Honduras tenta impedir a entrada de cocaína proveniente da Venezuela

Honduras tenta impedir a entrada de cocaína proveniente da Venezuela

Por Kay Valle/Diálogo
dezembro 04, 2020

No dia 21 de outubro, a Força Aérea Hondurenha, ao receber inteligência da Colômbia, interceptou uma pequena aeronave no município de Brus Laguna, no estado de Gracias a Dios, proveniente da Venezuela, informou o Ministério Público de Honduras em um comunicado. Ao todo, as autoridades contabilizaram mais de 200 quilos de cocaína que a aeronave transportava.

O caso, segundo o Ministério Público, está relacionado ao de uma pequena aeronave que caiu no dia 13 de outubro na mesma região, onde morreram seus dois tripulantes. O avião, com 30 kg de cocaína, também vinha da Venezuela, de acordo com o jornal La Prensa.

Entre janeiro e outubro de 2020, as autoridades hondurenhas detiveram oito aeronaves do narcotráfico e confiscaram 1,6 tonelada de cocaína, a maioria em Gracias a Dios. (Foto: Forças Armadas de Honduras)

Como disse à Diálogo o 1º Tenente do Exército José Antonio Coello, oficial de Comunicações das Forças Armadas de Honduras, a maioria das pequenas aeronaves de narcotráfico interceptadas no transcurso deste ano em território hondurenho – até 21 de outubro foram oito, precisou – vinham da Venezuela. Em entrevista ao jornal El Nacional, Claudio Sandoval, embaixador do presidente interino da Venezuela Juan Guaidó em Honduras, manifestou uma opinião similar.

“Quase todos os aviões com drogas que pousam em Honduras provêm da Venezuela e são do Cartel dos Sóis”, disse Sandoval a El Nacional. “A América Central é importante e ideal para o Cartel dos Sóis.”

Sandoval explicou que os narcotraficantes tentam pousar em território hondurenho para em seguida transportar a droga por via terrestre ou marítima até Guatemala, México e Estados Unidos. As autoridades hondurenhas disseram que a maioria dos voos ilícitos detectados passaram pelo estado de Gracias a Dios, na fronteira com a Nicarágua, uma zona de selva, despovoada e de difícil acesso.

De acordo com o Relatório Estratégia Internacional de Controle de Narcóticos 2020 do Departamento de Estado dos EUA, estima-se que em 2019 4 por cento da cocaína (ou 120 toneladas) procedente da América do Sul tenha passado por Honduras por via aérea ou marítima. O relatório também destaca Gracias a Dios como uma zona particularmente vulnerável ao narcotráfico, por ser isolada e dispor de pouca infraestrutura.

“Gracias a Dios tem 15.000 quilômetros quadrados e é uma área favorita dessas estruturas [do narcotráfico], porque tem muitas rotas fluviais e fronteiras marítimas”, acrescentou o 1º Ten Coello.

Segundo o oficial, as instituições nacionais reforçaram o combate ao narcotráfico em Gracias a Dios, o qual tem sido particularmente “bem-sucedido nas operações e apreensões” por via aérea nos últimos meses.

No dia 9 de outubro, as Forças Armadas disseram que apreenderam uma aeronave do narcotráfico carregada com cocaína na zona de Brus Laguna, em Gracias a Dios. No dia 24 de agosto, a Força Aérea Hondurenha anunciou a interceptação de uma pequena aeronave carregada com 489 kg de cocaína no município de La Mosquitia, em Gracias a Dios. No dia 20 de julho, as autoridades hondurenhas confiscaram 806 kg de cocaína em um avião pequeno também na região de Brus Laguna, informou o Ministério Público em um comunicado.

Das mais de 3 toneladas de cocaína apreendidas entre janeiro e outubro, segundo dados do 1º Ten Coello, mais de 1,6 tonelada foi confiscada em operações usando ativos aéreos que facilitaram a interdição terrestre e marítima. “Até a presente data já foram desabilitadas 30 pistas clandestinas de pouso em Gracias a Dios; com essas ações, impede-se a entrada de aeronaves em território nacional”, disse o 1º Ten Coello.

O oficial enfatizou a importância do intercâmbio de inteligência e do apoio de países da região na luta contra o narcotráfico. “O esforço institucional com o apoio da Colômbia, dos Estados Unidos, bem como das operações trinacionais com a Guatemala, El Salvador e Nicarágua, são muito importantes para combater os flagelos que ameaçam a região”, concluiu.

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