Colômbia: Mineração ilegal preocupa governo

Colombia: Illegal mining concerns government

Por Dialogo
abril 11, 2012




BOGOTÁ, Colômbia – Coltan, tungstênio e cocaína – essas são as três maiores ameaças ao ecossistema do Parque Nacional Puinawai, localizado no departamento de Guainía, na Amazônia colombiana.
O coltan, também conhecido como tantalita, é uma mistura de minérios usada na fabricação de dispositivos eletrônicos avançados.
“Uma tonelada de coltan pode ser vendida ilegalmente por cerca de US$ 500.000 (R$ 910.000)”, afirma Fabio Forero, professor da Universidade De La Salle, na Colômbia.
O tungstênio é mais conhecido por seu uso em filamentos de lâmpadas. Mas, de acordo com o historiador da Universidade de los Andes Santiago Martínez, “a razão do interesse de grupos como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) é que o produto é essencial para a fabricação de mísseis terra-ar e projéteis capazes de perfurar blindagens.”
A mineração ilegal por parte de narcotraficantes e grupos terroristas preocupa o governo colombiano.
“Descobrimos que as organizações sofisticadas de tráfico de drogas estão cada vez mais envolvidas com o tráfico de minerais do Parque Puinawai”, diz o coronel de Infantaria da Marinha Alfredo de Videro, comandante militar da região onde fica o parque.
A mídia colombiana informa que os lucros gerados pelas operações de mineração ilegal em todo o país podem chegar a $1,6 bilhão de pesos (R$ 1,52 milhão). O governo ainda não divulgou seus números.
“Estamos fazendo todo o possível para evitar a exploração ilegal de recursos naturais no país”, afirma o ministro do Meio Ambiente, Frank Pearl, acrescentando que sua pasta não conta com recursos para monitorar os 56 parques naturais do país 24 horas por dia. “Algumas entidades não conseguem chegar até as últimas áreas do parque. Então, é importante que os cidadãos e os meios de comunicação informem as autoridades caso notarem a ocorrência de mineração ilegal. A Colômbia é um país muito grande, o que torna o combate à exploração ilegal um enorme desafio.”

O governo tem tomado medidas para reprimir a exploração de recursos naturais, como a revogação de 37 licenças de lavra – algumas das quais eram falsificadas – em todo o país, incluindo as províncias ricas em minerais dos departamentos de Guanía, Vaupés e Guaviare.
“É preciso esclarecer que várias das autorizações revogadas eram ilegais porque foram falsificadas. É ilegal a atividade de mineração em parques naturais", ressalta Julia Miranda, diretora dos Parques Nacionais Naturais, organização do Ministério do Meio Ambiente. “Não vamos conceder nenhuma autorização para mineração dentro de parques, e as que haviam sido emitidas estão canceladas.”
Nos últimos cinco meses, a Direção Nacional de Parques Naturais da Colômbia rejeitou 400 licenças de lavra.
O maior problema para o governo em termos de mineração ilegal é determinar a extensão do crime, enfatiza Gustavo Wilches Chaux, ambientalista especializado em avaliações de risco.
“Não há cifras verdadeiras do alcance deste negócio”, afirma.
O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, diz que o novo código de mineração do país – que deve entrar em vigor na segunda metade de 2012 – vai reformar a indústria mineradora e oferecer capacitação e suporte financeiro para os que ingressarem no ramo.
Wilches aplaude os esforços do governo.
“O governo está focado na formalização desse negócio, e este é um passo importante”, destaca. “Ainda faltam alguns detalhes, mas estamos no caminho certo. Porém, a exploração dessas zonas inacessíveis é algo com que as autoridades vão ter de lidar constantemente, porque controlar a exploração em toda parte é virtualmente impossível – a selva ocupa 10% do território nacional. Não há muitas estradas de acesso ao parque. O trabalho, muitas vezes, é como procurar agulha em palheiro.”
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