Colômbia e SOUTHCOM alinham objetivos do Plano Victoria Plus

Colombia and SOUTHCOM Align Victoria Plus Plan’s Objectives

Por Yolima Dussán/Diálogo
julho 20, 2018

O foco principal do Primeiro Seminário Interinstitucional para a Ação Unificada foi conseguir a articulação de todas as entidades colombianas para alcançar a transformação das zonas afetadas pelo conflito, para estabilizar a região e consolidar a paz. O simpósio foi realizado em Bogotá, Colômbia, entre os dias 26 e 29 de junho, sob os auspícios da divisão de Operações de Informação (OI) do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).

“Arauca, Catatumbo [Norte de Santander], Tumaco [Nariño] e Bajo Cauca Antioqueño são as [quatro] zonas onde necessitamos ter um exercício unificado e permanente com todas as capacidades do Estado. A Colômbia hoje é um país melhor, maior”, garantiu à Diálogo o General-de-Brigada do Exército Hugo Alejandro López Barreto, comandante do Comando de Apoio da Ação Integral e do Desenvolvimento do Exército da Colômbia. “Esse mapa vermelho que tínhamos já não está tão vermelho; a grande maioria é verde e amarelo. Cabe a nós trabalhar muito e coordenar para erradicar as zonas vermelhas.”

A estratégia se baseia no conceito de sincronização, coordenação, integração e harmonização das operações entre os setores do governo, o setor privado, a sociedade civil, a cooperação internacional e a participação comunitária. O objetivo é conseguir a unidade de esforços e alcançar a estabilidade nas diversas regiões do país, como estabelece a iniciativa Ação Integral e Desenvolvimento, do Plano Victoria Plus, carta de navegação das Forças Militares da Colômbia.

Quatro fases com um propósito

O seminário corresponde à terceira fase de um programa elaborado em conjunto com o Comando Geral das Forças Militares para assentar as bases da estratégia. A primeira fase correspondeu ao Seminário Teórico Prático de Especialistas em Planejamento Interinstitucional, realizado por especialistas de OI em abril. Nessa fase foram determinados os centros de gravidade nos quais é necessário ampliar as operações de forma integral o mais breve possível. “Na segunda fase, um comitê móvel percorreu as quatro áreas para levar a seus comandantes o plano estratégico de ação unificada e integral. A fase três [o seminário de junho] tem o objetivo de analisar os resultados do planejamento das equipes móveis, para reformulá-lo”, disse à Diálogo Cristóbal Díaz, coordenador de OI do SOUTHCOM. “Muitas agências estão no campo, mas elas não se sincronizam. Contribuímos para coordenar o projeto da estratégia. Trabalhamos com os militares e os apoiamos em sua liderança, mas esse é um assunto que deve ser expandido e executado como uma política de Estado.” A fase quatro será realizada no final de julho de 2018, quando o SOUTHCOM fará sua avaliação final.

Visão compartilhada

Participaram do seminário representantes dos ministérios colombianos da Defesa, da Educação, do Interior e do Transporte, além do Alto Conselho para o Pós-conflito, da Autoridade Nacional de Aquicultura e Pesca, do Coldeportes, do Departamento Administrativo da Função Pública (DAFP), do Departamento Administrativo para a Prosperidade Social (DPS, em espanhol) e responsáveis pela Ação Integral de cada uma das Forças Militares da Colômbia. A união de entidades deixou clara a visão compartilhada quanto à urgência da presença permanente do Estado para consolidar os programas vigentes e o início de outros projetos que neutralizem os fatores de instabilidade.

“Nós visamos 1,06 milhão de lares nas zonas rurais. Nossos assistentes sociais, 5.600 pessoas, percorrem os 1.102 municípios, o que nos permite saber quais são as necessidades das pessoas e como vincular a oferta social do Estado a essas necessidades”, disse à Diálogo Catalina Moyano, subdiretora geral do DPS para a superação da pobreza. “Necessitamos das forças armadas; muitas vezes não temos [recursos] para nos deslocar a vários lugares ou o conhecimento do território; elas, sim, os têm.”

Recuperação social do território

Para atender às necessidades básicas nas zonas críticas da Colômbia é necessário realizar um processo de recuperação de confiança e social do território. “Coordenamos para conseguir a permanência das entidades nessas latitudes. O que nos falta na Colômbia é que a ordem nacional possa se concentrar também no trabalho territorial”, comentou com Diálogo Alejandro Becker, diretor de Desenvolvimento Organizacional do DAFP.

“Projetamos o Modelo Integrado de Planejamento e Gestão, onde reunimos 10 entidades para unificar 16 políticas de gestão, que ditam como os processos devem ser feitos”, acrescentou Becker. “Trata-se de uma oportunidade de ouro para a integração à iniciativa de ação unificada, liderada pelas forças armadas, e cuja entrada nas regiões afastadas gera expectativas que outras entidades devem respaldar. Necessitamos levar adiante a estratégia integradora para fazer com que o Estado funcione.”

Avaliar resultados para avançar

O Plano Victoria Plus faz parte da agenda do Estado, do setor privado e da comunidade. “Temos que pôr o conceito em funcionamento. Teremos resultados em curto, médio, longo e muito longo prazos, que deverão culminar com a transformação do território”, disse à Diálogo o Coronel do Exército (r) Samuel Alberto Ríos Sepúlveda, assessor de Planejamento, Inovação Social, Seguimento e Evacuação de Projetos do Ministério da Defesa. “Devemos elevar os indicadores de impacto na gestão social, produtiva e ambiental, até que Tumaco, Catatumbo, Arauca e Bajo Cauca Antioqueño se tornem regiões produtivas, sem criminalidade e sem narcotráfico.”

Para elevar esses indicadores, a Colômbia conta com o Gabarito de Intervenção e Gestão Social Interinstitucional. Esse instrumento mede a evolução dos programas do Estado nos centros de gravidade e a opinião que a comunidade tem quanto a eles.

“Não se trata apenas de chegar às comunidades; é necessário medir cada etapa, saber em qual momento a desconfiança foi superada e a gestão foi posta em vigor, [para] definir a construção de outros cenários até atingir a transformação”, afirmou o Cel Ríos. “As comunidades precisam ter pontos de medição, para que elas possam gerar compromissos; caso contrário, qualquer esforço se torna inútil. É um esforço que nos tomará mais de 20 anos.”

Em busca de um coordenador

O seminário deixou claro que há um avanço ao se compreender o modelo, entender a metodologia e começar a elaborar exercícios de interação interinstitucional para trabalhar no território. “Os processos são construídos com o tempo, o conhecimento e a assistência, como a que recebemos do SOUTHCOM. Existem dois canais importantes: um deles é a assessoria, o outro são os recursos. A transferência do conhecimento torna-se um elemento indispensável ao exercício. O outro é o aporte financeiro para que ele se materialize. Sozinhos não podemos”, reconheceu o Cel Ríos.

Cada uma das forças fez recomendações para a efetividade das ações unificadas. As propostas vão desde que a importância dos municípios e das comunidades priorizados no Plano Victoria Plus seja a mesma para o Estado, até a necessidade de capacitar uma equipe composta por militares das forças navais, de divisões, forças-tarefa e brigadas na metodologia de estruturação de projetos para que estes sejam formulados em nível estratégico.

Os militares também recomendaram a criação de centros de ação unificada centralizados. A finalidade é manter o controle das operações, o cumprimento dos programas e os objetivos propostos pelas instituições da região, bem como sensibilizar a população contra a cultura da ilegalidade face às novas oportunidades oferecidas pelo Estado.

“Cabe-nos o desafio de conseguir um grande coordenador”, assegurou à Diálogo o Coronel de Infantaria da Marinha Fernando Moreno, chefe da Ação Integral e Desenvolvimento da Marinha Nacional da Colômbia. “Pensamos que os frutos dos últimos quatro anos do Plano Victoria Plus poderiam ter como grande moderadora a vice-presidência da República [da Colômbia]. E nós – as forças militares, os ministérios, as agências – poderíamos ser os articuladores para se atingir esse resultado”, finalizou.
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