Equador: Aumentam apreensões de drogas

Ecuador Sees Drug Seizures Rise as Traffickers Discover New Routes

Por Dialogo
outubro 15, 2012



QUITO, Equador — Em março de 2008, forças colombianas bombardearam e invadiram um complexo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em Angostura, no norte do Equador. O ataque matou o segundo em comando da organização terrorista e serviu para mostrar que os traficantes descobriram uma nova área de operação em um país que, historicamente, desfruta de uma das menores taxas de consumo de drogas da América Latina.
“Foi depois dos ataques em Angostura, em 2008, que o Equador percebeu que o comércio de drogas era, de fato, uma ameaça iminente à segurança nacional”, diz Bertha Garciá, diretora do Observatório de Segurança, Defesa e Democracia, um grupo de reflexão da Universidade Central de Quito.
Bertha afirma que, embora o Equador nunca tenha lançado uma “guerra contra as drogas” do mesmo nível de Colômbia ou México, o país se tornou vítima do “efeito balão” — uma teoria usada para descrever a reação do comércio de drogas às pressões.
“Colômbia e Peru conseguiram realizar operações antidrogas bem-sucedidas, que tornaram o Equador um habitat mais fácil e acessível para o comércio de drogas”, explica Jaime Carrera, líder do Observatorio de la Política Fiscal, uma instituição de pesquisas econômicas de Quito.

Traficantes de drogas preferem o Equador porque é pequeno e conveniente

O Equador, que faz fronteira com a Colômbia, tem sido usado por cartéis de drogas colombianos como ponto de transporte para o corredor do Pacífico.
No entanto, com os resultados positivos da guerra de três décadas da Colômbia contra as FARC e os cartéis, o Equador passou “de uma mera rota de tráfico a um produtor de drogas e local de armazenamento de armamentos e drogas ilegais”, conta Bertha.
Fernando Carrión, um acadêmico da filial de Quito da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), diz que o tal efeito balão atingiu o Equador em três níveis.
“Primeiro, aumentou o consumo no país. Segundo, o Equador observou um aumento de laboratórios de drogas e, terceiro, houve um aumento do uso do território nacional”, detalha, observando que, desde 2008, cartéis mexicanos e colombianos parecem ter intensificado a cooperação com seus pares equatorianos.
No início do ano, uma aeronave de pequeno porte com US$ 1,3 milhão (R$ 2,6 milhões) em espécie a bordo caiu na província de Manabí, no noroeste do Equador, matando piloto e copiloto mexicanos. Não havia plano de voo oficial para o avião mexicano, que voava baixo, supostamente para evitar os radares.
Alguns dias depois da queda do avião em 13 de maio, tropas encontraram um laboratório de processamento de drogas perto do local do acidente, apreenderam meia tonelada de pasta-base de cocaína e prenderam três pessoas. Já que a coca não é cultivada no Equador, tais laboratórios são difíceis de encontrar.

Confiscos de cocaína subiram drasticamente

Ainda assim, nos últimos três anos, as apreensões de narcóticos por forças de segurança equatorianas deram um salto significativo. A Comissão Interamericana de Controle do Abuso de Drogas (CICAD) indica que, em 2010, os confiscos atingiram 7 t — mas em 2011, o número subiu para 11 t. Também no ano passado, autoridades fecharam 13 laboratórios de processamento de drogas em todo o Equador.
Até o momento este ano, o Equador já apreendeu mais do dobro das drogas que apreendeu em todo o ano de 2011, segundo o jornal La Hora, de Quito. Além disso, sete laboratórios de drogas clandestinos foram fechados este ano. Carrera diz que todas as semanas ocorrem apreensões de drogas ou descobertas de novos laboratórios.
Em março, os principais estrategistas militares do Equador alertaram sobre a ameaça dos poderosos grupos, como o colombiano Los Rastrojos e o mexicano Cartel de Sinaloa. Os alertas foram publicados em um estudo de 225 páginas que vazou para a mídia local.
Os especialistas, porém, não sabem ao certo a causa da repentina expansão do tráfico. Uma possibilidade é a geografia do país. “As fronteiras porosas do Equador facilitam o tráfico em todas as direções”, explica Carrión, assinalando que, ao sul, fica o Peru, um dos principais fornecedores de cocaína do mundo.

Uso de dólares americanos torna o Equador atraente aos contrabandistas

No final de setembro, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime — em seu relatório anual sobre o Peru — afirmou que o país tinha 62.500 hectares de plantações de coca. Isso representa um aumento de pouco mais de 2% em relação ao relatório anterior e o sexto ano consecutivo que o órgão detecta um aumento no número de pés de coca. O Peru continua sendo o segundo maior produtor da folha, após a Colômbia, com 64.000 hectares. A Bolívia tem 27.200 hectares de plantações de coca.
A leste do Equador fica o Brasil, de onde as drogas são enviadas à África e, depois, para a Europa Ocidental. A oeste, fica o Oceano Pacífico, que provê rotas de fornecimento aos Estados Unidos, Europa Oriental e aos novos mercados asiáticos.
Bertha diz estar claro que muitas regiões do Equador estão se envolvendo no tráfico de drogas, “não só a tradicional região de Putumayo, no norte”.
O papel do Equador como uma central de drogas regional tornou-se ainda mais atraente graças ao uso pelo país do dólar americano como moeda nacional.
“O comércio de drogas envolve muito mais que simplesmente o tráfico em si”, pontua Carrera. “Também traz consigo a lavagem de dinheiro” — abrindo uma janela de oportunidades para as operações de lavagem de dinheiro que coexistem com a venda de drogas, diminuindo o risco e tornando mais conveniente a atuação de cartéis de drogas no Equador.
Além disso, parece que muito mais dólares estão circulando no Equador do que o dinheiro que entra legalmente. Isso, segundo Carrera, “significa que há mais dólares entrando de algum lugar que não as operações de entrada regulares do país”.

ATPDEA oferece incentivos a agricultores que não cultivam coca

Na recente Cúpula das Américas em Cartagena, Colômbia, os líderes regionais demonstraram “um verdadeiro desejo de encontrar uma nova abordagem à situação das drogas”, diz Carrión. Os presidentes e parlamentares latino-americanos devem, segundo ele, adotar “uma estratégia bem elaborada que englobe muitos remédios”.
Assim, a Assembleia Nacional do Equador agora debate uma lei que permitiria aos usuários de drogas serem tratados como pacientes e não como criminosos. Isso levaria o Estado a investir em clínicas de reabilitação — semelhante ao que faz o município de Bogotá. O país também considera a legalização de certas drogas para fins médicos, como fez o Uruguai com a maconha.
Lidar com a presença crescente de traficantes de drogas no Equador também requer a cooperação internacional. Uma arma eficaz tem sido a cooperação tradicional do país com os Estados Unidos, que, em 2002, criou a Lei de Promoção Comercial Andina e Erradicação de Drogas (ATPDEA) para beneficiar Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.
De acordo com a ATPDEA — que vence em 31 de julho de 2013, exceto se renovada pelo Congresso americano — as tarifas de produtos equatorianos que entram no mercado americano foram reduzidas drasticamente ou eliminadas. Isso gerou um incentivo para agricultores locais para cultivar produtos legais como café, cacau ou flores em vez de folhas de coca, um negócio mais lucrativo, porém mais arriscado.
Enquanto isso, a polícia nacional do Equador elevou o nível de monitoramento interno ao mesmo tempo em que combate com sucesso as redes de drogas no país. Os militares também ampliaram as patrulhas na fronteira norte com a Colômbia, onde as rotas de tráfico e laboratórios de drogas são mais comuns.
No entanto, “isso não é suficiente”, assevera Carrera. “A indústria das drogas já está fincando raízes no país.”
Eu gostei mas poderia ter especificado mais sobre o equador e a sua relação com as drogas.
Por exemplo, poderia dizer qual é a posição oficial do governo equatoriano sobre a legalização da maconha no uruguai(poderiam fazer uma reportagem né ;)
Bjsssss
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