Colômbia e Panamá ampliam operações conjuntas em sua fronteira comum

Colombia and Panama Ramp Up Joint Operations Along Their Shared Border

Por Roberto López Dubois/Diálogo
outubro 03, 2017

A Colômbia e o Panamá instalarão dois postos adicionais de vigilância conjunta nas passagens de fronteira de La Balsa e La Olla, conforme acordado pelas autoridades de segurança de ambos os países na última Comissão Binacional de Fronteiras (COMBIFRON), realizada de 29 de agosto a 1.º de setembro em Medellín, Colômbia. Com um total de quatro postos na região fronteiriça, as partes trabalham para que os postos possam estar em operação em janeiro de 2018. “Essas instalações permitem que os soldados colombianos patrulhem o território no seu lado, o mesmo ocorrendo com os efetivos panamenhos”, assegurou o ministro de Segurança Pública do Panamá Alexis Bethancourt. “Além disso, ajudam no controle entre ambos os países das trilhas na selva usadas pelo crime organizado, permitindo o controle dos fluxos migratórios e reduzindo as ações do narcotráfico.” As forças armadas de ambos os países trabalham de forma conjunta no combate ao narcotráfico, tráfico humano, à migração ilegal, mineração ilegal e a outros crimes na área limítrofe entre ambos os países. Atualmente, estão em funcionamento os postos de revisão de Alto Limón e La Unión. “Os postos avançados de vigilância desempenham um papel estratégico para o controle no cordão fronteiriço”, acrescentou o comissário Guillermo Valdés, chefe de operações do Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT). “Todos os corredores de mobilidade das ameaças que vinham de um ponto para outro foram bloqueados com esse fim.” Além das novas instalações de segurança, durante o encontro foi acordado alterar a frequência das reuniões de seis para quatro meses, ficando estabelecido que a próxima reunião será na Colômbia, no final de novembro. Como opera a COMBIFRON A COMBIFRON é um mecanismo de coordenação criado pelos governos da Colômbia e do Panamá para enfrentar os problemas de segurança em sua fronteira comum. Em cada reunião, cada delegação apresenta inicialmente as novas ameaças que afetam seu território e as estratégias para combatê-las. Depois discutem as ações a serem tomadas entre ambas. “Nessas reuniões, estabelecemos as linhas de comunicação, desde os aspectos estratégicos até os operacionais”, explicou o comissário Oriel Ortega Benítez, subdiretor do SENAFRONT. “Fazemos uma integração de três pontos focais muito importantes, que são o intercâmbio de informações, de treinamento e as projeções a nível estratégico. Além do planejamento, executamos operações simultâneas em ambos os países, como, por exemplo, a Operação Escudo e a Operação Pátria. . O que tivermos que fazer agora, nós o faremos de modo integral”, acrescentou. As ameaças A principal ameaça na área é o narcotráfico, que à medida que se aplicam diferentes ações para combatê-lo se modifica para tentar se manter. “Seu modus operandi mudou porque, a princípio, sabíamos que vinham em embarcações grandes, as chalupas. Depois, começaram a transportar a droga no fundo duplo de embarcações menores”, explicou o comissário Valdés. “Contudo, como hoje em dia foi bloqueada essa parte aquática, as drogas são distribuídas por via terrestre por meio de caminhantes, que chamamos de ‘mochileiros’.” A Colômbia levantou também a questão do aumento da mineração ilegal e de como são utilizados os equipamentos que fabricam com implementos da natureza para extrair ouro dos rios. Também se levantou a incidência do tráfico de pessoas, que poderia aumentar, no futuro próximo, devido ao aumento de visitantes nessa área. Vantagens da COMBIFRON A COMBIFRON possibilita o estabelecimento de um mecanismo de coordenação sincronizada entre ambos os países, o que permite confrontar as diferentes ameaças na fronteira comum entre o Panamá e a Colômbia. Para conseguir o intercâmbio de informações permanente e constante entre as instituições, as partes utilizaram a tecnologia mais recente, que lhes permite desde fazer videoconferências até enviar simples mensagens pela internet. “A COMBIFRON permite um intercâmbio de informações, que é um recurso valioso no tema do narcotráfico e do crime organizado”, acrescentou o ministro Bethancourt. “Nós necessitamos que os países compartilhem informações de quem são [os que cometem as ações criminosas], o que fazem, para onde vão e, com essas informações, podemos contribuir para fechar o caminho para eles.” A primeira reunião data de junho de 2003. Nessa ocasião, a Colômbia e o Panamá acordaram o estabelecimento de um manual de coordenação fronteiriça terrestre, aérea e naval, bem como um banco de dados com os antecedentes criminais dos residentes em povoados, províncias e regiões próximas à fronteira. Os participantes decidiram manter reuniões de maneira periódica, o que permite que as forças de ambos os países alcancem novos acordos com maior frequência e aumentem as ações para garantir a segurança fronteiriça. Inicialmente, o Panamá e a Colômbia decidiram fazer esse tipo de encontros devido à situação gerada pelas atividades de grupos narcoterroristas em sua fronteira comum. Os grupos fora da lei realizavam ações criminosas na Colômbia e cruzavam a fronteira para se refugiar na fechada e solitária selva panamenha. “Esses tipos de encontros de coordenação continuarão para tratar de temas de segurança, cooperação e alguns outros temas que temos em comum”, disse o ministro Bethancourt. “Obtivemos resultados muito positivos em vários cursos de ação, como o planejamento de patrulhamentos conjuntos, além da estruturação de planos conjuntos, de trabalho integrado e de outras operações em cada país”, finalizou.
Share