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Entrevista com o chefe do Estado-Maior Conjunto do Chile, General Hernán Mardones Ríos

Interview with the Chief of the Chilean Joint General Staff, General Hernán Mardones Ríos

Por Dialogo
novembro 14, 2011


Os chefes da Defesa de vários países sul-americanos reuniram-se em Santiago, Chile, para a 3ª Conferência Anual de Defesa Sul-Americana (SOUTHDEC), em setembro. Com o copatrocínio das Forças Armadas do Chile e do Comando Sul dos EUA, a edição 2011 da conferência teve como enfoque o apoio militar à assistência humanitária e a resposta a desastres. Abaixo, a entrevista realizada por Diálogo com o chefe do Estado-Maior Conjunto do Chile, General-de-Divisão Hernán Mardones Ríos.

DIÁLOGO: General, quem tem a responsabilidade de organizar o recebimento e a distribuição de toda a ajuda humanitária que chega a um país depois de uma catástrofe?

General Hernán Mardones Ríos: Creio que em um país como o Chile, a responsabilidade seja das autoridades políticas em seus respectivos níveis. A nível nacional, sem dúvida, o presidente da República e o ministro do Interior, que é o executor, o responsável pelas situações de emergência, de catástrofes ou de desastres naturais. A nível municipal, existem os prefeitos, que não são representantes do presidente; são eleitos pelo povo e, consequentemente, são o contato mais direto que o sistema de administração do Estado tem em relação ao povo. Assim sendo, toda a cadeia de autoridades políticas: presidente da República, ministro do Interior, administradores e governadores são aqueles que supostamente devem tomar as decisões no Chile.

DIÁLOGO: Então, o que está acontecendo dentro das Forças Armadas?

General Mardones: As Forças Armadas são instituições permanentes da República, existem para a defesa da pátria e para a manutenção da integridade territorial, portanto sua missão é a preparação para enfrentar as crises internacionais ou um conflito armado. No entanto, a explicação para o emprego das Forças Armadas em situações de catástrofes é sua capacidade, não é uma solicitação do uso da força militar para poder atuar em uma catástrofe. É uma solicitação para utilizar e selecionar um menu de capacidades que têm as Forças Armadas do Chile para trasladar, para fazer o que for necessário de acordo com as características da situação que ocorre em um determinado lugar. O Chile é um país que vez por outra sofre desastres naturais. Em consequência, é um país que precisa estar preparado para as emergências, as catástrofes, os desastres naturais.

Em situações extremas, o governo decreta Estado de Emergência Constitucional, o que permite o emprego das Forças Armadas. E é com base nesse Estado de Emergência que as Forças Armadas reagem, coordenadas pelo Estado-Maior Conjunto.

DIÁLOGO: O terremoto de 2010 mudou para sempre a maneira como a população vê suas Forças Armadas?

General Mardones: Sim. Foi uma atuação onde não se escreveu um só papel, não se disparou um só tiro e não houve uma só morte. E creio que essa capacidade das Forças Armadas chilenas, de serem capazes de se deslocar desta maneira, é uma capacidade pela qual devemos agradecer também à participação de nossas forças nas operações de paz. Aos sete anos que passamos no Haiti, em Chipre, na Bósnia-Herzegóvina, no Kosovo, no Oriente Médio, porque essas operações de paz permitem que nossos quadros profissionais de soldados e oficiais enfrentem situações desta natureza. Nesse sentido, são campos de treinamento para nossas tropas. Nossos soldados vão a essas operações e mudam a maneira como enfrentam a situação que já não é meramente de treinamento militar, e sim uma forma de se relacionarem com as pessoas atingidas, com pessoas que são parte de um desastre e, além da autoridade militar, é necessário também que haja níveis de compreensão, níveis de afeto, de humanidade, níveis de carinho e ajuda humanitária.

DIÁLOGO: General, na conferência falou-se sobre a possível criação de um organismo, em um determinado país, que se responsabilizasse pela distribuição da ajuda humanitária por parte das nações da região, de maneira conjunta. Por toda essa experiência, pelo profissionalismo das Forças Armadas do Chile, o senhor vê seu país como um líder natural para encabeçar esse organismo, caso ele seja criado?

General Mardones: Acredito que a intenção seja fazer convergir os esforços e informações em um sistema que nos permita colaborar da melhor maneira possível com o país atingido. Porque as reações a uma situação de emergência, catástrofe ou desastre natural são distintas em cada país, dependendo de sua idiossincrasia, dependendo de sua legislação, dependendo de seus governantes e dependendo das possibilidades de apoio que têm e da relação com os diversos países do mundo. Em consequência, não se pode restringir esta atuação a um procedimento comum que se aplique de qualquer maneira a qualquer país, porque ele está estruturado aqui sob a tutela da Junta Interamericana de Defesa, da UNASUL ou de qualquer outro organismo que o esteja liderando. A intenção é oferecer, nesse momento, as melhores condições de informações para que, tal como explicamos na reunião, não nos chegue um caminhão com molho de tomate sem que jamais chegue o talharim.

DIÁLOGO: E como o senhor vê a participação dos EUA em tudo isto?

General Mardones: Creio que a relação que nós [o Chile] temos com os EUA e com o Comando Sul dos EUA seja muito forte; sem dúvida, eles sempre estiveram prontos para colaborar nos momentos mais difíceis pelos quais os países da América repentinamente tiveram que passar. Não há a menor dúvida de que recebemos a ajuda no momento oportuno, especialmente em comunicações e outros elementos críticos. Os EUA estavam no Haiti no terremoto, lembro-me do porta-aviões Vinson, o qual tive a oportunidade de visitar, dos navios que também enviaram, do navio hospital Comfort, portanto o papel dos EUA se destaca em tudo isto, por sempre tentarem estar presentes nesses momentos difíceis.

O comandante do Comando Sul dos EUA está tentando aproveitar essas experiências nos diversos países da América para fazer convergir esses esforços em um sistema, em um procedimento, em uma maneira de atuar que nos sirva para buscar essa racionalidade nos piores momentos de crise que as nações possam viver. Portanto, é preciso reconhecer o papel dos EUA.



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