Entrevista com o Vice-Almirante Joseph D. Kernan

Interview With VADM Joseph D. Kernan

Por Dialogo
julho 20, 2011


O Vice-Almirante Joseph D. Kernan assumiu as funções de subcomandante militar do Comando Sul dos EUA em maio de 2011 e, desde então, embarcou num tour quase ininterrupto pela região da América Central, América do Sul e o Caribe, com a qual irá lidar de perto nos próximo anos. O ex-comandante da 4ª Frota Americana se organizou para estar no Brasil exatamente no momento em que o país sedia os 5° Jogos Mundiais Militares e aproveitou para conversar com Diálogo sobre este grande evento.

Diálogo – De que maneira os Jogos Mundiais Militares promovem cooperação de segurança na região?

Vice-Almirante Joseph D. Kernan: Trazer atletas e delegações de mais de 100 países para competições desportivas oferece interação pessoal que constrói amizades e as relações entre aqueles que servem à segurança e ao bem estar de suas respectivas nações. Muitos serão os futuros líderes em seus países e dentro de organismos militares. As relações estabelecidas em eventos dessa natureza servem para estabelecer a confiança e a segurança para que trabalhem juntos para atingir interesses comuns. O Brasil nomeou estes os “Jogos da Paz”, ressaltando a noção de que o tema coletivo para nossas forças armadas é a segurança mundial e a paz. Como podemos nos envolver em competições amigáveis, podemos também ser parceiros e promover um mundo mais seguro e pacífico.

Diálogo – Qual a importância para a região o fato de os JMM serem realizados pela primeira vez num país latino-americano (Brasil)?

Vice-Almirante Joseph D. Kernan: Realizar os jogos nesta região, e especificamente no Brasil, oferece ao mundo uma oportunidade de experimentar a hospitalidade brasileira e melhor apreciar a importância da região no ambiente global. O alto valor que o Brasil e a região colocam na construção de relações que contribuem para a paz global, a prosperidade e a diversidade cultural irá ressoar em todas as nações participantes. Além disso, como eu acabei de mencionar, com o tema dos “Jogos da Paz”, isso demonstra ainda mais precisamente o que o Brasil tem mostrado a todos nós tanto nacional como internacionalmente – que um exército forte pode promover a paz através de uma aplicação efetiva do “soft power”. Então, que lugar poderia ser mais adequado para realizar estes Jogos que no Brasil, particularmente à medida que o país continua a emergir como um líder global?

Diálogo – Para os atletas militares americanos, qual a importância dos JMM e como se sentem tendo a oportunidade de competir e trocar experiências com seus parceiros da região?

Vice-Almirante Joseph D. Kernan: Um evento desta natureza é tanto uma oportunidade para se conectar com colegas e estabelecer relações pessoais como é também uma competição amigável. As competições vão acabar, mas as relações de respeito mútuo conquistadas através do esporte perdurarão e, provavelmente, oferecerão oportunidades profissionais produtivas e de segurança no futuro. Estamos primeiro interligados através de nossa profissão, servindo aos interesses de segurança de nossas nações. Interação pessoal só vai fomentar a nossa capacidade de trabalhar em conjunto por interesses comuns. Tendo participado no CISM como um jovem oficial, eu me lembro mais da camaradagem com os outros atletas de vários países, incluindo o Brasil e outros da região, do que dos resultados reais da competição.

Diálogo – Os EUA participaram do Plano de Viagem Solidária, cooperando com assentos em seus aviões militares, ajudando assim outros países que, do contrário, não poderiam participar nos JMM. Que outras medidas – se houve – os EUA tomaram para auxiliar outros países da região com relação aos Jogos?

Vice-Almirante Joseph D. Kernan: Estamos sempre abertos para colaborar com outros países para garantir o sucesso de eventos desta natureza. De fato ajudamos a fornecer o transporte para atletas de várias nações da região para que eles pudessem competir e experimentar os muitos benefícios destes Jogos Mundiais Militares. Estávamos muito dispostos a prestar apoio de transporte aéreo para estas nações para que pudessem competir quando, de outra forma, talvez não pudessem fazê-lo por falta de transporte. Quanto mais países participarem, mais benefícios para todos. O Brasil tem feito um trabalho extraordinário orquestrando todos os aspectos deste evento internacional, que hospeda cerca de 9.000 atletas e com espectadores previstos em cerca de 400.000. O Brasil criou o palco para os “Jogos da Paz”; cabe agora aos países participantes colher os benefícios.

Diálogo – Há planos de os EUA serem a sede dos JMM num futuro próximo?

Vice-Almirante Joseph D. Kernan: Não tenho conhecimento de quaisquer planos para os EUA de receber os Jogos no futuro. Nós, certamente, desfrutamos participar em países fora dos EUA e, assim, colher os benefícios de experimentar diferentes culturas e expandir as relações com o país sede e os países concorrentes. Mas estou certo de que se alguma vez viermos a ser a sede, vamos olhar para a excelente organização e execução desses Jogos no Brasil como um modelo a seguir.



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