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Entrevista com o Contra-Almirante Germán González Reyes, encarregado da Chefatura de Ação Integral Conjunta do Comando Geral das Forças Militares da Colômbia

Interview with Rear Admiral Germán González Reyes of the Colombian Armed			Forces

Por Dialogo
setembro 20, 2011



Imagens de soldados que constroem uma estrada em uma localidade recôndita da
campina colombiana, fotos de membros desmobilizados das FARC e rostos sorridentes de
crianças que se aglomeram para assistir a uma sessão de cinema no parque popular são
características da estratégia de Ação Integral, parte da Política de Consolidação de
Segurança Democrática da Colômbia.

Durante uma visita ao Comando Sul dos Estados Unidos em Miami, Flórida, em
setembro de 2011, o Contra-Almirante Germán González Reyes, encarregado da Chefatura
de Ação Integral Conjunta do Comando Geral das Forças Militares da Colômbia,
conversou com Diálogo sobre as conquistas e desafios de uma estratégia que permitiu
a seu país avançar em termos de segurança e bem-estar social, conquistando um lugar
de vanguarda na América Latina.


DIÁLOGO: Por que foi criada a estratégia de Ação Integral, e em que ela
consiste?


Contra-Almirante Germán González Reyes: A Ação Integral é uma
ponte entre as instituições encarregadas da segurança e a parte social. Seu objetivo
fundamental é a coordenação das agências e instituições estatais, para que elas
atuem em conjunto e integradas em todo o território nacional, nos âmbitos social,
econômico, político e militar, garantindo com isto o império da lei, a recuperação
social do território, a aplicação efetiva do estado social de direito e a
neutralização dos grupos armados à margem da lei.

Por exemplo, a Ação Integral Geral também conta com emissoras de rádio
através das quais conseguimos atingir regiões afastadas do país, bem como com grupos
especiais de operações psicológicas (GEOS) que levam uma mensagem de aproximação à
população, como parte das operações militares.

O amplo conceito de cooperação civil e militar começa a se desenvolver na
Colômbia durante a administração do Presidente Gustavo Rojas Pinilla, no momento em
que se delegou às forças militares o poder e a capacidade de assistir socialmente as
comunidades mais vulneráveis, atuando como coadjuvantes na solução de algumas
necessidades básicas. Iniciou-se assim o conceito primigênio de Ação Cívico-Militar,
cujo objetivo final era a obtenção do apoio e do respaldo da população camponesa. A
partir de 2002 a Política de Segurança Democrática desenvolve plenamente a Ação
Integral, fortalecendo uma ferramenta que conjuga o esforço coordenado e sinérgico
do uso da força legítima.


DIÁLOGO: Existe algum tipo de acordo com empresas privadas?


Contra-Almirante Germán González Reyes: Sim. A Ação Integral
Coordenada trabalha com as outras instituições do Estado e com empresas privadas
para levar certas soluções para a população. Realizamos jornadas de apoio ao
desenvolvimento, as quais consistem em levar médicos clínicos gerais, especialistas,
fornecer medicamentos, internações em hospitais, enfim, buscamos a participação das
empresas comerciais através de medicamentos e dos mesmos médicos que as
assistem.

Temos por último a Ação Integral Resolutiva, que desenvolve e apoia o Plano
Nacional de Consolidação. No momento estamos selecionando 54 municípios que estão
atualmente em processo de estabilização, ou seja, o Estado se fará presente com
segurança, projetos de desenvolvimento, projetos produtivos, de educação,
saúde… para transformar esses pontos vermelhos em pontos amarelos e,
posteriormente, em verdes.



DIÁLOGO: Quais foram algumas das conquistas do plano de Ação Integral desde
seu início, em 2002?


Contra-Almirante Germán González Reyes: Há um exemplo que
citamos com muito orgulho: os Montes de Maria. Trata-se de uma área localizada no
norte do país onde, anos atrás, grupos marginais se faziam presentes. Houve um
deslocamento da população dessas regiões devido à insegurança. Desenvolveu-se um
plano estratégico de Ação Integral, e todos os grupos à margem da lei foram
desarticulados na região. Conseguimos manter a presença do Estado através da
construção de estradas que serviam de comunicação entre vários municípios e
fomentaram-se os cultivos legais, tais como o abacate. A Marinha Nacional serviu
como uma ponte, garantindo a segurança, facilitando a agricultura e permitindo que a
empresa privada chegasse à região para comprar os produtos cultivados. Hoje a
população voltou a suas casas, está plantando, e o ambiente de segurança já é
outro.

Podemos também mencionar o caso da região da Força Tarefa Ômega, ou a
Macarena, onde estamos realizando um projeto igual. Havia ali grupos marginais. Foi
ativada a Força Tarefa Conjunta Ômega, recuperaram-se os níveis básicos de segurança
e depois começou a chegar o Estado. Hoje já foram construídos estradas, escolas e
centros de saúde, já existem programas produtivos que dão à população alternativas
para fazer cultivos lícitos ao invés dos ilícitos, como a coca.


DIÁLOGO: Como é feito o combate ao narcotráfico dentro da estratégia de Ação
Integral?


Contra-Almirante Germán González Reyes: Os grupos marginais e o
narcotráfico sempre geram insegurança nas regiões onde estão. A Ação Integral não
combate o narcotráfico como tal; no entanto, é uma ferramenta das forças militares
que apoia as operações militares antes, durante e depois (sinergia institucional).
Quando o Estado chega com a presença das forças militares, quando garante a
segurança e propõe ao camponês que troque o cultivo da coca pelo da banana, e lhe dá
opções para que ele possa colher e vender, está fazendo com que os cultivos ilícitos
de drogas comecem a diminuir.


DIÁLOGO: A Colômbia tem um papel de vanguarda na América Latina no que se
refere a esses tipos de estratégias. Como pode esse exemplo servir aos demais
países da região?


Contra-Almirante Germán González Reyes: Vários países nos
visitaram com a finalidade de conhecer nossos procedimentos da Ação Integral e a
parte operacional em geral. Atualmente estamos dando apoio a países da América
Central e ao México. Realizamos oficinas, palestras, capacitações e reuniões dentro
do tema da Ação Integral, onde explicamos nossos procedimentos e geramos um ambiente
de cooperação e assessoria na estruturação de uma Doutrina de Ação
Integral.

Da mesma forma, construímos em conjunto um panorama de ação integral nos
diferentes países limítrofes ou do continente americano, estabelecendo linhas de
ação unilaterais e conjuntas que levam em conta as assessorias nas questões de
assuntos civis e, em geral, da ação integral.



DIÁLOGO: Como os Estados Unidos e a Colômbia colaboram para o fortalecimento e
o desenvolvimento da estratégia de Ação Integral?


Contra-Almirante Germán González Reyes: Sempre contamos com a
colaboração e o apoio dos Estados Unidos em capacitação e equipamentos. Posso dizer
que atualmente estão sendo desenvolvidos projetos para evitar o recrutamento de
crianças e adolescentes. Os Estados Unidos têm um compromisso de cooperação com a
Chefatura de Ação Integral Conjunta para desenvolver diversas ferramentas
coadjuvantes para evitar o recrutamento forçado e a desmobilização de integrantes
dos grupos armados militares, através de operações de informação para dar
cumprimento aos objetivos da ação integral.

Doze companhias de Ação Integral foram treinadas em associação com o governo
dos Estados Unidos, as quais buscarão posicionar os conceitos de legitimidade,
fortalecimento da imagem institucional e aproximação da população civil a nível
operacional e tático com as Forças Militares, no momento em que se está na quarta
geração de guerra.


DIÁLOGO: Qual é o desafio mais importante de sua chefatura neste
momento?


Contra-Almirante Germán González Reyes: Temos o desafio
permanente de tentar incrementar a aceitação e a confiança nas forças militares
entre a população. Atualmente as forças militares são a primeira instituição em
aceitação, de acordo com pesquisas realizadas em nível urbano e rural. Manter e
melhorar isto é uma meta. Em segundo lugar, conseguir aumentar a desmobilização e
fazer com que o recrutamento forçado por parte dos grupos armados marginais diminua;
e ainda, continuar o cumprimento dos objetivos propostos, auxiliando as operações
militares, elaborando ferramentas de neutralização das ameaças multidimensionais e
conjunturais, aumentando a capacidade de se prevenir diante dessas ameaças. Além
disto, é importante para a chefatura continuar desenvolvendo estratégias a longo
prazo, combater os ataques à legitimidade do Estado e posicionar o país como líder e
pioneiro nas operações de informação na América Latina para gerar uma oferta de
cooperação internacional técnica.



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