de Fusão de Informações da Amazônia, um centro de colaboração para o intercâmbio de inteligência, está fornecendo a quatro nações o conhecimento crucial para enfrentar essas ameaças persistentes.

O centro, liderado de Putumayo pela Marinha Nacional da Colômbia, une as marinhas do Brasil, Colômbia, Equador e Peru, em um esforço estratégico para combater ameaças criminosas comuns. A inteligência fornecida pelo centro já produziu resultados significativos. Por exemplo, no final de agosto, foi apreendida em Putumayo uma tonelada de maconha com destino ao Brasil e, em julho, outras duas operações desmantelaram organizações criminosas transnacionais, dedicadas ao narcotráfico e ao transporte de insumos para a produção de alcaloides, na bacia do Amazonas.

“A importância dessa colaboração e integração com outras marinhas reside principalmente nos diversos fatores de instabilidade em comum, que afetam os quatro países”, disse à Diálogo a Força Naval da Amazônia (FNA) da Marinha da Colômbia. 

Histórico de sucessos

Em uma operação realizada com a Polícia Federal do Brasil no rio Puré, as forças de segurança apreenderam uma embarcação com seis motores fora de borda, que transportava 1 tonelada de cloridrato de cocaína, 5,5 toneladas de maconha, além de várias armas e munições.

Em outra ocasião, o Exército Equatoriano, utilizando informações de inteligência do centro, apreendeu mais de 48.900 litros de acetona e 575 quilos de insumos sólidos para a produção de narcóticos. A operação também resultou na captura de três cidadãos equatorianos e um colombiano.

A missão: conhecer o inimigo

A missão do centro é analisar, integrar e divulgar informações de inteligência aos comandos operacionais, o que permite que as forças compreendam melhor o inimigo comum e suas dinâmicas criminosas.

“A Marinha da Colômbia, por meio da FNA, vem desenvolvendo uma estratégia de cooperação internacional para combater ameaças transnacionais em operações conjuntas e combinadas com Brasil, Equador e Peru, por meio do Centro de Fusão de Informações da Amazônia”, informou o Vice-Almirante Javier Alfonso Jaimes Pinilla, comandante da FNA. De acordo com a FNA, o principal objetivo do centro é ser uma referência de liderança e coordenação eficaz na luta contra a instabilidade na Amazônia.

Desde sua criação, em junho de 2024, o centro realizou operações contra diferentes crimes, que resultaram na rendição de 22 pessoas de diferentes nacionalidades e na interdição de cinco embarcações com cargas ilegais, entre outros resultados. Além disso,

contribuiu para a destruição de infraestruturas ilegais, como dois laboratórios de pasta base de cocaína, três acampamentos e dois esconderijos, e para a apreensão e destruição de mais de 10 toneladas de estupefacientes, entre maconha e cocaína, e precursores químicos para a produção de alcaloides, bem como de várias armas de fogo e munições e a captura de três pessoas, informou a FNA.

“Essa cooperação internacional permite que, por meio de diferentes capacidades humanas e tecnológicas, sejam fornecidas informações e análises no terreno sobre crimes ambientais, contrabando, tráfico de drogas, extorsão e sequestro, mineração ilegal, terrorismo, tráfico de armas, crimes cibernéticos, ataques armados à população civil [e] crimes transnacionais”, destacou a FNA. “A complexidade de realizar operações nessa região amazônica permitiu que ela seja uma peça-chave e de inteligência dominante para proporcionar resultados contundentes em benefício dos interesses e da preservação dessa importante região para Brasil, Colômbia, Equador e Peru.”

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