Grupo criminoso organiza assassinatos a partir de penitenciária em São Paulo

Por Dialogo
novembro 07, 2012


Um grupo criminoso formado por delinquentes que atuam de suas celas, conhecido como “Primeiro Comando da Capital” (PCC), está por trás da atual onda de homicídios contra policiais militares em São Paulo, garantem os especialistas.

Cerca de 100 policiais, incluindo 90 policiais militares, foram vítimas de homicídios este ano no estado de São Paulo, principalmente na área metropolitana. Ao todo foram executados 41, segundo as autoridades.

Na noite de 3 de setembro, uma policial de 44 anos foi executada com dez disparos pelas costas, diante da filha de 11 anos, quando descia do carro em frente à sua casa, informou à AFP a Secretaria de Segurança do estado.

Muitas mortes de policiais foram seguidas de homicídios indiscriminados de suspeitos de narcotráfico ou roubo o que, segundo os familiares das vítimas, são atos de represália da Polícia Militar.

“Creio que o PCC seja o responsável pelos ataques contra a Polícia Militar”, disse à AFP Camila Dias, especialista do Núcleo para o Estudo da Violência da Universidade de São Paulo.

“No entanto, alguns grupos dentro da Polícia também estão envolvidos em ataques de represália”, acrescentou.

Em setembro, o número de homicídios na área metropolitana de São Paulo subiu para 144, 27 por cento a mais em relação a agosto. No mesmo mês, em 2011, houve 71 homicídios. Nos três dias do último fim de semana prolongado, as mortes se elevaram a 26, incluindo a de uma menina de dez anos que morreu atingida por uma bala perdida disparada por um policial.

No dia 3 de setembro, um suspeito de narcotráfico foi morto pela Polícia quando se recusou a cumprir uma ordem para parar o carro em uma avenida de São Paulo.

A imprensa local o identificou como um dos chefes do narcotráfico da favela de Paraisópolis, no sul da cidade, que foi ocupada há uma semana por 600 policiais fortemente armados, depois da divulgação de informações de que um chefe local havia ordenado a morte de policiais.

Ferreira Pinto disse que a ordem para matar policiais veio do líder local Francisco Antônio Cesário da Silva, vulgo Piauí, preso em agosto passado.

Dias disse que a quadrilha domina o crime organizado em São Paulo, controlando o tráfico de armas e drogas, bem como assaltos a bancos.

Os chefes do bando parecem estar planejando os ataques de suas celas, disse a especialista. Ela também lamentou as táticas violentas da PM, e informou que a violência contra suspeitos de crimes só piora a situação e gera represálias.

A violência da última semana levou a presidente Dilma Rousseff a oferecer ajuda federal ao estado de São Paulo.



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