Honduras sedia curso de ajuda humanitária regional

Honduras Hosts Regional Humanitarian Aid Course

Por Kay Valle/Diálogo
junho 25, 2018

Oficiais das forças armadas centro-americanas aprimoraram seus conhecimentos e padrões de resgate, participando de um curso regional em Honduras. Durante quase um mês, oficiais militares de cada país membro da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas (CFAC) participaram de um curso de treinamento em resgate aquático e primeiros socorros, entre outras atividades.

Cerca de 30 membros das Unidades Humanitárias e de Resgate (UHR) da CFAC participaram do Curso Integrado de Ajuda Humanitária IV. O curso foi realizado entre 22 de abril e 18 de maio de 2018 no Centro de Adestramento Regional de Ajuda Humanitária (CARAH) das Forças Armadas de Honduras, localizado em Tegucigalpa.

O objetivo do curso foi o de treinar os oficiais para prestar assistência básica a feridos, bem como avaliar os danos, as necessidades e os métodos para o fornecimento de materiais como água, medicamentos e produtos de higiene básica. Além disso, o curso consistiu em provas de resistência em águas paradas e abertas, além de exercícios de resgate em espaços confinados. Segundo o Capitão-de-Mar-e-Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais Mario Alberto Matute Pacheco, comandante da UHR-Honduras, o benefício do curso é o de “ter pessoal altamente qualificado, treinado e especializado para auxiliar a população da região em caso de desastres naturais e antropogênicos.”

Um curso exigente

“Cada país membro da CFAC é responsável por fazer um treinamento prévio de resgate”, explicou o CMG Matute. “Dessa forma, selecionam as pessoas ideais para participar do curso, de acordo com os requisitos e as exigências de cada curso.”

O curso teórico-prático foi dividido em quatro temas principais, que incluíram exames e cenários simulados. No término do curso, os oficiais comprovaram o alto nível de preparação das UHR da CFAC.

O primeiro tema foi focado em primeiros socorros básicos e ajuda psicológica. O objetivo dos militares foi o de conservar a vida do acidentado e evitar que o paciente ou o resgatador tenha complicações físicas ou traumas mentais.

“É a parte básica de conhecimento que qualquer resgatador que for atuar em grupos de resgate e psicológicos deve ter”, disse à Diálogo o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Força Armada de Honduras José Domingo Meza, diretor de Relações Públicas das Forças Armadas. “Há situações nas quais [os resgatadores] encontram pessoas sem os membros, deformadas e que, depois de efetuarem os resgates, ficaram com trauma. Esses [também] precisam de primeiros socorros psicológicos.”

Os temas seguintes incluíram fornecimento de materiais, avaliação de danos e análise de necessidades. “Esta é a ajuda humanitária, quando é recebida, como é administrada e como é controlada”, disse o CMG Meza.

O ensinamento teórico foi focado nas operações posteriores a um desastre, no restabelecimento dos serviços básicos e na instrução para realizar resgates em espaços confinados. Os cenários simulados incluíram estruturas desabadas, tanto leves como de maior porte, para que os participantes pudessem praticar como entrar e sair carregando todo o seu equipamento.

Também houve provas de resistência em piscinas e em corredeiras, além de resgate marítimo. Os participantes viajaram até La Ceiba, na região de Atlântida, na costa caribenha de Honduras, para treinar nas corredeiras do rio Cangrejal e terminar com um exercício em mar aberto no Caribe. “Cada um dos estudantes foi treinado e conscientizado de que eles dependem de si mesmos para sobreviver e resgatar outras pessoas”, destacou o CMG Matute.

Ameaças frequentes

Devido à sua localização geográfica, a América Central é propensa a desastres naturais como tormentas tropicais, transbordamentos de rios, deslizamentos de terra, erupções vulcânicas e terremotos. Em seu Informe Regional do Estado da Vulnerabilidade e Riscos de Desastres na América Central 2014, o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres indica que as ameaças se apresentam com uma tendência de maior frequência e intensidade.

“Como países propensos a desastres naturais e antropogênicos, foram criadas as UHR de cada país membro [da CFAC]”, disse o CMG Matute. “Era evidente a necessidade de treinar pessoas a fim de manter a prontidão operacional e de padronizar critérios de resgate, de acordo com as normas internacionais.”

O curso de ajuda humanitária é realizado duas vezes por ano entre os meses de abril e maio, além de agosto, para coincidir com a temporada de chuva e de furacões. Criado em 2014, o CARAH capacitou mais de 370 pessoas, entre civis e militares membros da CFAC, que inclui El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Honduras e República Dominicana.

“Por meio do CARAH-Honduras-CFAC geram-se doutrinas, conhecimentos e recursos humanos da mais alta qualidade em assistência humanitária, em caso de desastres naturais ou antropogênicos, para salvaguardar a vida humana e propiciar o desenvolvimento sustentável da região”, concluiu o CMG Meza. “Quando os oficiais retornam a seus países, cada um deles se torna um agente multiplicador, porque eles transmitem o aprendido a seus companheiros em suas respectivas unidades humanitárias e de resgate.”
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