Colômbia lança programa nacional de desminagem

Colombia Launches National Demining Program

Por Dialogo
abril 10, 2015




Um programa nacional de desminagem liderado pelo governo colombiano, pelo Exército e pela Ajuda Popular da Noruega (NPA) – uma ONG com mais de 80 anos de experiência em desminagem – pretende libertar o país das minas terrestres até 2025.

O programa busca colocar um fim nas mortes e nos ferimentos causados por minas terrestres, uma arma muito usada na Colômbia por grupos terroristas, paramilitares e organizações criminosas por mais de três décadas.

“As minas terrestres são uma vergonha e uma cicatriz no coração da Colômbia que vamos eliminar”, disse o presidente Juan Manuel Santos durante um discurso transmitido pela TV em 7 de março.

“Este é um programa que tem um significado muito especial para o país”, diz Álvaro Jimenez, diretor da Campanha Colombiana contra Minas Terrestres (CCCM), uma ONG criada em 1999 que luta contra o uso desses equipamentos. “Espero que [o programa] possa guiar os passos rumo a um território livre de minas.”

A iniciativa está sendo lançada em abril nos estados de Meta e Antioquia com o primeiro passo: mapear as regiões afetadas pelas minas. As autoridades envolvidas na iniciativa selecionarão as primeiras regiões onde serão desarmados os artefatos explosivos. Ao longo do processo, representantes do governo, incluindo militares, manterão um diálogo com as comunidades escolhidas para o programa. Os trabalhos de desminagem só serão concluídos em cada área quando a NPA certificar que a região está livre de artefatos explosivos.

Colômbia tem milhares de vítimas de minas terrestres


Desmantelar minas terrestres tornará a Colômbia mais segura para os civis e as forças de segurança. Desde 1990, as minas terrestres mataram ou feriram 11.073 pessoas, incluindo mais de 1.100 crianças, de acordo com a Direção de Ação Integral contra Minas Antipessoais (DAICMA). Segundo estudo da iniciativa internacional Landmine and Cluster Munition Monitor [Monitor de Minas Terrestres e Bombas de Fragmentação], a Colômbia tem uma dos três maiores índices de vítimas de minas terrestres do mundo: esses artefatos mataram 800 civis e 1.400 membros das Forças Armadas nos últimos 25 anos. Além dessas mortes, as minas terrestres feriram mais de 3.400 não combatentes e 5.400 militares colombianos. Autoridades do governo acreditam que mais da metade dos municípios do país tenham sido minados. Em algumas regiões, os esquadrões de desminagem encontraram pelo menos uma mina terrestre a cada 1.100 metros quadrados.

A Colômbia nem sempre foi ameaçada por minas terrestres. O Movimento 19 de Abril (M-19) começou a fabricar os artefatos mortais no país no final dos anos 1980, diz o analista de conflitos colombiano Carlos Arturo Velandia. Membros do M-19 passaram seus conhecimentos ao Exército de Libertação Nacional (ELN) e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que começaram a usar essas armas indiscriminadamente no final da década de 1990 e no início dos anos 2000. Grupos paramilitares logo aderiram à prática e, até 2005, houve mais de 1.000 mortes por ano, de acordo com o Ministério da Defesa.

Para eliminar essa ameaça mortal, cerca de 500 pessoas foram treinadas em desminagem, diz o ministro de Pós-Conflito, Óscar Naranjo. O governo espera aumentar para 10.000 o número de pessoas capacitadas em desminagem nos próximos anos.

Mais de 1.000 minas terrestres foram destruídas


Evitar mortes e ferimentos de civis, militares e policiais é o objetivo do Tratado de Ottawa, adotado e assinado por representantes de 122 países, incluindo a Colômbia, em dezembro de 1997. Para atingir essa meta, a Colômbia criou o Batalhão Humanitário de Desminagem (BIDES, na sigla em espanhol) em 2009. O BIDES trabalha em conjunto com unidades militares de desminagem para liberar campos minados em áreas especiais designadas pela DAICMA e por outros grupos especializados do governo. Até agora, o BIDES eliminou 1.106 artefatos explosivos improvisados e liberou mais de 2.000 quilômetros quadrados de terras.

O BIDES identificou cinco tipos diferentes de minas terrestres usadas pelas FARC, pelo ELN e por outros grupos criminosos. As minas terrestres são feitas com herbicidas, tubos de PVC, sacos plásticos e contêineres, pesticidas, nitrato de amônio, alumínio, gasolina e outros produtos químicos. Os artefatos usam detonadores elétricos ou pressão para criar uma explosão poderosa capaz de matar ou mutilar quem estiver por perto.

O custo para produzir o artefato varia de US$ 3 a US$ 30. Já o custo para desarmá-lo varia de US$ 300 a US$ 1.000.

“O programa pode encerrar um ciclo de ódio e ressentimento”, diz Jimenez, da CCCM. “Se der certo, gerará confiança entre a população civil e contribuirá com a possibilidade de uma paz duradoura.”



Um programa nacional de desminagem liderado pelo governo colombiano, pelo Exército e pela Ajuda Popular da Noruega (NPA) – uma ONG com mais de 80 anos de experiência em desminagem – pretende libertar o país das minas terrestres até 2025.

O programa busca colocar um fim nas mortes e nos ferimentos causados por minas terrestres, uma arma muito usada na Colômbia por grupos terroristas, paramilitares e organizações criminosas por mais de três décadas.

“As minas terrestres são uma vergonha e uma cicatriz no coração da Colômbia que vamos eliminar”, disse o presidente Juan Manuel Santos durante um discurso transmitido pela TV em 7 de março.

“Este é um programa que tem um significado muito especial para o país”, diz Álvaro Jimenez, diretor da Campanha Colombiana contra Minas Terrestres (CCCM), uma ONG criada em 1999 que luta contra o uso desses equipamentos. “Espero que [o programa] possa guiar os passos rumo a um território livre de minas.”

A iniciativa está sendo lançada em abril nos estados de Meta e Antioquia com o primeiro passo: mapear as regiões afetadas pelas minas. As autoridades envolvidas na iniciativa selecionarão as primeiras regiões onde serão desarmados os artefatos explosivos. Ao longo do processo, representantes do governo, incluindo militares, manterão um diálogo com as comunidades escolhidas para o programa. Os trabalhos de desminagem só serão concluídos em cada área quando a NPA certificar que a região está livre de artefatos explosivos.

Colômbia tem milhares de vítimas de minas terrestres


Desmantelar minas terrestres tornará a Colômbia mais segura para os civis e as forças de segurança. Desde 1990, as minas terrestres mataram ou feriram 11.073 pessoas, incluindo mais de 1.100 crianças, de acordo com a Direção de Ação Integral contra Minas Antipessoais (DAICMA). Segundo estudo da iniciativa internacional Landmine and Cluster Munition Monitor [Monitor de Minas Terrestres e Bombas de Fragmentação], a Colômbia tem uma dos três maiores índices de vítimas de minas terrestres do mundo: esses artefatos mataram 800 civis e 1.400 membros das Forças Armadas nos últimos 25 anos. Além dessas mortes, as minas terrestres feriram mais de 3.400 não combatentes e 5.400 militares colombianos. Autoridades do governo acreditam que mais da metade dos municípios do país tenham sido minados. Em algumas regiões, os esquadrões de desminagem encontraram pelo menos uma mina terrestre a cada 1.100 metros quadrados.

A Colômbia nem sempre foi ameaçada por minas terrestres. O Movimento 19 de Abril (M-19) começou a fabricar os artefatos mortais no país no final dos anos 1980, diz o analista de conflitos colombiano Carlos Arturo Velandia. Membros do M-19 passaram seus conhecimentos ao Exército de Libertação Nacional (ELN) e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que começaram a usar essas armas indiscriminadamente no final da década de 1990 e no início dos anos 2000. Grupos paramilitares logo aderiram à prática e, até 2005, houve mais de 1.000 mortes por ano, de acordo com o Ministério da Defesa.

Para eliminar essa ameaça mortal, cerca de 500 pessoas foram treinadas em desminagem, diz o ministro de Pós-Conflito, Óscar Naranjo. O governo espera aumentar para 10.000 o número de pessoas capacitadas em desminagem nos próximos anos.

Mais de 1.000 minas terrestres foram destruídas


Evitar mortes e ferimentos de civis, militares e policiais é o objetivo do Tratado de Ottawa, adotado e assinado por representantes de 122 países, incluindo a Colômbia, em dezembro de 1997. Para atingir essa meta, a Colômbia criou o Batalhão Humanitário de Desminagem (BIDES, na sigla em espanhol) em 2009. O BIDES trabalha em conjunto com unidades militares de desminagem para liberar campos minados em áreas especiais designadas pela DAICMA e por outros grupos especializados do governo. Até agora, o BIDES eliminou 1.106 artefatos explosivos improvisados e liberou mais de 2.000 quilômetros quadrados de terras.

O BIDES identificou cinco tipos diferentes de minas terrestres usadas pelas FARC, pelo ELN e por outros grupos criminosos. As minas terrestres são feitas com herbicidas, tubos de PVC, sacos plásticos e contêineres, pesticidas, nitrato de amônio, alumínio, gasolina e outros produtos químicos. Os artefatos usam detonadores elétricos ou pressão para criar uma explosão poderosa capaz de matar ou mutilar quem estiver por perto.

O custo para produzir o artefato varia de US$ 3 a US$ 30. Já o custo para desarmá-lo varia de US$ 300 a US$ 1.000.

“O programa pode encerrar um ciclo de ódio e ressentimento”, diz Jimenez, da CCCM. “Se der certo, gerará confiança entre a população civil e contribuirá com a possibilidade de uma paz duradoura.”
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