Campanha dos militares colombianos busca conquistar os corações das pessoas em tempos de paz

Por Dialogo
maio 24, 2016




Para o General Juan Pablo Rodríguez Barragán
, Comandante das Forças Militares colombianas, a campanha institucional Estamos no coração dos colombianos e aí vamos permanecer
, que o Comando-Geral está desenvolvendo sob sua liderança, tem um significado filosófico muito importante. “Significa que realmente os colombianos valorizam o esforço, sacrifício e heroísmo de todos os integrantes das Forças Militares, de todos os nossos soldados de terra, mar e ar e de nossos policiais. Eles sabem que este sacrifício tão grande que já se fez é justamente o que nos permitiu ter chegado tão perto de atingir este objetivo tão importante para todos os colombianos, que é a paz.”

Essa paz, como o General Rodríguez já mencionou em várias oportunidades, “deve-se ao esforço e heroísmo de todos os soldados e policiais” que, inclusive com a perda de suas próprias vidas, fizeram de tudo para recuperar a segurança e proteger os colombianos durante os mais de 50 anos de guerra sangrenta contra as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).

“Nesse sentido, a campanha procura agradecer ao povo colombiano o apoio que nos dá todos os dias. A campanha deseja ressaltar os valores pátrios e lembrar os colombianos de que existiram muitos heróis que inclusive deram sua própria vida, muitos heróis que se encontram feridos, muitos heróis que estão sofrendo neste momento com as profundas feridas deixadas pela guerra. Mas que, apesar de todos esses sacrifícios e custos, conseguiram fazer isso com muito patriotismo. Hoje vemos como nossa pátria colombiana mudou em muitos aspectos e como se fortaleceram aqui o estado de direito e a democracia. Como mencionei no início, estamos a ponto de realizar um objetivo muito importante, que seria o de terminar o conflito com as FARC e o ELN, e começar a construir uma paz estável e durável”, disse o Gen Rodríguez a Diálogo
.

Fé na causa


O Capitão de Fragata Fuzileiro Naval da Marinha colombiana Fernando Moreno, que trabalha na Chefia de Ação Integral Conjunta como assessor do General Rodríguez, explica que a campanha atual é uma continuidade da anterior, denominada Fé na Causa.
“Mais do que um lema, criou-se uma política real de comando através da liderança conjunta das Forças: Exército, Marinha e Aeronáutica. Quando estávamos numa parte decisiva do conflito, foi inculcada no coração de nossos soldados esta fé que consiste em crer no que estamos fazendo e para onde vamos, além de se materializar todo esse desenvolvimento e essa capacidade militar. Agora que estamos no período de assinatura de um acordo com as FARC e com o ELN – que são as nossas principais ameaças internas – e que estamos prestes a entrar num período de transição para a fase de pós-conflito, podemos dizer que estamos no coração dos colombianos e aí vamos ficar.”

Definitivamente, não é somente uma frase, mas uma filosofia. A campanha se apoia na proteção que os militares oferecem à população civil. Seja em tempo de paz ou tempo de guerra, eles vão continuar ali. “Vemos como a população está realmente começando a reconhecer o esforço das suas Forças Militares que, durante muitos anos, foram a parte do Estado que chegava a estas regiões”, explica o CF (FN) Moreno. “Através de suas Forças Militares, o Estado passou também a trazer aos nossos habitantes esta capacidade para melhorar a sua qualidade de vida. E estamos neste momento engajados em um esforço não cinético.”

Cacau, café, arroz e laticínios


Quando fala de esforço não cinético, o CF (FN) Moreno se refere a um esforço que não requer o uso de armas. Os soldados ajudam a desenvolver as áreas remotas com a construção de estradas, escolas, hospitais e outras instalações, utilizando os engenheiros militares com recursos do Estado, através de outros ministérios e com a ajuda do setor privado.

Dois exemplos dessa colaboração interagências são os projetos de infraestrutura petrolífera desenvolvidos pelos estados de Arauca e Putumayo com a participação do setor privado e a cooperação internacional. Por sua vez, as Forças Militares conseguiram realizar uma importante aproximação com as comunidades indígenas para ensinar-lhes como manter cultivos legais, como cacau, café e arroz, e produzir laticínios.

O estado de Cauca, por exemplo, é um grande exportador de café produzido pela comunidade indígena Naasa. Já o estado de Caquetá fornece quase 60% de todo o queijo distribuído no interior do país. “Este é, portanto, um resultado palpável, e vemos como este trabalho interagências nos conduziu a um processo de estabilização e de consolidação”, diz com orgulho o CF (FN) Moreno. “Esta é uma estratégia que se reflete na campanha: permanecer no coração dos colombianos, oferecer-lhes uma melhor qualidade de vida, liderar o desenvolvimento social e a reconstrução do tecido social e, em contrapartida, as Forças Militares recebem o respaldo da comunidade ou de parte da população para este trabalho sincero.”

Artistas pela causa


A campanha chegou inclusive aos corações de artistas colombianos famosos, como os cantores populares Fonseca, Andrés Cepeda e Jorgito Celedón, que realizaram shows gratuitos divulgando os ideais do programa à população. “Na verdade, ficamos orgulhosos de saber que há credibilidade na execução destes projetos. A população se sente tranquila quando vê que as Forças Militares assumem a liderança e apoiam o órgão governamental ou entidade privada. Esta tranquilidade que a população sente ao ver a liderança das suas Forças Militares é a nossa referência principal. É assim que definimos o que é estar e permanecer verdadeiramente no coração [da população] e promover este desenvolvimento social”, diz o CF (FN) Moreno.

Além de permanecer nos corações dos colombianos através da participação nesses projetos cívico-sociais, as Forças Militares do país iniciam o processo de adaptação ao que será a nova realidade pós-conflito. “Segundo nossa forma de ver, nosso papel principal será o de conduzir atividades de ação integral. Na parte militar, certamente nossas fronteiras serão fortalecidas, e serão empreendidas operações de paz e de intercâmbio internacional. Mas o papel principal no interior do país será esta promoção do desenvolvimento. É nesta direção que estamos indo, ou seja, fortalecer a capacidade interagências”, completa o CF (FN) Moreno.
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