Colômbia livre de voos ilegais

Colombia is Free of Illegal Flights

Por Marian Romero/Diálogo
outubro 20, 2017

Autoridades colombianas efetuaram uma operação para interceptar uma aeronave ilegal no espaço aéreo do município de López de Micay, na região de Cauca, no último dia 8 de agosto. O sistema de vigilância e defesa aérea da Força Aérea da Colômbia (FAC) detectou três aeronaves ilegais, duas no Caribe, que no final não entraram no espaço aéreo nacional, e um avião monomotor tipo Cessna 210, que foi identificado como voo ilegal. A aeronave não possuía identificação nem plano de voo e viajava a 200 pés, uma altura considerada perigosa para esse tipo de veículo, que deve voar a 3.000 pés em condições normais. Além disso, desconsiderou as advertências e chamadas de segurança que são feitas nesses casos. A aeronave tinha capacidade para transportar aproximadamente 700 quilos de alcaloides. “Em primeira instância, determinou-se que se tratava de violação da soberania aérea da Colômbia e classificou-se como uma aeronave suspeita. Quando foi confirmado que não possuía matrícula e não havia intenção de comunicação, decidiu-se que se tratava de uma aeronave hostil. Nesse momento, ativou-se o protocolo de segurança para realizar a interceptação”, explicou o Coronel Jorge Saavedra, diretor de Defesa Aérea da FAC. Processo de interceptação aérea A Colômbia subscreve com o governo dos Estados Unidos um Acordo de Negação de Ponte Aérea (ABD, por sua sigla em inglês), um convênio de interceptação aérea que fortalece a capacidade do governo colombiano para eliminar o tráfico aéreo ilícito de entorpecentes e substâncias psicotrópicas. A prioridade desse programa é realizar a interceptação de aeronaves suspeitas e hostis, e obrigá-las a pousar para que os órgãos competentes tomem as medidas necessárias. O Convênio ABD estabelece três fases, para evitar a perda de vidas inocentes no ar ou em terra: 1). Rastreamento e monitoramento de aeronaves suspeitas de estarem envolvidas no tráfico ilícito. Nessa fase, tenta-se estabelecer comunicação por rádio e/ou sinais visuais com o veículo para ordenar-lhe que pouse em um lugar designado como adequado para sua aterrissagem segura. 2). Utilização de disparos de advertência com balas traçadoras, com prévia autorização do comandante da FAC. Ao mesmo tempo, continua-se tentando estabelecer comunicação com a aeronave. 3). Disparo de armas contra a aeronave interceptada no ar ou em terra, se não responder à comunicação. A meta dessa fase é inutilizar a aeronave para forçar sua aterrissagem e, se estiver em terra, impedir sua decolagem. “É imprescindível executar o procedimento ao pé da letra, sem omitir nenhuma das fases, para garantir a segurança da aviação civil e evitar erros operacionais”, explicou o Major da FAC Álvaro Moreno Aranzales, oficial encarregado da missão em López de Micay. “Utilizamos o uso gradual da força para conservar a vida, pois essa é uma prioridade. Nesse caso, o procedimento foi realizado em uma praia onde a aeronave aterrissou. Ao não responder a nossos chamados, foi necessário inutilizá-la.” A praia onde a aeronave aterrissou de maneira ilegal é desabitada, como a maior parte do território de López de Micay. O lugar possui cerca de 13.000 habitantes, um número pequeno se levado em conta seu tamanho, 3.241 quilômetros quadrados de área. “As praias do Pacífico colombiano são muito amplas, e as organizações criminosas estabeleceram locais para o pouso, pretendendo violar o espaço aéreo, embora o pouso em areia presuma uma alta periculosidade a bordo de um Cessna 210”, assegurou o Cel Saavedra. “Por experiência, conhecemos os lugares que são utilizados pelo tráfico de drogas, por isso esses lugares estão sujeitos a uma vigilância especial por parte das unidades de detecção aérea e terrestre.” A intervenção foi feita por meio do Centro de Comando e Controle da FAC, que empregou aeronaves de alerta precoce e vigilância para o reconhecimento e interceptação a partir de vários comandos aéreos de combate. Para o desenvolvimento da operação, foi utilizado um avião de inteligência SR-560, pilotado pelo Maj Moreno, um avião de combate AC-47, conhecido como o Fantasma, e duas aeronaves A-29 Super Tucano. Blindados contra o narcotráfico De acordo com a FAC, até 2003, ocorria uma média de 700 voos ilegais por ano. Hoje, o espaço aéreo está completamente livre desse tipo de incidentes, pois os que tinham intenção de violar a soberania são neutralizados. Em 2017, houve três tentativas de violação do espaço aéreo, incluindo a neutralização ocorrida em López de Micay, porém sempre foram detectadas e interceptadas. “Hoje, podemos assegurar que 100 por cento do espaço aéreo colombiano está protegido pela FAC”, assegurou o Cel Saavedra. “Com nosso sistema de alerta e detecção precoce, mais o fortalecimento de nossas capacidades durante todos esses anos, podemos garantir que não há narcotráfico por via aérea na Colômbia.” Para obter esse resultado, a Colômbia fortaleceu sua inteligência e estabeleceu alianças com todos os países da região para manter a ajuda mútua e garantir a estabilidade do espaço aéreo. “O principal desafio que o narcotráfico apresenta é sua mutação diária. Como se trata de um delito transnacional, é importante estarmos conectados entre as nações e prevermos as ações que os delinquentes estejam pensando em fazer”, acrescentou o Cel Saavedra. “Detectamos casos de aeronaves tipo ultraleves ou veículos aéreos não tripulados, mas sua capacidade de carga é mínima, 1 ou 2 quilos, e foram interceptadas. O desafio maior está no mar, porque nesse meio a capacidade de carga é muito superior, de 10 toneladas, e a detecção é mais complexa no ambiente marítimo”, finalizou.
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