Força Aérea do Peru comprometida com segurança espacial

Força Aérea do Peru comprometida com segurança espacial

Por Geraldine Cook
dezembro 02, 2019

O Major-Brigadeiro da Força Aérea do Peru (FAP) Raúl Hoyos de Vinatea, chefe do Estado-Maior do Peru, participou da Conferência Sul-Americana de Chefes das Forças Aéreas e Líderes Seniores, realizada na Base da Força Aérea Davis-Monthan, em Tucson, Arizona, entre os dias 4 e 8 de novembro de 2019. O Maj Brig Hoyos conversou com Diálogo sobre a cibersegurança e os crimes transnacionais que afetam seu país.

Diálogo: Por que é importante que a FAP participe da Conferência Sul-Americana de Chefes das Forças Aéreas e Líderes Seniores?

Major-Brigadeiro da Força Aérea do Peru Raúl Hoyos de Vinatea, chefe do Estado-Maior do Peru: Queremos formar uma equipe e aliança com os Estados Unidos, para poder concentrar os esforços combinados entre ambos os países e forças aéreas nos principais problemas que temos na região, como as ameaças transnacionais que, no caso peruano, são principalmente a mineração ilegal, o tráfico ilegal de drogas, o terrorismo, o crime transnacional e a corrupção.

Diálogo: A cibersegurança e o espaço foram os dois temas principais da conferência. Quais são os avanços do Peru nesse campo?

Maj Brig Hoyos: Nosso principal avanço foi a promulgação da Lei de Ciberdefesa Nº 30999, em agosto de 2019, que deu o marco legal às Forças Armadas para poder apoiar o Estado diante de ameaças ou ataques que afetem a segurança nacional e, assim, realizar operações de ciberdefesa. Nós também adquirimos por quase US$ 7 milhões todo o equipamento para o Centro de Operações de Cibersegurança e Defesa do Peru, com sede em Lima e terminais em todas as regiões aéreas do país, que começará a operar em dezembro.

Diálogo: Qual é a experiência do primeiro satélite de observação terrestre do Peru, conhecido como PeruSat-1?

Maj Brig Hoyos: O PeruSat-1 é um satélite criado para fins de segurança e defesa nacional, que também atua de maneira vital no desenvolvimento socioeconômico do país. O satélite é operado pela Comissão Nacional de Pesquisas e Desenvolvimento Aeroespacial, entidade subordinada ao Ministério da Defesa. Para os objetivos de defesa e segurança nacional, utilizamos as imagens para detectar as áreas de mineração ilegal e os acampamentos de narcoterroristas. Já economizamos mais de US$ 206 milhões em imagens processadas, pois antes comprávamos imagens de satélite.

Diálogo: Em sua apresentação, o senhor disse que a mineração ilegal é um dos maiores flagelos para a segurança do país. Há agentes estrangeiros presentes nesse delito?

Maj Brig Hoyos: A mineração ilegal na zona de Puerto Maldonado, na Amazônia, é uma ameaça transnacional. Apesar de existirem peruanos praticando mineração ilegal (que são a minoria), há uma grande quantidade de capital transnacional de agentes não estatais, os quais, através das fronteiras, ingressam as dragas e o maquinário e trabalham nos rios na exploração de ouro, o que é ilegal, contaminando a selva e causando desmatamento. As Forças Armadas do Peru já enviaram uma divisão de forças especiais à região e pretendemos manter um grupo aéreo em caráter permanente na área.

Diálogo: Uma das principais tarefas da FAP é a assistência humanitária e a ajuda em situações de desastres naturais. Como a FAP se prepara para responder a tais eventos?

Maj Brig Hoyos: Nosso treinamento inclui um bom número de horas de voo de helicópteros, aeronaves de transporte e pessoal ligado às operações de assistência em desastres. Realizamos os exercícios Asas de Esperança, onde simulamos um desastre e colocamos em prática toda nossa capacidade operacional e logística; esses exercícios são usados por outros setores do Estado para levar ajuda real às zonas de simulação de desastre. Também participamos do exercício anual Cooperação, coordenado pelo Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas.

Diálogo: Quais são as inovações tecnológicas do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Projetos (CIDEP)?

Maj Brig Hoyos: O CIDEP se concentra no projeto e na fabricação de aeronaves não tripuladas de nível tático, com um alcance médio de 100 quilômetros, e na fabricação de simuladores de aviões e helicópteros que estão sendo usados pela FAP, como os da aeronave Twin Otter e do helicóptero MI-17. Evidentemente, o CIDEP não deixa de lado os seus próprios projetos de pesquisas, como a fabricação dos sistemas de gravadores de voz para as torres de controle, entre outros.

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