Exercício Integração 2017 une 16 exércitos americanos

Exercise Integration 2017 Brings Together 16 Armies from the Americas

Por Carolina Contreras/Diálogo
julho 10, 2017

Delegações militares de 16 exércitos do continente americano, juntamente com representantes de 14 agências civis e governamentais do Chile, trabalharam diante de um cenário de catástrofes naturais no âmbito do Exercício Multinacional Integração 2017, Conferência Especializada em Operações Interagenciais. A reunião ocorreu na Academia de Guerra do Exército do Chile, em Santiago, de 20 a 23 de junho. “[O exercício] nos permitirá ter clareza para onde avançar e verificar capacidades para enfrentar cenários adversos e complexos de forma conjunta”, disse o General-de-Exército Humberto Oviedo, comandante-em-chefe do Exército do Chile, durante a cerimônia oficial. Estiveram presentes na jornada inaugural o General-de-Brigada Clarence K.K. Chinn do Exército dos EUA, comandante do Exército Sul dos Estados Unidos, e o General-de-Divisão Diego Suñer, chefe do Estado-Maior do Exército da Argentina. O exercício, organizado em conjunto pelas forças armadas da Argentina e do Chile, consistiu em uma simulação de emergências naturais, ocorridas em áreas distintas do território nacional ao mesmo tempo. Os exércitos convidados da Argentina, do Brasil, Canadá, da Colômbia, do Chile, Equador, dos Estados Unidos, da Guatemala, Guiana, de Honduras, do México, da Nicarágua, do Paraguai, Peru e da República Dominicana, juntamente com o Reino Unido como país observador, colocaram à disposição, em um contexto real, recursos humanos e materiais para mitigar e cooperar no trabalho das organizações encarregadas de administrar as emergências no Chile. Trabalho conjunto frente a emergências Durante os três dias do exercício, as delegações dos 16 exércitos participantes e representantes da Conferência das Forças Armadas Centro-Americanas (CFAC, por sua sigla em espanhol) interagiram com representantes do Escritório Nacional de Emergência, de Polícia de Carabineiros e da Polícia de Investigações do Chile, do Estado-Maior Conjunto do Chile, Corpo de Bombeiros, da Cruz Vermelha e de secretarias ministeriais de Obras Públicas, Energia e de Saúde, entre outras. Tudo foi feito com o intuito de treinar no planejamento, na gestão e coordenação em um âmbito interagencial, para prestar ajuda frente a uma situação de catástrofe. “Pela primeira vez, um número tão grande de exércitos americanos se prepara coordenadamente para enfrentar emergências ou ir em ajuda de um país que necessita de assistência”, destacou o General-de-Exército Juan Eduardo González do Exército do Chile, presidente da Conferência sobre Exercícios Interagenciais da Conferência de Exércitos Americanos (CEA). Nos últimos três anos, o Chile vem sofrendo terremotos, deslizamentos e incêndios florestais. De forma precisa, o Exercício Integração simulou tais desastres naturais de maneira virtual. Foram gerados seis eventos e 52 tarefas de grande envergadura, em pontos distintos do país, de forma simultânea, para serem resolvidos com a colaboração dos exércitos americanos. O país afetado – nesse caso, o Chile – declarou esgotadas suas capacidades. Solicitou a ajuda militar internacional para mitigar as emergências. Os países ofereceram suas capacidades, compostas, por exemplo, por pessoal militar especializado em busca e resgate, membros de brigadas florestais, equipes de comando e apoio, equipes de logística e também equipes de engenheiros militares especializados, entre outros. Quanto aos meios militares, contemplou-se a cooperação com instalações para fornecimento de água potável, pontes, apoio médico, centros de evacuação de pessoas, meios para atender emergências químicas, radiológicas e bacteriológicas e material de campanha, entre muitos outros. O treinamento se desenvolveu por meio do Sistema de Gestão de Treinamentos de Emergência do Exército do Chile, uma ferramenta tecnológica projetada para treinar a tomada de decisões de unidades e organizações que operam nas diferentes fases de uma emergência, mediante um sistema de jogo de desempenho de papéis. O sistema armazena as tarefas e coordenações em uma base de dados. Permite, assim, quantificar os níveis de preparação e melhoria da gestão colaborativa dos organismos participantes. Foi colocado também em operação o Sistema de Informação Geográfica do Exército da Argentina e o Guia de Operações em Ambiente Interagencial do Exército Brasileiro. “Foi possível definir os cenários mais difíceis, problemas e obstáculos, em nível internacional, para conseguir mitigar de forma eficiente e oportuna uma tarefa”, disse o Coronel Javier Leguizamón, diretor militar de assistência de emergência do Estado-Maior Conjunto da Argentina. Assim, as 52 tarefas projetadas para o treinamento foram resolvidas em um trabalho articulado entre entidades militares e civis sob um controle central, encarregado de obter a ajuda e atribuir tarefas às diferentes agências que operam in loco em uma catástrofe. “Conhecermo-nos, comprovar e coordenar as diferentes capacidades que vêm do estrangeiro foi um tremendo desafio para trabalharmos juntos em soluções para emergências”, disse o Cel Leguizamón. O treinamento foi efetuado em quatro sessões até o dia 22 de junho. Em seguida, veio a fase de mesas redondas, elaboração de conclusões e a cerimônia de encerramento no dia 23 de junho. “Cumpriram-se cem por centro das expectativas”, disse o Cel Leguizamón. “Reunimos as impressões dos chefes das delegações e essa foi uma instância valiosa para interagirmos”, acrescentou. Após o término do exercício, foi elaborado um relatório, que será enviado e apresentado à Conferência de Comandantes de Exércitos Americanos, programada para novembro nos Estados Unidos. O próximo ciclo XXXIII da Conferência de Exércitos Americanos (CEA) (2018-2019) será presidido pela República Dominicana. Antecedentes da CEA A CEA foi criada em 1960 como um foro de debates para o intercâmbio de experiências entre os exércitos do continente, com o objetivo de alcançar soluções integradas para problemas reais que podem afetar um ou mais países de cada vez. Ela é formada por exércitos de 20 países mais cinco exércitos na qualidade de observadores e duas organizações militares observadoras: a CFAC e a Junta Interamericana de Defesa. A CEA funciona baseada em ciclos bienais nos quais se define um tema específico para analisar por ciclo por meio de conferências e exercícios especializados. Para integrar a CEA, cada exército deve manifestar seu interesse em participar da organização multilateral. Após dois anos como observador, tem a possibilidade de passar a ser membro ativo. O país que assim o desejar pode manter seu status de observador.
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