Forças armadas fecham rotas marítimas do narcotráfico

Forças armadas fecham rotas marítimas do narcotráfico

Por Gustavo Arias Retana/Diálogo
julho 24, 2020

Segundo o estudo COVID-19 e a cadeia de fornecimento de drogas: da produção e do tráfico até o uso, do Gabinete das Nações Unidas para Drogas e Crimes, a pandemia tem efeitos importantes nos métodos dos criminosos para transportar suas mercadorias; houve um aumento do narcotráfico por mar, em semissubmersíveis e lanchas rápidas.

“As medidas adotadas em função da COVID-19 podem aumentar o risco de interceptação quando a droga é traficada por terra, já que agora os carregamentos podem ser interceptados com maior frequência do que os traficados por outros meios de transporte”, diz o estudo. “A redução do tráfego aéreo (…) indica um aumento do tráfico marítimo de drogas e uma redução do tráfico por terra.”

Evan Ellis, professor de ciências investigativas de Estudos Latino-Americanos do Instituto de Estudos Estratégicos da Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, afirmou à Diálogo que o fortalecimento das rotas marítimas também está relacionado à quantidade de recrutas que o narcotráfico pode utilizar para transportar suas drogas por terra na região.

“O fechamento das fronteiras para as pessoas e a redução do comércio internacional diminuiu as opções dos narcotraficantes para transportar produtos usando “mulas” ou contrabando, o que forçou um maior uso de semissubmersíveis e embarcações não comerciais”, disse Ellis.

Resposta conjunta

“Torna-se fundamental o trabalho coordenado realizado pelos países da região e as Forças Armadas dos EUA para fazer frente à situação dos mares latino-americanos”, acrescentou Ellis. “A coordenação entre os países é mais importante do que nunca (…).”

Costa Rica, Colômbia e Panamá são alguns dos países que trabalham muito em coordenação com as Forças Armadas dos EUA para enfrentar o narcotráfico no mar. Por exemplo, o patrulhamento conjunto entre costarriquenhos e norte-americanos permitiu o confisco de mais de 1 tonelada de cocaína no Mar do Caribe no dia 23 de maio, e em meados de fevereiro a Marinha Nacional da Colômbia e o Serviço Nacional Aeronaval do Panamá capturaram um semissubmersível que transportava 5 toneladas de cocaína.

Por sua vez, no dia 1º de abril, o Comando Sul dos EUA iniciou operações avançadas antinarcóticos no hemisfério ocidental. Como resultado, em meados de maio, a Guarda Costeira dos EUA confiscou mais de 1.400 quilos de cocaína em uma lancha rápida nas águas internacionais do Oceano Pacífico. Além disso, o destroier USS Pinckney, que navegava no dia 16 de maio com um Destacamento de Manutenção da Ordem Pública da Guarda Costeira dos EUA, apreendeu mais de 2,7 toneladas de cocaína e, no dia 14 de maio, mais 1,4 tonelada.

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