Forças centro-americanas se capacitam em exploração terrestre

Central American Forces Receive Land Exploration Training

Por Roberto López Dubois/Diálogo
janeiro 17, 2019

Por quase um mês, membros das forças de segurança centro-americanas aplicaram suas capacidades em exploração terrestre em vários terrenos do Panamá, durante um curso ministrado pelo Serviço Nacional de Fronteiras (SENAFRONT) do Panamá. O Curso Internacional de Guia e Explorador Terrestre, realizado em novembro de 2018, reuniu 28 unidades das forças públicas do Panamá, da Costa Rica, de Belize e de Honduras.

Em sua segunda edição, o curso teórico-prático teve como objetivo fornecer aos corpos de segurança da região os conhecimentos, manejos de técnicas e aparatos tecnológicos indispensáveis para a navegação em diferentes terrenos. Além disso, o curso buscou reforçar as destrezas das tropas que combatem o narcotráfico e seus crimes correlatos na América Central.

“Combater o narcotráfico requer que nossos membros de segurança tenham esse conhecimento [de exploração terrestre] para localizar os corredores utilizados pelos grupos do crime organizado, os quais muitas vezes percorrem trilhas na selva, em zonas montanhosas, costeiras e ribeirinhas”, disse à Diálogo o 2º Tenente do SENAFRONT José Chacón, encarregado do curso. “Esses conhecimentos não se limitam ao combate ao narcotráfico; são também muito úteis nas missões de resgate, seja na ocorrência de um fenômeno natural ou devido a acidentes de aeronaves ou veículos em zonas de difícil acesso.”

Desenvolver a liderança

Ministrados por 12 instrutores membros das forças especiais do SENAFRONT, o curso foi dividido nos módulos básico, intermediário e avançado, com cursos teóricos e ensaios no terreno na região do Canal do Panamá, na selva de Darién e nas terras altas da província de Chiriquí, na fronteira com a Costa Rica. O curso foi realizado com o apoio da Embaixada dos EUA no Panamá, com a doação de equipamentos de primeiros socorros, mapas, bússolas e equipamentos de posicionamento global, entre outros.

“O ponto mais importante do curso é desenvolver nos alunos a liderança que eles forjam na medida em que participam das aulas”, disse à Diálogo o Major Oriel De Gracia, chefe do Agrupamento de Forças Especiais do SENAFRONT. “Além das destrezas e habilidades que os instrutores lhes ensinam, eles devem estar capacitados a conduzir suas tropas pelas melhores rotas e melhores caminhos para cumprirem as missões que lhes sejam designadas.”

Na primeira parte, os participantes aprenderam a se orientar no terreno utilizando meios naturais como o sol, as estrelas, o vento e a vegetação. Eles aprenderam fórmulas básicas para calcular as distâncias e o tempo do percurso e descobriram técnicas de navegação diurna e noturna com uso da bússola.

No módulo intermediário, os instrutores se focaram na identificação da topografia em um mapa, nos diferentes tipos de coordenadas e na leitura de um mapa em geral. Além disso, os alunos aprenderam os conceitos de azimute, circunvalação e triangulação.

“Os alunos demonstraram bastante interesse”, disse o 2º Tenente do SENAFRONT Ariel Alvarado, um dos instrutores do curso. “Durante a capacitação, eles aprenderam muitos passos e realizaram procedimentos excelentes como os patrulhamentos.”

Na fase final, os participantes completaram seus conhecimentos usando dispositivos tecnológicos, como o Sistema de Posicionamento Global e outras ferramentas informáticas para manejar, exportar e guardar a informação obtida. Matérias anexas, tais como evasão e escape, rastreamento de combate, armas de fogo e explosivos básicos, entre outras, também fizeram parte da instrução.

“Aprendi muito sobre a localização de objetivos operacionais, utilizando métodos tais como a leitura de cartas com bússola e equipamentos mais sofisticados, como o Sistema de Posicionamento Global”, disse o agente do SENAFRONT Jorge Muñoz, participante do curso e membro da Força de Reação Imediata Contra o Narcoterrorismo. “Essas ferramentas nos permitem chegar em segurança a um lugar preciso.”

Curso de alto nível

De acordo com o 2º Ten Chacón, a origem do curso remonta à criação do SENAFRONT em 2008, quando os poucos navegadores da instituição eram “provenientes das extintas Forças de Defesa do Panamá e todos próximos à idade da aposentadoria.” Com o objetivo de capacitar as novas gerações, o SENAFRONT, com o apoio da Embaixada dos EUA, fez um acordo com as Forças Militares da Colômbia para formar um grupo de instrutores no Panamá.

O primeiro Curso de Explorador e Guia Terrestre foi realizado em 2010, com unidades panamenhas. Em 2017, o SENAFRONT abriu o curso às forças de segurança da região e optou por ministrá-lo anualmente de forma internacional.

“Nós nos sentimos orgulhosos por nossa instituição ser pioneira no ensino desses cursos”, concluiu o Maj De Gracia. “Ministramos instrução e participamos de cursos similares em outros países, nos quais pudemos observar que o aprendizado ou o ensino que ministramos aqui tem um bom nível. Estamos felizes por sabermos que as instituições das nações parceiras confiam na instrução que lhes oferecemos.”
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