Haiti prepara-se para garantir a própria segurança após o fim da missão da ONU

Haiti Prepares to Provide Own Security Following End of UN Mission

Por Dialogo
março 02, 2016




A Organização das Nações Unidas (ONU) analisa uma estratégia para prosseguir com sua presença no Haiti após o fim da Missão de Estabilização (MINUSTAH) no país, prevista para outubro de 2016, de acordo com o atual plano de consolidação. A MINUSTAH foi criada em 1 de junho de 2004 pela resolução 1542 do Conselho de Segurança. A missão da ONU sucedeu a Força Multinacional Provisória autorizada pelo Conselho de Segurança em fevereiro de 2004, após o exílio do presidente Jean-Bertrand Aristide como resultado de um conflito armado que se espalhou por diversas cidades do país.

O terremoto devastador de 12 de janeiro de 2010, que deixou mais de 220.000 mortos (segundo o governo haitiano), incluindo 96 integrantes das forças de paz da ONU, impôs um forte golpe à já enfraquecida estrutura econômica do país. O Conselho de Segurança, através da resolução 1908 de 19 de janeiro de 2010, apoiou a recomendação do secretário-geral de aumentar os níveis de força da MINUSTAH em apoio aos esforços imediatos de recuperação, reconstrução e estabilidade do país. O componente militar da missão é não apenas liderado pelo Exército Brasileiro, mas também chefiado por um brasileiro.

Durante a XIV Conferência de Segurança das Nações do Caribe (CANSEC), realizada em janeiro, em Kingston, na Jamaica,
Diálogo
conversou com o Inspetor Geral Lionel Trecile, chefe de Cooperação Internacional da Polícia Nacional do Haiti, sobre o futuro do país sem a MINUSTAH.

Diálogo:
Como a Polícia Nacional do Haiti (PNH) se prepara para a saída da MINUSTAH?

Inspector geral Lionel Trecile:
Desde que a resolução da ONU determinou que a atual missão no Haiti deveria se retirar gradualmente, a Polícia Nacional do Haiti estabeleceu um plano, que chamamos de Plano de Desenvolvimento 2012-2016. O programa cobre diversas áreas, incluindo o aumento da Força de Polícia Haitiana com o treinamento de grande número de policiais que poderão, progressivamente, assumir as funções com a saída das forças da ONU.

Diálogo:
O que a polícia do Haiti planeja para as regiões mais violentas, como Cité Soleil, onde a MINUSTAH foi extremamente útil ao promover a pacificação?

IG Trecile:
Há um conjunto de medidas sendo tomadas a este respeito, como o aumento do número de policiais no bairro de Cité Soleil; a criação de uma unidade de aplicação da lei, que apoia as delegacias de polícia locais; e, em terceiro lugar, a Unidade de Policiamento Comunitário do Haiti, criada recentemente e que intervém especificamente em áreas de conflito como Cité Soleil. O objetivo é que a população local possa se sentir segura com os esforços dessas várias unidades, incluindo a Unidade de Policiamento Comunitário.

Diálogo:
O Sr. considera que as gangues continuam sendo o principal problema de violência no Haiti?

IG Trecile:
Esse é um fenômeno que começa a... não digo desaparecer, mas o fenômeno das gangues teve uma queda considerável. Porque, além do trabalho realizado pelas Unidades de Policiamento Comunitário, algumas operações foram executadas com a prisão de muitos líderes de gangues. E essas operações continuam diariamente. Posso dizer que o fenômeno teve uma redução considerável, e estamos trabalhando para erradicá-lo definitivamente.

Diálogo:
Houve muita discussão sobre terrorismo na conferência (CANSEC 2016), incluindo como o terrorismo está presente na região, algo que nunca havia sido levado em consideração. Esta é uma preocupação para o Sr.?

IG Trecile:
Sim, claro que é uma preocupação para nós, especialmente por sermos o elo mais fraco da região. Nossa costa está praticamente deixada à própria sorte, e a fronteira com a República Dominicana não é muito bem monitorada. Praticamente oferecemos todas as condições para que os terroristas venham e possivelmente iniciem atividades aqui. Claro que somos um país pacífico nesse sentido, mas nossas fraquezas também são visíveis. Devemos nos esforçar para trabalhar com nossos amigos na comunidade internacional e nossos vizinhos da República Dominicana, fazendo o que for possível para evitar que essas pessoas invadam nosso país.

Diálogo:
Como avalia a relação entre o Haiti e os Estados Unidos em temas de segurança?

IG Trecile:
Com os EUA temos uma longa história de estreita cooperação, especialmente na área da guerra contra as drogas. Os EUA são nosso principal parceiro nessa guerra. Creio que isso continuará. E com respeito às gangues, como disse no início, a PNH está tentando intensificar suas forças em diversos níveis. Em termos de força de trabalho, através do Plano de Desenvolvimento 2012-2016, precisamos crescer para atingir 15.000 policiais até 31 de dezembro. Também pudemos ampliar nossas unidades de aplicação da lei em todos os departamentos, além de designar mais policiais a todas as nossas delegacias. Estamos trabalhando; sabemos que há muito a fazer, mas estávamos longe disso. Agora, estamos gradualmente trabalhando para assumir a plena responsabilidade sobre a segurança do país quando chegar o momento.

Diálogo:
A PNH planeja continuar com a troca de inteligência com os países que integraram a MINUSTAH, sobretudo o Brasil, que tem sido o maior contingente da MINUSTAH em todos esses anos?

IG Trecile:
Claro, claro. Acredito que a troca de informações é uma das áreas em que todas as agências policiais devem se concentrar atualmente. Porque o mundo se tornou uma pequena aldeia. Os crimes cometidos aqui [na Jamaica], por exemplo, podem estar sendo cometidos neste momento no Haiti. Temos de coordenar esforços. Também devemos compartilhar informações para vencer o terrorismo. Isso é extremamente importante e deve ser levado em consideração. Porque, como disse, o mundo se tornou uma aldeia e tudo o que acontece aqui pode estar ocorrendo em vários países simultaneamente. Se não coordenarmos nossos esforços, não sei se conseguiremos dar um fim ao terrorismo.
Eu acho bom todos os diálogos que possam ter para o bem de todos. Ate quando homens vao tirar a vida de homens!
Todos pelo um mundo melhor .
Fiquem com deus! É necessário ampliar os esforços reais na nova economia do século XXi , como é caso do terrorismo. é uma maneira de o Caribe ter controle legal sobre movimentos subversivos e antidrogas.
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