Colômbia lança ofensiva contra mineração ilegal em oito departamentos

Por Dialogo
junho 19, 2013







BOGOTÁ — A mineração ilegal na Colômbia estaria superando a coca como principal fonte de renda dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e de grupos armados recém-formados conhecidos como “bandas emergentes” — principalmente nas regiões do país onde há metais e minerais preciosos e a presença do Estado é pequena.


A mineração ilegal de ouro predomina em cerca de 340 dos 1.102 municípios da Colômbia, afirma o ministro da Defesa colombiano, Juan Carlos Pinzón. As FARC estão presentes em 87 desses municípios, o Exército de Libertação Nacional (ELN) em 30 e outras organizações criminosas em 118, segundo o ministro.


Em meados de junho, 67 peças de equipamentos pesados de mineração supostamente pertencentes às FARC foram confiscadas no departamento de Córdoba, no norte do país. Já nas regiões de selva de Guainía e Vaupés, autoridades apreenderam 32 toneladas de coltan — um minério metálico preto e fosco dragado dos rios das proximidades.


Ouro, coltan e tungstênio estão entre os minerais extraídos ilegalmente em 25 dos 32 departamentos da Colômbia, representando uma nova e lucrativa fonte de renda frente à redução no cultivo de coca, segundo as autoridades. Embora a prática não seja uma novidade no país, observadores dizem que a dimensão de sua propagação e o alto rendimento econômico estão causando um alvoroço — levando o presidente Juan Manuel Santos a lançar uma ofensiva contra essas atividades em oito departamentos.


“Este tipo de intervenção é uma necessidade, pois os equipamentos usados na atividade estão causando enormes danos ao país. Não estamos lançando uma ofensiva contra a mineração em geral, muito menos contra a mineração artesanal. Esta é uma operação contra grupos ilegais”, disse Santos.





Guerrilheiros extorquem mineiros em toda a Colômbia





Logo depois das declarações do presidente, o jornal de Medellín El Colombianopublicou imagens da Força Aérea colombiana atacando e destruindo equipamentos de escavação no departamento de Antioquia.


Mais de 2.000 peças de equipamentos pesados estão sendo usadas para mineração nos departamentos de Bolívar, Córdoba e Cauca, além de parques nacionais e outras áreas protegidas, segundo o general Leonardo Pinto, da força-tarefa Nudo del Paramillo, do Exército colombiano.


As guerrilhas e outros grupos armados exigem dos mineiros uma taxa inicial de até cinco milhões de pesos (R$ 5.777) por uma peça de equipamento pesado, seguida da cobrança mensal de dois milhões de pesos (R$ 2.310) para continuarem o trabalho.


Em Norosi, cidade do departamento de Bolívar onde, em janeiro, rebeldes do ELN sequestraram um engenheiro canadense que trabalhava para a mineradora Geo Explorer, grupos armados teriam cobrado uma taxa de 50% sobre todo o mineral extraído da terra.


Pinzón admitiu que não será fácil reprimir essas práticas, considerando-se as dificuldades para chegar aos locais remotos onde a presença do Estado é pequena e grupos ilegais são ativos na mineração. Segundo o ministro, as minas ilegais também estão deslocando civis que vivem nas proximidades e provocando sérios danos ambientais.


“A mineração ilegal não apenas afeta o meio ambiente e causa danos aos recursos naturais da Colômbia, mas, ao mesmo tempo, gera uma economia que lava dinheiro e financia atividades terroristas. Não podemos permitir que essas ações continuem e, por essa razão, precisamos combater totalmente esta atividade ilegal”, destacou Pinzón.


No Peru está ocorrendo algo similar, imensas extensões de selva cobertas de árvores têm sido desmatadas devido à mineração. O ouro, assim como a riqueza, também corrompe.
Share