O exercício naval combinado Viekaren 2023 foi realizado em Puerto Williams, no Chile. As marinhas do Chile e da Argentina destacaram suas unidades nas águas do Canal de Beagle, no extremo sul, uma área compartilhada por ambas as nações. O objetivo foi aumentar a capacidade de resposta combinada no caso de uma emergência marítima e fortalecer os laços de confiança e comunicação entre os dois países.
“As condições meteorológicas durante o Viekaren 23 não foram as melhores, mas são as que costumamos ter na área de operação: havia neve e ventos de até 40 nós”, disse à Diálogo, em 4 de outubro, o Capitão de Mar e Guerra Jaime Jara, comandante do Distrito Naval Beagle da Marinha do Chile. “No entanto, fomos capazes de interoperar em condições climáticas adversas, demonstrando ainda mais a versatilidade das unidades das marinhas do Chile e da Argentina.”
O Viekaren é realizado anualmente desde 1999 nessa área. Trata-se de um exercício combinado que faz parte das medidas de construção de confiança mútua previstas no Tratado de Paz e Amizade de 1984, assinado por ambas as nações. O exercício deste ano foi realizado entre 22 e 26 de agosto.
Em cada treinamento, o exercício constata a interoperabilidade entre as duas forças por meio de várias operações destinadas a aumentar a capacidade de proteger a vida humana no mar e reforçar a capacidade de resposta das unidades. Devido ao fato de o trânsito marítimo pelo Canal de Beagle ser frequente durante o verão, o treinamento visa garantir que o intercâmbio de capacidades seja eficaz em caso de eventuais emergências.
O Viekaren é realizado alternadamente por cada marinha, e este ano foi a vez da Marinha Argentina, que participou com três lanchas rápidas, dependentes do Agrupamento de Lanchas Rápidas da Área Naval do Sul, comandadas pelo Capitão de Mar e Guerra Jorge Vildoza, chefe do Estado-Maior da Área Naval do Sul da Marinha Argentina.
Do lado chileno, participaram três barcos de patrulha de serviço geral pertencentes ao Distrito Naval de Beagle, bem como o Destacamento Aeronaval de Puerto Williams. O contingente foi comandado pelo CMG Jara.
Nesse treinamento, os militares de ambos os países realizaram exercícios de busca e resgate marítimo, destacamento de barreiras para evitar um derramamento simulado de poluição, manobras de reboque entre unidades e uma evacuação médica aérea de uma pessoa ferida, com um helicóptero da Marinha do Chile, com transferência para o hospital em Ushuaia, Argentina.
Eles também realizaram exercícios de combate a incêndios em unidades de superfície, navegações em águas restritas e simularam a falha do casco de um navio, reparado com um exercício de mergulho combinado, entre outros.
“Nossa maior preocupação em relação ao estado final desejado do Viekaren 23 que mapeamos com a Marinha Argentina era a integridade de nosso pessoal e do material e que não tivéssemos nenhum incidente real”, disse o CMG Jara. “Terminamos sem nenhum ferido nem dano ao material; portanto, esse objetivo foi cumprido em 100 por cento.”
“O Viekaren também busca ter procedimentos de coordenação e fluxo de informações, para cooperar com o trânsito de navios pelo Canal de Beagle, cuja frequência aumentou consideravelmente nos últimos anos e espera-se que aumente no futuro”, disse à Diálogo Guillermo Holzmann, analista de defesa e acadêmico da Universidade de Valparaíso, no Chile. “Esse exercício gera confiança não apenas entre as marinhas, mas também no restante dos usuários do Canal de Beagle, tanto de outros países, quanto privados, incluindo todos os navios de cruzeiro que circulam nesse canal.”
“As relações com a Marinha Argentina foram excelentes. Conseguimos realizar o exercício sem interferência; tivemos boas discussões profissionais e reuniões de trabalho”, disse o CMG Jara. “É muito enriquecedor constatar o profissionalismo e [saber] que estamos preparados para atender a qualquer emergência, que temos material semelhante e uma linguagem comum. Viekaren significa confiança, e é exatamente isso que estamos produzindo entre ambas as marinhas.”
Os preparativos para o Viekaren 2024 já estão começando a ser planejados. A intenção é que quatro unidades de cada marinha participem da próxima edição, além de apoio aéreo, como helicópteros, concluiu o CMG Jara.