Colômbia e México fortalecem interdição aérea contra tráfico de drogas

Colombia and Mexico Enhance Air Interdiction of Drug Trafficking

Por Julieta Pelcastre/Diálogo
dezembro 16, 2016

Os efetivos da Força Aérea da Colômbia (FAC) e da Força Aérea do México (FAM) realizaram o primeiro exercício simulado de interdição aérea para impedir o uso indevido do espaço aéreo sobre o mar do Caribe pelo narcotráfico. O treinamento de interdição aérea MEXCOL I ocorreu de 21 a 25 de novembro na ilha de San Andrés, na Colômbia, nas instalações do Grupo Aéreo do Caribe, com a participação de cinco oficiais colombianos e cinco oficiais mexicanos das duas forças aéreas. O objetivo do exercício foi colocar em prática os procedimentos operacionais vigentes em questão de interdição e interceptação aérea, bem como o intercâmbio de informações de forma fluida e eficiente, para fortalecer os sistemas de defesa aérea e detectar de maneira efetiva os voos ilícitos. “O exercício foi de forma simulada, para poder verificar como poderíamos, de alguma forma, resolver realisticamente os problemas”, disse à Diálogo o Tenente Coronel Andrés Niño, subdiretor de Operações de Defesa da FAC. “A aproximação pessoal e a geração de confiança são fundamentais para as forças armadas que participam dessas operações”, comentou Rubén Sánchez, professor da faculdade de Ciências Políticas da Universidade Nacional da Colômbia. O MEXCOL faz parte do Memorando de Entendimento, assinado em 27 de setembro de 2015, entre as forças aéreas da Colômbia e do México, para o estabelecimento de procedimentos operacionais relativos à interdição e interceptação aéreas. No exercício, os participantes tiveram a oportunidade de realizar diferentes operações de forma virtual, efetuar um treinamento básico de operações com aeronaves das duas forças aéreas e atualizar as táticas de interdição, identificação e transferência de tráfego aéreo irregular de aeronaves não identificadas, para melhorar e fortalecer o controle do espaço aéreo. “O que fizemos foi simular os centros de operações de cada força aérea para treinar e aplicar procedimentos operacionais, para saber o que fazer quando encontrarmos aeronaves ilegais no espaço aéreo de algum desses [dois] países”, comentou o Ten Cel Niño. Nos procedimentos operacionais foram estabelecidas seis etapas: detecção da aeronave, identificação, classificação de acordo com os protocolos estabelecidos, interceptação, acompanhamento e entrega do objetivo ou da aeronave por parte de uma das forças aéreas à outra força aérea. Durante o MEXCOL, foram realizadas cinco operações simuladas; basicamente, elas envolviam aeronaves que saíam do espaço aéreo mexicano até o espaço aéreo colombiano, tanto pelo mar do Caribe como pelo Oceano Pacífico. Nas operações, pode-se reproduzir os meios de detecção, radares e aeronaves que normalmente participam das operações contra o narcotráfico por via aérea. “O que também buscávamos era estabelecer e verificar um fluxo correto, oportuno e claro de informações entre ambos os centros de operações, assim como estreitar as relações binacionais, através do intercâmbio de expedientes e da aplicação de procedimentos para a vigilância e o controle do espaço aéreo”, informou o Ten Cel Niño. “Todos os objetivos foram alcançados de maneira eficiente e bem-sucedida”, afirmou. Os oficiais tiveram a oportunidade de ficar sabendo que a FAC e a FAM “têm semelhanças em seus procedimentos. Elas também possuem diferentes capacitações, as quais, em última análise, contribuem e são eficazes na luta contra o tráfico de drogas por via aérea”, expressou o Ten Cel Niño. Ambos os centros de operações mantêm um fluxo de informações caso surja uma ameaça. Como disse Sánchez, “a luta contra o narcotráfico deve ser conjunta; nenhum país sozinho poderá resolver essa ameaça”. Além disso, o impacto dos voos ilegais é uma ameaça para a aviação comercial e civil; “essas aeronaves [ilegais] estão colocando em risco a operação das outras aeronaves [comerciais e civis], principalmente na rota do Caribe, onde o destino geralmente é Honduras, República Dominicana, Guatemala e México. Por isso, é importante a coordenação entre as forças aéreas da região”, enfatizou o Ten Cel Niño. O Caribe é a principal rota utilizada pelo narcotráfico para transportar a cocaína para os Estados Unidos e a Europa. De acordo com o Relatório da Estratégia Internacional de Control de Narcóticos 2016, publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, no primeiro semestre de 2015, cerca de 90 por cento da cocaína destinada aos EUA passou primeiro pelo corredor México-América Central. “Necessitamos congelar os grupos ilegais que traficam grandes quantidades de drogas. É evidente que a cooperação deve manter-se no ar, no mar e na terra”, concluiu Sánchez.
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