Chile está preparado contra tsunamis

Chile Prepared for Tsunamis

Por Carolina Contreras/Diálogo
janeiro 18, 2017

Em 7 de dezembro, o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha do Chile (SHOA, por sua sigla em espanhol) instalou uma nova boia de última geração para detectar tsunamis na região noroeste de Valparaíso, em frente à cidade litorânea de Pichidangui, no Chile. . A boia é parte do Sistema de Avaliação Oceânica Profunda e Relatório de Tsunamis (DART, por sua sigla em inglês), desenvolvido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, por sua sigla em inglês). Conhecido como DART 4G, o sistema consiste em um sensor instalado no fundo do oceano, conectado a uma boia na superfície da água, que gera informações constantes que permitem alertar sobre a ocorrência de tsunamis quando eles ainda estão longe do litoral, logo após um terremoto de grande intensidade. A boia DART 4G foi instalada no marco do memorando de entendimento estabelecido em julho de 2015 entre a NOAA e o SHOA. Os dois primeiros sistemas começaram a operarem 2015, um em frente ao litoral das localidades da comuna de Mejillones, ao norte, e outro na cidade de Constitución, ao sul, enquanto este novo protótipo “começou a cobrir um setor litorâneo que estava sem monitoramento e, por isso, vamos ter uma previsão melhor”, disse o diretor do SHOA, o Contra Almirante Patricio Carrasco. O Chile, por sua condição sísmica, é o único país sul-americano que conta com três das cinco boias DART 4G que funcionam no mundo. Os outros dois protótipos dessa moderna tecnologia de monitoramento estão no litoral dos Estados Unidos. “Contamos com pessoal capacitado pela NOAA, que já visitou nossas instalações e certificou nossos processos de trabalho”, disse o C Alte Carrasco. Desde 27 de fevereiro de 2010, depois do terremoto de magnitude 8,8 na escala Richter, e do tsunami que arrasou o sul do país nesse mesmo dia, a Marinha do Chile iniciou um processo de mudanças, gerando novas capacidades tecnológicas em seu Sistema Nacional de Alarmes e Maremotos. As boias DART fazem parte das novas ferramentas e são uma fonte de informações relevantes que permite às autoridades lidar com mais eficácia contra a ameaça de um maremoto e prevenir a população. Tecnologia de última geração Atualmente, são cinco as boias DART que monitoram os 5.000 quilômetros da costa chilena: dois modelos de segunda geração (DART II), localizados em frente às cidades de Iquique e Caldera, no norte do país, que já possuía o SHOA, além das três novas DART 4G de última geração, dispostas na região centro-sul do país e destacadas pelas inovações que melhoram a previsão desses fenômenos. O modelo DART 4G inclui um novo sensor de gravação de pressão e um software capaz de diferenciar um sinal de tsunami de um “ruído” produzido por um terremoto. O sistema 4G também tem avanços na otimização da energia. O tempo de autonomia das baterias do medidor de tsunamis foi ampliado para cinco anos e o das boias superficiais para dois anos. Nas boias DART II, a duração da bateria alcança somente dois anos. Por outro lado, o novo sistema melhorou a recepção dos dados durante os eventos. Isso inclui sensores meteorológicos padrão de vento, temperatura e umidade relativa do ar, temperatura superficial do mar e pressão barométrica. “Agora poderão ser obtidos mais antecedentes sobre o comportamento dos tsunamis”, disse o diretor do Centro Sismológico Nacional, Sergio Barrientos. Cobertura nacional Durante o mês de novembro 2016, uma equipe de profissionais da NOAA viajou para o Chile para realizar a última etapa de treinamento para as equipes do SHOA e da Marinha chilena, encarregados do trabalho de instalação da boia e de colocá-la em funcionamento. Assim, com a ajuda do navio científico AGS Cabo de Hornos, em 7 de dezembro, a equipe conseguiu chegar a 4.223 metros de profundidade e a 220 quilômetros de distância do litoral. “Foi um evento importante para a instituição ao concretizar todo esse processo de forma independente”disse o C Alte Carrasco. “Ratificamos a certificação da NOAA não somente na parte da instalação, mas também na parte eletrônica e nas capacidades do navio”. A boia deve ser posicionada perto de onde são produzidos os tsunamis que geram os tremores. Por isso, a região centro-norte do país foi escolhida, onde está previsto um aumento da atividade sísmica e onde faltava a cobertura desse tipo de medição. “É provável que ocorram terremotos importantes nos lugares onde esse tipo de evento não foi gerado nos últimos 10 ou 100 anos”, garantiu Barrientos. O sistema DART tem um alcance não somente a nível nacional, mas também nos outros países do Pacífico. Ele monitora não apenas quando o terremoto ocorre no Chile, mas também quando tremores ocorrem em outros países e as ondas de tsunamis poderiam chegar ao litoral chileno. “Este foi o caso do terremoto e tsunami de Papua Nova Guiné em 17 de dezembro, quando foram ativadas as boias e se mediram as ondas que poderiam ter chegado ao país. Também no caso do terremoto de 25 de dezembro na Ilha Grande de Chiloé, no sul do Chile, quando as informações monitoradas também foram enviadas aos centros internacionais”, disse Barrientos. Para o SHOA e para a Marinha, o trabalho preventivo desse tipo de desastre natural exige verificar e melhorar seus processos continuamente. Para isso, este ano estão programadas novas reuniões entre a NOAA e o SHOA, tanto nos Estados Unidos como no Chile, para verificar novos avanços. “Estamos com um conceito de melhoria contínua, avaliamos e aprendemos sistemas que possam ajudar a transmitir as informações de forma rápida e precisa para a comunidade”, finalizou o C Alte Carrasco.
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