Força Aérea da Colômbia apresenta processo de transformação

Colombian Air Force Announces Transformation Process

Por Yolima Dussán/Diálogo
julho 07, 2017

Três grandes comandos e um estado-maior serão a base do funcionamento da nova estrutura da Força Aérea da Colômbia (FAC), assim definida após um processo de transformação que exigiu dois anos de análise e planejamento. Isso foi apresentado ao país no dia 1º de junho de 2017 nas instalações do Museu Aeronáutico, sede do Centro de Memória Histórica da FAC. O processo faz parte de um grande programa de renovação que a Colômbia desenvolve para as Forças Armadas 2030, como política estatal a médio e longo prazo, baseado na metodologia de planejamento por competências. No novo organograma, o estado-maior terá a responsabilidade de liderar a estratégia para o melhoramento contínuo dos processos internos, por meio do trabalho do Comando de Operações Aéreas, encarregado dos procedimentos de proteção e defesa da soberania e controle do espaço aéreo. O Comando de Apoio à Força será responsável por executar a logística e o suporte aos processos administrativos e da área tecnológica. Por sua vez, o Comando de Pessoal estará encarregado de administrar o talento humano e o treinamento de oficiais, suboficiais e soldados da FAC. “Buscamos com essa transformação uma organização militar polivalente, interoperacional, com capacidade de atuar segundo normas internacionais e de aparato operacional. Seremos mais eficazes e especializados, com maior controle dos recursos humanos e econômicos, simplificando os processos e aumentando a velocidade de resposta para combater as ameaças”, disse à Diálogo o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Carlos Eduardo Bueno Vargas, comandante da FAC. Força que não retrocede “Transformamos a forma de fazer as coisas para cumprir as normas internacionais de interoperabilidade. Passamos do conceito simétrico da defesa para estimular as capacidades de defesa da nação em um nível superior”, explicou o Ten Brig Bueno. “Mudamos a maneira de organizar e projetar o potencial humano de acordo com os novos tempos e também a maneira de sermos mais eficazes na administração dos recursos humanos, técnicos e econômicos.” A FAC é uma força de referência na região. Sua atividade cotidiana inclui a colaboração com países na assistência a desastres naturais e operações de controle aéreo. Faz parte do programa conjunto o Plano de Ação Estados Unidos-Colômbia, por meio do qual elementos de ambos os países dão treinamento de interceptação aérea a pilotos e pessoal de defesa aérea de El Salvador, Guatemala, Honduras e República Dominicana. A partir da transformação, a força prevê aumentar a colaboração com os países da América Latina. Ela terá maior capacidade para atuar de maneira simultânea, rápida e eficaz. “Muito do que hoje somos aprendemos em exercícios internacionais. Teremos os mesmos padrões de um esquadrão F16 da Força Aérea dos Estados Unidos, por exemplo. Um outro exemplo é que nossos pilotos de avião-tanque já podem hoje fornecer combustível para esquadrões ingleses e esquadrões dos Estados Unidos”, acrescentou o Ten Brig Bueno. Harpia, o novo símbolo Até agora, a imagem da FAC era a Águia de Cabeça Branca, símbolo da Força Aérea dos Estados Unidos, país historicamente unido às Forças Armadas da Colômbia. Agora a FAC mudou para a harpia como símbolo da transformação. Ela foi selecionada por ser uma ave que voa no continente sul-americano, com grande ênfase no território colombiano, para dar uma demonstração de doutrina própria, um símbolo próprio. “Temos uma dívida imensa com os Estados Unidos, com suas instituições, com sua Força Aérea, porque nos apoiaram para obter essa vitória militar que colocou o país na era pós-conflito. Tive a oportunidade de me formar nas escolas dos Estados Unidos, onde conheci muitos dos generais que hoje comandam forças aéreas do mundo”, disse o Ten Brig Bueno na cerimônia de apresentação da nova FAC. “Ensinaram-nos os valores, os princípios, a visão de democracia, de assertividade, as ferramentas para fazer uma campanha aérea bem feita. Por isso, uma mensagem de gratidão, de admiração e de reconhecimento à Força Aérea [dos Estados Unidos], um aliado de todos os tempos que nos permitiu compartilhar seu símbolo” Impacto na segurança operacional “Frente à reorganização institucional, devemos buscar o equilíbrio dinâmico na força que permita manter altos padrões na operação. Isso sem perder de vista a transformação cultural, que para nós sempre mantém o mesmo valor: a segurança”, disse à Diálogo o General-de-Brigada Ramses Rueda Rueda da FAC, inspetor de Segurança Operacional da FAC. Em segurança operacional, a FAC possui os melhores padrões da região. Isso é confirmado pela ausência de acidentes durante sua operação no ano de 2016. “Um enfoque da segurança, fortalecido por fatores humanos, enfatizará a capacidade de nosso pessoal de responder, monitorar, antecipar-se e aprender, mais do que o simples fato de administrar os erros”, acrescentou o Gen Brig Rueda. Obviamente, a estratégia se apoia em outras dependências que agregam valor à sua capacidade tecnológica, profissional e alta qualificação técnica, que permite desenvolver atitudes não só de investigação e prevenção mas também proativas e preditivas.” As bases da transformação estão assentadas. Começa a transição: uma implementação planejada para os próximos seis meses. A partir de janeiro de 2018, a FAC operará segundo o esquema da nova organização. Neste momento, a entidade adianta os processos administrativos e jurídicos exigidos e elabora a redação final do manual de funções de cada uma das novas dependências. “Nossa evolução é para durar. Foi muito bem pensada frente aos novos desafios. Assim, respondemos à Colômbia que vê em nossa instituição, além da força que garante a segurança do espaço aéreo, um contingente de homens e mulheres dispostos a ajudar”, disse o Ten Brig Bueno. “São pilotos que chegam no meio da noite para resgatar [uma pessoa] no meio da selva, para remover um soldado ferido por picada de cobra, ou que foi amputado por uma mina, ou equipes treinadas para assistir em desastres naturais. Nós nos orgulhamos desse componente social. A isso e à nossa missão constitucional respondemos com essa transformação para os próximos 100 anos”, finalizou.
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